Por trás do pé na bunda


Arquivo Época
IVAN MARTINS 
É editor-executivo de ÉPOCA
O escritor franco-argelino Albert Camus disse que o suicídio era a grande questão filosófica do nosso tempo. Parafraseando, eu diria que o fim dos relacionamentos é a grande questão da vida afetiva moderna: por que as pessoas se separam? Por que tantos de nós fracassam em manter relações estáveis e duradouras? Por que num mundo repleto de possibilidades de encontros há tanta gente sozinha?
Nos últimos dias, como num filme, tive duas ocasiões para pensar concretamente sobre isso.
Na primeira ocasião, dei de cara numa festa, inesperadamente, com uma ex-namorada de enorme importância. Ela estava com um homem mais alto, mais jovem e mais bonito do que eu. Parecia feliz. Dias depois, encontrei num restaurante outra das poucas mulheres que marcaram a minha vida - dessa vez com a família, a mesma que eu costumava freqüentar.
Rever essas duas mulheres, vê-las seguindo tranqüilas o fluxo da própria existência, me fez pensar sobre o que havia levado, nos dois casos, à separação. A conclusão, simples e chata, é que não aconteceu nada realmente espetacular. Não houve crime, traição, abandono, tragédia, fatalidade, drama, gritos, morte, nada. Se eu tivesse de apontar a causa mortis diria... O que eu diria mesmo? Não sei.
Sei que as pessoas parecem se cansar umas das outras. Elas enjoam. Perdem o interesse. Elas se distraem, desafinam entre si. Não sentem mais tesão e logo deixam de sentir alegria. O outro deixa de ser uma surpresa cintilante para se tornar uma repetição. O sonho empalidece, os planos nublam, chove. Quando se perde o amor, chove.
Quando a gente fala dessas coisas é comum que as pessoas perguntem: quem acabou, você ou a fulana? Isso costumava ser a coisa mais importante do mundo. Afinal, quem leva o pé na bunda carrega o ônus (formal) da rejeição. Dói e às vezes dói muito. Mas hoje, de uma perspectiva mais experiente, isso me parece de importância secundária. Não interessa a quem cabe o gesto final - o fato importante é que acabou. Os dois perderam, de novo, a oportunidade de serem felizes. É uma espécie muito concreta de fracasso que muitos de nós experimentamos seguidamente.
Outro dia, almoçando com um amigo na Vila Madalena, ouvi a versão resumida (com sotaque carioca) do drama das relações adultas. “Homem não presta”, ele disse. Ponto final. É divertido, mas é bobagem. As mulheres já não são poços de virtude ou de paciência e, no geral, padecem do mesmo mal que afeta os homens: a insatisfação difusa e a falta de objetivos. O que eu espero do outro? O que eu quero para nós dois? Vai saber.
Da minha parte, eu tenho feito um esforço danado de entender o que nos separa. Já tive dois casamentos e, como dizem os mexicanos, o terceiro é o que conta. Estou me preparando: duas sessões de análise por semana, esta troca semanal com vocês (que ajuda imensamente a entender o que eu penso e sinto) e a exploração descarada da vida dos amigos – tudo que eles fazem me interessa, desde que venha contado em detalhes, desde que se possa aprender.
O que eu aprendi até agora? É pouco, mas eu divido:
1) Tem de ter compromisso. Estar com alguém vale a pena, ainda que seja uma pessoa por década, por ano ou por mês. Uma relação monogâmica ainda é o melhor jeito de aprender sobre o outro e sobre si mesmo. Mas exige atenção e dedicação.
2) Se tiver problemas, converse. Homens (com exceções notáveis) não gostam de discutir a relação. Está errado. Nós somos criaturas tão complexas, tão neuróticas e fundamentalmente tão infelizes que já é um milagre que convivamos socialmente sem nos matar o tempo todo. Como se vai dormir junto, comer junto e beijar a boca um do outro sem que pilhas de questões apareçam? Fale. A palavra salva.
3) Quando o sexo fica chato, paciência – e imaginação. Lembre que você tem a sorte de viver no século 21 e que tudo (ou quase tudo) que você e sua parceira (ou parceiro) quiserem fazer, é permitido. Dentro e fora de casa. Se um vídeo da Sasha Gray não for o suficiente, há um mundo inteiro de possibilidades reais e imaginárias a seu dispor. Explorar é bom.
4) Quando o sexo ainda continua chato, escute, preste atenção na parceira. As mulheres, quando sentem que há espaço, são atrevidas e divertidas. Escute o que a sua mulher tem a dizer, sobretudo se ela falar baixinho ao seu ouvido.

Por que a escola precisa ensinar cidadania


Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br
Alunos nas escolas britânicas aprenderão uma nova lição: não bater em mulheres e meninas. Por ano, na Grã-Bretanha, 1 milhão de mulheres sofrem ao menos um episódio de violência doméstica, e 750 mil crianças são testemunhas. A aula estará no currículo obrigatório para crianças a partir de 5 anos. Formar os valores do indivíduo, dar noções de cidadania... é papel da escola ou da família?
Do jeito como as coisas andam, por mais que eu defenda a soberania individual, sou a favor de aulas de cidadania. É um terreno pantanoso. Não se fala aqui da antiga aula de moral e cívica, de assustadora lembrança. Mas de noções de convívio pacífico, não discriminação racial ou sexual, respeito ao meio ambiente, ao vizinho e aos idosos, e alertas para o abuso de álcool, drogas, armas, e contra a violência em casa, no trânsito, na rua, na sala de aula.
Não deveria ser papel dos pais? Ao atribuir à escola parte da responsabilidade pela formação do cidadão, não estaríamos passando atestado da falência da família? Não são os pais que devem ensinar o certo e o errado, de acordo com seus princípios morais e éticos? Teoricamente, sim. Mas, como pais, cumprimos nosso papel? A família moderna – em que pais e mães trabalham dez horas por dia e dedicam pouco tempo aos filhos, ou se divorciam numa velocidade maior do que se casam – é autossuficiente para formar cidadãos responsáveis? A sociedade tem contribuído positivamente para mostrar à criança a fronteira da liberdade que não incomoda o outro? Quando se fala em defesa da cidadania, logo se pensa em sair às ruas e exigir nossos direitos. E os deveres de cada um? Quem é o guardião – precisamos de guardiães?
Uma tragédia ocorrida em Belo Horizonte na quinta-feira demonstra a impotência de famílias que não sabem a quem apelar quando os filhos se viciam e se tornam agressivos. Bruno Guimarães, de 29 anos, que já havia sido internado seis vezes para desintoxicação, foi morto com 12 tiros por três PMs em sua própria casa. Quem chamou a polícia foi o pai. Bruno e amigos consumiam crack e cocaína. Os PMs arrombaram o quarto, e o rapaz atacou um PM com uma faca. Balas de borracha não surtiram efeito, e o PM descontrolado disparou 12 tiros com uma pistola 40. Doze tiros! Fica claro para os pais que chamar a PM para conter um filho drogado não é opção. Não é desse tipo de “guardião” que as famílias precisam.
Teoricamente, caberia aos pais educar seus filhos. 
Mas ninguém pode dar conta dessa tarefa sozinho
Podemos criar uma sociedade menos violenta? Dois estudos divulgados na terça-feira, em São Paulo, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelaram que 55% dos jovens dizem ter visto corpos de pessoas assassinadas no último ano. Sabemos que não são as famílias sozinhas, ou as escolas – sem condições de ensinar direito nem português e matemática –, que darão jeito nisso. Falta um foco obsessivo do Estado na educação ampla e irrestrita.
Até que ponto escolas e famílias podem criar uma parceria saudável? Na Grã-Bretanha, pais reagiram ao curso contra a violência doméstica. Uma mãe disse que o governo deveria se concentrar em ensinar as crianças a ler e escrever, e parar de interferir em como os pais criam seus filhos. O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, disse que “a violência contra mulheres e meninas é uma obscenidade, por isso as escolas tentarão mudar atitudes enraizadas desde a infância”.
Na América Latina, é pior. Um estudo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) mostrou que a violência do parceiro atinge 40% das mulheres: “De pancadas a ameaças de morte, acompanhadas por forte violência psicológica e às vezes também sexual”.
Até que ponto o Estado ajuda ou prejudica? É contribuição ou intromissão? Complicado. Sou favorável à Lei Seca, à proibição do fumo em lugares fechados, à adoção de uma educação ambiental desde cedo. Sou totalmente contra apostilas e livros com viés ideológico, que santificam ou demonizam personagens históricos para fazer a cabeça da criançada. Também acho abuso injustificável usar escolas laicas para pregações religiosas.
Mas acredito que a criação de uma cultura cidadã é responsabilidade de todos. Pais, escolas, Estado. 


Ménage polêmico



A série jovem de tevê "Gossip Girl", exibida pela CBS, fez barulho com o episódio que foi ao ar nos EUA na segundafeira 9. Nele, um rapaz e duas moças protagonizaram um ménage à trois. A simples sugestão de que isso aconteceria foi o suficiente para incendiar grupos de defesa da moral. A polêmica só acendeu a audiência, que foi 18% superior à média. O episódio deverá ir ao ar no Brasil em dezembro, pela Warner.

Meio século sem (mas com) Villa-Lobos


Chico Buarque escreveu que "música de Tom Jobim é casa de Oscar Niemeyer" - trata-se do mais precioso e sofisticado elogio a Tom. Pois bem, foi Tom Jobim, em elogio a Edu Lobo, quem escreveu: "Eu vos saúdo em nome de Heitor Villa-Lobos, teu avô e meu pai" - e aqui tem-se o mais definitivo elogio a Edu. Heitor está para a música como Oscar para a arquitetura: na condição de gênio, gênio nascido no Brasil, graças a seu talento gênio reconhecido em todo o mundo e em todos os tempos e numa eternidade de acordes - como os do "Trenzinho do Caipira". Na terça-feira 17 fez-se meio século que Heitor morreu. Oscar tem ouvidos viciados nele. Tom e Edu, Chico e Vinícius de Moraes, Baden Powell e Milton Nascimento são seus fãs e herdeiros na profissão de compor.

Viva! O mundo não vai acabar!

Apesar do legado de sua exuberante cultura, o povo maia que nos desculpe, mas o mundo não vai acabar em 21 de dezembro de 2012 como prevê o seu calendário - e no qual se baseia o filme "2012"(que também já foi divulgado aqui no blog.), de Roland Emmerich, que chegou aos cinemas esta semana. Os que garantem a sobrevivência do planeta tem as mais altas credenciais científicas da Terra: a Agência Espacial Americana (Nasa) e o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern).



Segundo os maias, em 2012 se fecharia um ciclo de 5.125 anos, chamado Contagem Longa. E seria o fim. "Isso tudo são sandices pseudocientífi cas", diz o astrônomo Ed Krupp, do Observatório Griffith, em Los Angeles.

Microsoft pode pagar para sites de notícias saírem do Google


Microsoft e News Corp podem estar perto de fechar um acordo para que o conteúdo jornalísticos dos sites do conglomerado de mídia comandado por Rupert Murdoch, que inclui os jornais Wall Street Journal e The Sun, além dos canais de televisão Fox News e Sky News, fiquem disponíveis apenas no Bing, o mecanismo de busca que a Microsoft desenvolveu para combater o Google. Murdoch já havia afirmado que gostaria de remover o conteúdo de seus sites do Google - o que poderia ser feito em alguns minutos por técnicos da companhia adicionando arquivos robots.txt aos sites - mas as previsões todas indicavam que suas empresas deveriam sofrer mais com isso do que o buscador.

A alternativa que se apresenta, agora, é manter o conteúdo indexado, mas apenas pelo Bing. Segundo o Financial Times, a Microsoft deve pagar a News Corp por isso, e talvez também a outros produtores de conteúdo online. Steve Ballmer e Cia, ainda de acordo com informações do Financial Times publicadas no domingo (23), já teriam feito proposta semelhante a vários outros publishers. A única nominalmente citada por enquanto, além da News Corp, foi a agência de notícias Associated Press. O diretor-executivo da AP, Tom Curley, acredita que uma "guerra" entre Google e Microsoft pode ser lucrativa para os grupos de mídia.

A ideia da Microsoft é que a exclusividade de conteúdo ajude a aumentar a fatia dos usuários de internet que utilizam o Bing ao invés do Google. (Números da ComScore para outubro: Bing cresceu, de 9,4% para 9,9%; Google cresceu também, de 64,9% para 65,4%). Há dúvidas, entretanto, de que a Microsoft tenha dinheiro suficiente para "alugar" todo esse conteúdo noticioso, e mesmo de que consiga transformar o exclusivo em mais dinheiro. A jornalista Kara swisher, do site All Things Digital (que pertence a News Corp), cita "fontes próximas a situação" que acham pouco provável que a Microsoft pagará quantias imensas por um privilégio que pode nem aumentar as buscas realizadas no Bing.

O problema, para a News Corp, é que o Google é responsável por 25% do tráfego no site do Wall Street Journal. Mas o WSJ também é um site que funciona bem com conteúdo pago. Murdoch gostaria que tudo fosse assim, mas o WSJ é um produto diferente, um site de notícias que conseguiu implementar um sistema de conteúdo pago lucrativo apenas porque as pessoas ainda não querem compartilhar informações financeiras.
Primeira página

A empresa de consultoria alemã TRG (The Reach Group) quantificou a importância de sites de notícias para os resultados do Google. A pesquisa foi feita com o conteúdo de 1000 sites controlador por 148 empresas alemãs que assinaram a Declaração de Hamburgo, um documento internacional que defende a propriedade intelectual dos textos jornalísticos na internet, que já foi assinado também por entidades e empresas brasileiras, como a ANJ (Associação Nacional de Jornais), a Folha de S. PauloO Globo e o Grupo Estado, responsável pela publicação dos jornaisEstado de S. Paulo e Jornal da Tarde.

A pergunta que a TRG queria responder é "quão vazio ficariam os 10 primeiros resultados da pesquisa do Google se não pudesse encontrar mais nada desses 148 publishers alemães?". A resposta: não muito. Apenas 5% dos resultados na primeira página vêm desses sites, embora 4,01% do conteúdo indexado pelo Google seja deles. A Wikipédia, que representa 0,01% do conteúdo indexado pelo buscador, tem uma presença de 13,63% na página inicial.

Dez anos de sucesso!






O projeto ÉPOCA NA EDUCAÇÃO está há dez anos propiciando aos alunos e seus professores uma viagem fantástica pelo mundo da informação. Criado em 2001 com o objetivo de estimular nos jovens leitores a capacidade de pesquisar, analisar, construir conhecimento além de incentivar decisões coerentes com o exercício de uma cidadania plena.
Com as informações disponíveis nas revistas ÉPOCA e GALILEU e com as sugestões de atividades dos fascículos ÉPOCA NA EDUCAÇÃO, que as escolas recebem gratuitamente durante todo ano letivo, alunos e professores constroem projetos multidisciplinares para elaborar jornais, revistas, filmes e até a rádio escolar.
Em 2010 vamos editar novas sugestões que fornecerão a base do trabalho com jornalismo aplicado na escola.

Os fascículos anteriores também ficarão disponibilizados online. Para visualizar seu conteúdo basta clicar nas capas ao lado. Se desejar, imprima as edições página a página.

Todos os meses as edições dos fascículos são atualizadas e podem ser consultadas por alunos e professores e também se constituir num exercício para a sala de informática da escola.

Participe! 



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Mensaleiros podem voltar à direção do PT


O Partido dos Trabalhadores (PT) decide nas urnas internas quem vai dirigir o partido nos próximos dois anos. A votação, realizada neste domingo, traz um tema polêmico para os petistas: a volta ao comando da sigla dos envolvidos no escândalo do mensalão. Após votar, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à sucessão presidencial, afirmou que o retorno de petistas envolvidos no suposto esquema de compra de votos faz parte do processo democrático.
O ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha integram a chapa de Dutra. Os três são réus no processo do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Outros cinco petistas ligados ao escândalo estão na chapa de Dutra.
Após votar, em São Paulo, José Dirceu declarou que, apesar de seu nome estar na chapa, não está no diretório. "Se vou para o diretório ou não é para ser definido em fevereiro", explicou. A previsão é que somente na terça-feira será conhecido o vencedor.

(Com Agência Estado e Agência Brasil)

Divulgada a trilha sonora de 'Lua Nova'



 Lua Nova, que inclui nomes como Death Cab For Cutie, que gravou a recém-lançada Meet me on the equinox,Thom Yorke, vocalista do Radiohead, comHearing damage.
Confira a lista completa:
Meet me on the equinox (Death Cab For Cutie)
Friends (Band os Skulls)  
Hearing damage (Thom Yorke) 
Possibility (Lykee Li) 
A white demon love song (The Killers)  
Satllite Heart (Anya Marina ) 
I belong to you - Remix (Muse) 
Roslyn (Bon Iver & St. Vincent)  
Done all wrong  (Black Rebel Motorcycle Club) 
Monsters (Hurricane Bells)  
The violet hour (
Sea Wolf) 
Shooting the moon (Ok Go) 
Slow life (Grizzly Bear)  
No sound but the wind  (
Editors) 
New moon - The meadow (Alexander Desplat)

O brinquedo dos famosos


No Twitter, gente que luta para preservar a vida pessoal passa o dia 
falando de sua vida pessoal. Às vezes, fala mais do que pretendia


Fotos Lailson Santos
DIA, NOITE E MADRUGADA
Sabrina, 310 000 seguidores: de tanto contar o que está fazendo, namorar escondido ficou difícil

Até artistas muito reservados, como a cantora Sandy, apreciam a chance de manter uma relação mais próxima com os fãs. Ela lembra que, logo que entrou para a rede, em junho, chocou os seguidores (230 000, pelas últimas contas) com uma revelação espantosa: confessou que adorava picanha. Choveram comentários. "Mesmo quando escrevo bobagem, as pessoas acham que é grande coisa. Recebi respostas do tipo ‘nossa, ela come a mesma comida que eu’", admira-se. Igualmente twitteira, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS, menos de 8 000 seguidores até agora) também mantém blog e perfis no Orkut e no Facebook, espaços que aproveita tanto para mostrar seu lado mais pessoal quanto para discutir com a oposição com menos formalidade. "Quem quer informação oficial vai ao meu site. O Twitter é algo comportamental, não é uma central de informações", diz. Para os famosos, uma das maiores utilidades da ferramenta é a possibilidade de negar boatos infundados. Sandy apelou ao Twitter para desmentir que estivesse grávida; Manuela, para esclarecer que não, não estava de casamento marcado. Já Sabrina, nos tempos em que queria manter escondido seu namoro - hoje assumido - com o deputado Fábio Faria (PMN-RN), passou por apertos estratégicos. "A gente ia ao cinema e eu comentava o filme no Twitter. Ele tinha de tomar cuidado para não comentar a mesma coisa", lembra Sabrina, que, viciada confessa, twitta até em reuniões - "Mas meu lugar preferido é sentada no meu banheiro".É madrugada de uma segunda-feira e a apresentadora Sabrina Sato, acordadíssima, conta aos interessados o que está fazendo no momento. "Gente, estou até com vergonha, pareço uma coruja. Não consigo dormir. Já tomei leite quente, rezei e li", lamuria-se Sabrina, que não passa mais de três horas sem fazer contato com seus mais de 300 000 seguidores, como é chamada a multidão cadastrada na sua página no Twitter, a rede virtual em que pessoas repartem sua rotina e suas impressões em mensagens rápidas, de até 140 caracteres. No mesmo dia, depois de avisar na sua página que acabou de amamentar o filho Davi, a cantora Claudia Leitte (310 000 seguidores) fala com VEJA e, ato contínuo, twitta: "Acabei de dar entrevista! O assunto foi Twitter". Também cantora, também baiana, em outubro Ivete Sangalo fez questão de anunciar a seus 470.000 seguidores que estava indo para o hospital ter o filho, Marcelo. "Crianças, agora vou parar de twittar porque acho que chegou a hora de ter meu baby. Obrigada pelo carinho de todos. Um beijo enorme!", digitou. Embora faça sucesso com meio mundo, ou mais, é entre as celebridades que a mania de dar palpite geralmente irrelevante, a qualquer momento, por celular ou computador, alastrou-se com mais vigor. Isto mesmo: quem antes fugia dos flagrantes para preservar a intimidade agora usa o brinquedinho para divulgar, por vontade própria, detalhes da vida pessoal. "É o lugar que os famosos encontraram para chegar mais perto do público, impondo, ao mesmo tempo, a distância que querem estabelecer. O problema é que muitas vezes eles mesmos se esquecem e passam dos limites", alerta a consultora de imagem Renata Mello.
Fotos Anderson Schneider e Lailson Santos
VIVA A INFORMALIDADE 
Manuela (à esquerda, 7 800 seguidores) e Claudia (310 000): o gosto de falar sobre tudo, inclusive, ou principalmente, sobre as coisas mais irrelevantes

Gafes acontecem, claro (veja o quadro abaixo), e, lidas por seguidores que se contam aos milhares, viram um caso sério em questão de minutos. No começo do mês, a atriz Thaila Ayala escreveu que "é ruim sentar na primeira cadeira do avião. Todo mundo fica olhando, como se você fosse paraplégico!". Todo mundo, no caso, comentou. Thaila se desculpou e apagou a frase, mas o registro ficou. "As pessoas ainda estão mais acostumadas com o mundo físico, onde você conta alguma coisa para um amigo e, por mais fofoqueiro que ele seja, vai falar para outras dez pessoas. No mundo virtual, qualquer comentário tem abrangência mundial", diz Wanderson Castilho, especialista em segurança na internet. Ele estima que em média 40% dos seguidores de uma pessoa no Twitter leem a mensagem no instante em que ela é enviada. Ou seja: não adianta apagar - alguém já viu. Primeiro brasileiro a conquistar 1 milhão de seguidores, o apresentador Luciano Huck diz que se preocupa o tempo todo em não contar mais do que deve, mesma atitude de sua mulher, a também twitteira Angélica. "A gente toma muito cuidado para não deixar escapar algo que não queremos dividir", diz Huck. "Famoso ou não, a dica é sempre olhar o número de seguidores antes de começar a escrever qualquer coisa", aconselha a consultora Renata.


Economia e anistia fazem estrangeiro escolher o Brasil


São Paulo - Na contramão das resistências legais e políticas aos imigrantes na Europa e Estados Unidos, o Brasil se tornou um atraente destino de estrangeiros, graças à boa fase da economia e a um amplo programa de anistia aos irregulares. Desde 2 de agosto, quando a lei entrou em vigor, latino-americanos e asiáticos lotam os postos da Polícia Federal (PF) para obter visto de residência. Com isso, os chineses saltaram da 10ª posição no ranking para se tornar a 6ª maior colônia estrangeira do País, seguida pelos bolivianos (33 mil).
Os oriundos da Bolívia, no entanto, ainda lideram o ranking de pedidos de visto à PF, com 10.148 inscritos desde agosto. Eles vêm em busca de emprego e melhor qualidade de vida. Motivados também pelo desejo de viver numa democracia, ocidental, os chineses vêm em segundo lugar, com 4.275 pedidos feitos até agora. A lista prossegue com Peru (3.614) e Paraguai (3.067). Mais de dois terços dos imigrantes têm como destino o Estado de São Paulo.
Até a primeira semana de novembro, foram beneficiados mais de 29 mil ilegais, vindos de 130 nações. Mas a quarta anistia concedida pelo Brasil desde os anos 80 pode chegar a 50 mil beneficiados, superando os 39 mil da anterior, em 1998. O novo visto de residência, que após dois anos se converte em cidadania definitiva, vale para quem entrou no País, mesmo por meio ilegal, até 1º de fevereiro de 2009. "Ao contrário de outros países, humanizamos a questão, tratando o imigrante como vítima, e não criminoso", disse o coordenador do programa e secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.
Estabilidade
Cada vez mais latinos desembarcam no Brasil, deixando para trás a economia oscilante de seus países e as rotas mais tradicionais de imigração. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de desemprego deve chegar a 9,8% em 2010, quase o dobro dos 5% registrados dois anos atrás. Outro destino tradicional, a Espanha vai terminar 2009 com 20,9% da população local sem trabalho. Números que fazem os latinos mudar o foco e ver no país do pré-sal, da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016 a chance de uma vida mais digna.
"Só o que está previsto de investimento no projeto do pré-sal, da Copa do Mundo e da Olimpíada, e consequentemente a geração de empregos, é uma razão forte para convencer mais latinos a virem para o Brasil", avalia a economista Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas. A previsão da Organização das Nações Unidas (ONU) é a de que, em 2010, o Brasil reverta uma tendência histórica e, pela primeira vez desde 1960, tenha aumento no número de imigrantes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fifa finge que pune. Diego finge que se arrepende.


Maradona chega à Suíça para o julgamento deste domingo
Desta vez Maradona não pode reclamar da Fifa. O ex-craque costuma se dizer perseguido pela entidade máxima do futebol. Neste domingo, porém, levou uma punição simbólica no julgamento de seu festival de grosserias depois da classificação contra o Uruguai, em outubro.
Eufórico com a vitória que garantiu a Argentina na Copa, Maradona desandou a xingar os jornalistas e falar palavrões na entrevista coletiva. A conduta antidesportiva foi castigada com dois meses de suspensão e multa de 16.560 euros.
A punição, no entanto, foi pouco mais que uma encenação. Nos dois meses em que Maradona estará impedido de trabalhar no futebol, a seleção não terá atividade alguma - não há jogos, convocações ou treinos. A Fifa fingiu que puniu Maradona. Na prática, ele escapou ileso no episódio.
O tribunal que ouviu Maradona na Suíça disse ter levado em conta o remorso manifestado por Maradona em seu depoimento. Mais uma vez, foi só teatro: o técnico argentino já tinha dito publicamente que não se arrependia de nada, e que só pedia desculpas “às mulheres”.

Apagão causa transtornos e recorde de lentidão em São Paulo

Saiu no Folha Online
Que um apagão que durou aproximadamente uma hora causou transtornos e contribuiu para elevar o índice de congestionamento na cidade de São Paulo nesta terça-feira. Às 9h30, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 155 km de lentidão --o maior índice do ano no período da manhã, pela quarta vez em uma semana.

Com apagão, motorista enfrentou novo recorde de lentidão em São Paulo; marginal Tietê foi uma das vias mais congestionadas
Com apagão, motorista enfrentou novo recorde de lentidão em São Paulo; marginal Tietê foi uma das vias mais congestionadas
Ficaram sem energia elétrica bairros da zona sul de São Paulo e áreas de Embu e de Taboão da Serra, na região metropolitana. A AES Eletropaulo informou que o apagão foi causado por problemas na subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista e durou das 8h45 às 9h37. Aproximadamente 690 mil clientes foram afetados.
Devido ao apagão, semáforos ficaram apagados, o que contribuiu para aumentar o congestionamento. Segundo a assessoria de imprensa do Metrô, um trecho da linha 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi) foi afetada pela falta de luz das 8h53 às 9h.
No aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), o apagão prejudicou o check-in por aproximadamente 15 minutos, de acordo com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Os vôos, no entanto, não foram afetados.
Durante o apagão, o Corpo de Bombeiros recebeu chamados para socorrer pessoas presas em elevadores. Não houve registro de feridos.
Sem luz
A interrupção do fornecimento de energia atingiu 21 bairros da zona sul de São Paulo, além de partes de Embu e Taboão da Serra. Inicialmente, balanço da AES Eletropaulo apontava falta de energia em 24 bairros da zona sul e em parte de Embu.
Mesmo após o restabelecimento da energia, o motorista enfrentou tráfego complicado em São Paulo. Por volta das 14h30, eram 99 km de congestionamento na cidade --12,1% dos 820 km de vias monitoradas.
As causas do problema na subestação ainda não foram confirmadas. A CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) é responsável pela transmissão da energia distribuída pela AES Eletropaulo.
Energia
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), determinou à secretária de Saneamento e Energia do Estado, Dilma Seli Pena, um relatório sobre o apagão.
"Acompanhamos isso [apagão] com preocupação e vamos querer uma explicação muito convincente a esse respeito", afirmou o governador.
O presidente do Stieesp (Sindicato dos Eletricitários de São Paulo), Antonio Carlos dos Reis, Salim, afirma que a cidade está com sobrecarga de consumo de energia.
"Esse transtorno causado à população é reflexo da falta de investimento em recursos para melhoria na transmissão de energia. Em janeiro, os brasileiros foram alertados sobre a possibilidade de um apagão atingir todo o país. Como choveu todos esqueceram do risco, mas é preciso implementar uma racionalização de energia como foi feito em 2001, precisamos ser reeducados", afirma.

Homem que inventou Playmobil faleceu


Homem que inventou Playmobil faleceu

e certeza que já recebeu uma prenda na sua infância dos playmobil, os miticos bonecos com cabelo aos zig-zags e que pode ser montados e desmontados de qualquer plataforma playmobil sem qual quer problema.
O seu criador foi Hans Beck e faleceu aos 79 anos. Hans criou um mito em várias gerações ao qual as vendas continuem. Os playmobils são com certeza uma das invenções mais populares e de mais sucesso alguma da nossa historia.

Nova York

Os casacos pesados de inverno já estão no fundo do armário e agora só se veem muitas sandálias, bermudas e as nossas "amadas" regatinhas!
A crise continua pautando a maioria dos assuntos. O presidente Obama sobreviveu ao primeiro semestre, mas ainda há muita incerteza.
Os Estados Unidos sentiram de perto o efeito da gripe influenza A (H1N1) em sua economia devido à diminuição do fluxo de turismo. Mas Nova York é inabalável!
O médico indiano Deepak Chopra, famoso por ser o guru espiritual de várias celebridades, abriu seu próprio spa holístico. No meio de todo o caos, modernidade e agito, há um templo de paz!
O Chopra Center é uma loja, escola, centro de ioga e tudo mais do mundo zen. Todos os dias ao meio-dia e às 18 horas há uma meditação de 30 minutos. O melhor: free! Só não pode atrasar! Às 12:01, portas fechadas! As massagens não são muito baratas, mas só a visita à loja já acalmará você!
OMMMM!!!
O Chopra Center fica na: 1710 Broadway, New York, NY 10019
Fone: (212) 246-7600

O Estado e o estado de Chávez

O quadro está ficando cada vez mais grave e são
 dois os estados que se deterioram com Hugo Chávez 
- um deles é o Estado venezuelano, o outro é o estado 
de saúde do próprio presidente. Ele anda propondo 
bizarrices demais, excentricidades demais.
Chávez já determinou que, em seu país, 
banho tem de ser tomado em três minutos.
 Agora ele propôs que as pessoas usem lanternas em 
suas casas para ir ao banheiro de madrugada e mesmo para se banhar
. É, não é fácil não.

O prefeito-propina




Por essa o prefeito da cidade paulista de Monte Alegre não esperava. 
Odair Silis (PMDB) foi flagrado em um vídeo cobrando propina na liberação 
de financiamento para a construção de uma creche. Ele deveria repassar
 a verba para Edmar Gomes Ribeiro, construtor responsável pela obra 
orçada em R$ 1 milhão, mais o subsídio do Fundo Nacional de 
Desenvolvimento da Educação. O prefeito cobrou R$ 10 mil para
 liberar o dinheiro, reclamou porque só lhe deram oito e ameaçou:
 "Na próxima vez tem de ser R$ 10 mil.
" Segundo Ribeiro, 
o engenheiro da prefeitura Thiago Rossi também cobrava
 para fazer vistorias na obra e orientou o construtor 
a reduzir a qualidade e a quantidade dos materiais.
 Motivo: sobrar mais verba para a propina.

Campanha pela vida

fotos: Jack Plunkett/ap; nati harnik/ap;








Assim não vale.!

Mãe e filha foram flagradas nos EUA ao furtarem um vale-presente de 
uma garotinha em uma loja da Pensilvânia no dia em ela completava 9 anos. 
Receberam uma pena alternativa: tiveram de exibir nas ruas, 
durante quatro horas, um cartaz com os dizeres:
 "Eu roubei uma menina de 9 anos no seu aniversário!
 Não roube ou isso pode acontecer com você."





Apocalipse em 2012


Com um orçamento próximo a US$ 200 milhões, estreia no Brasil na sexta-feira 6 a superprodução "2012", última investida do diretor alemão Roland Emmerich no gênero filme-catástrofe - sua especialidade, aliás: ele também dirigiu "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã", entre outros. A história é inspirada no calendário maia, que prevê para 2012 uma infinidade de desastres naturais que transformariam para sempre a face da Terra. Vulcões, incêndios, terremotos e maremotos destroem cidades e diversos monumentos no mundo, como o Taj Mahal, na Índia, e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - ele se quebra em mil pedaços numa pequena e irrepreensível amostra da qualidade dos efeitos especiais. No elenco, os atores John Cusack e Danny Glover.

Um espetáculo realmente para todos


Quem mora em São Paulo vai ter esta semana a chance de ver um espetáculo muito legal, que já foi assistido por 30 mil pessoas no Rio, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná: a peça do grupo Os Inclusos e Os Sisos é uma comédia de esquetes que faz o público pensar sobre as diversas formas de discriminação contra pessoas com qualquer tipo de deficiência. E é encenada com acompanhamento de um intérprete da língua dos sinais, legenda eletrônica e até audiodescrição. Ou seja: não deixa ninguém de fora.

Os esquetes são nove e bastante criativos. Num deles, três tomates participam de um festival para eleger o melhor deles. Um dos concorrentes é discriminado por ser verde, não ser o mais bonito, o maior, apesar de ser plantado pelo Seu Zé, sem agrotóxicos…Noutro, mãe e filha viajam na possibilidade das princesas dos contos de fada serem deficientes: como seria uma Cinderela em cadeira de rodas? Num terceiro, o assaltante tem Síndrome de Down, levando o público a pensar sobre superproteção às pessoas com deficiência e perda do espírito crítico diante da situação. Eu nunca tinha visto nada parecido. É pra rir e pra pensar.

O grupo Os Inclusos e Os Sisos - Teatro de Mobilização pela Diversidade é um projeto de arte e transformação social da Escola de Gente – Comunicação em Inclusão. Criado em 2003, o grupo integra a Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social, apoiada pela Fundação Avina. E só vai ter uma apresentação: nesta sexta-feira, dia 6, às 16h, no Estação Ciência – USP (Rua Guaicurus, 1394 - Lapa - São Paulo). É além de tudo é de graça.


Governo não chega a acordo sobre meta para redução de gases

Terminou mais uma vez sem consenso o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros para definir a meta de redução de emissões de gases de efeito estufa. Em reunião nesta terça-feira, a equipe ministerial avaliou que será preciso mais um encontro, dia 14, para discutir a proposta que será apresentada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, no próximo mês. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, adiantou que possivelmente não será definida uma meta de redução de emissões de gases na próxima reunião ministerial para discutir o assunto"Pode ser que no dia 14 a gente não apresente o número diretamente, mas as medidas, até porque o número tem de ter credibilidade", disse. "Nós não estamos aqui para fazer uma proposta que não tenha credibilidade. Todos os números que nós colocarmos serão testados e checados, porque estamos fazendo isso de forma voluntária.", disse.

Em entrevista após o encontro com Lula, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Dilma Rousseff se limitaram a dizer que a proposta já anunciada de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020 diminuirá em pelo menos 20% as emissões de gases, ressalvando que este número poderá ser "um pouco" ampliado, com medidas adotadas em outros biomas. Minc quer uma meta de 40% na redução das emissões. Já outros ministros defendem uma meta menor.

Na reunião anterior do grupo para discutir a posição brasileira que será levada a Copenhague, Minc defendeu o anúncio de uma meta e, depois, deu uma entrevista sozinho para defender a redução de gases num cenário de crescimento de 4%, enquanto Dilma defendia um crescimento de 6%. Hoje, durante a entrevista, os ministros trocaram gentilezas e disseram apenas que a meta de redução de emissões que será apresentada pelo Brasil será "significativa".

Os ministros se esforçaram para mostrar coesão e compromisso com ações na área ambiental. Minc chegou a anunciar o "aço verde". Ele disse que o governo irá propor que as siderúrgicas só utilizem carvão vegetal de áreas reflorestadas, o que garantiria um selo de "aço verde". Nas contas do ministro, metade do carvão vegetal usado hoje nas siderúrgicas vem de mata nativa. "O objetivo é que a siderurgia venha plantar todas as árvores que necessitar", afirmou. "O Brasil pode ter um aço verde."

Além de Dilma, Minc e Amorim, participaram do encontro com Lula os ministros Sérgio Resende (Ciência e Tecnologia), Reinhold Stephanes (Agricultura), Edison Lobão (Minas e Energia) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais).


Brasil deve ficar longe dos Objetivos do Milênio

Embora o Brasil esteja empenhado em mostrar ao planeta que pode realizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio, dois anos depois, é em 2015 que o país - e outras 190 nações - terá de prestar contas ao mundo sobre o seu grau de desenvolvimento e justiça. Expira naquele ano o prazo para o cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os resultados preliminares e as previsões não são animadores -Na média, o Brasil deverá alcançar os objetivos, mas as desigualdades ainda serão gigantes e deverão continuar, não só por regiões mas também dentro dos estados", avalia Luciana Brener, diretora-executiva da ONG Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis).Entre os prenúncios de que o Brasil não atingirá as metas está a queda no ranking Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), anunciada em outubro. "Precisamos ter consciência crítica dos nossos problemas. A expectativa de vida no Brasil é de 72,2 anos, dez a menos do que no Japão e três a menos do que na Argentina. Isso é um sinal de que ainda não atingimos um ritmo de desenvolvimento adequado", afirma Flávio Comim, coordenador do relatório brasileiro do IDH. "A desigualdade impedirá que o Brasil avance."

Discurso oficial - O governo, contudo, contesta as previsões. Para Ana Lúcia Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores Sociais do IBGE, o Brasil estará entre os poucos que alcançarão os ODMs. "Mesmo não existindo uma linha oficial de pobreza, que deixe clara a quantidade exata de pessoas que vivem abaixo dela, já superamos o objetivo de redução da desigualdade entre homens e mulheres", diz.

A afirmação é baseada nos números da Síntese de Indicadores Sociais 2009 (SIS), divulgada pelo IBGE na última sexta-feira. A SIS deste ano mostra que, de cada cem mulheres, 52 estavam ocupadas ou procurando trabalho em 2008. Mas, segundo a pesquisa, elas continuam recebendo cerca de 30% a menos do que os homens para exercer as mesmas funções - vale lembrar, a igualdade entre os sexos é um dos objetivos da ONU.

Outra nuance está relacionada à educação. Mesmo faltando pouco para atingir a meta de acesso ao ensino básico universal, os indicadores apontam para a baixa qualidade do ensino - com a existência de 21% de analfabetos funcionais entre jovens com 15 anos ou mais.


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