Poder, dinheiro, corrupção e...




No dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminha-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Ele aperta a mão de Durval e lhe dá um tapinha nas costas: "Meu presidente!". Arruda acomoda-se gostosamente no sofá, dá um profundo suspiro e pede um chazinho à secretária. Tira do bolso um papelzinho e diz a Durval: "Queria ver quatro coisinhas com você. Só posso pedir para você porque é algo pessoal". Arruda começa pela corrupção miúda, pedindo a Durval que consiga emprego para o filho dele numa das empresas que mantêm contratos com o governo. Depois abusa um pouquinho mais e recomenda que o delegado "ajude" a empresa de um amigo. Finalmente pergunta sobre o financiamento para a campanha. "Estou medroso com esse troço", diz Arruda. Durval tenta tranquilizá-lo: "A gente só não pode internalizar o dinheiro". Ato contínuo, Durval abre o armário, pega um pacote com 50 000 reais e o entrega a Arruda. "Ah, ótimo", agradece o candidato. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país.
Talvez encantado com o espírito do Natal que se aproxima, Arruda veio a público na semana passada para dizer que, sim, ele recebeu o pacotão de dinheiro que aparece no vídeo - mas que, por nobreza de coração, usou os recursos na compra de panetones para os pobres que habitam a periferia de Brasília. Nem Papai Noel acreditou. A burlesca cena protagonizada por Arruda está num dos trinta vídeos entregues por Durval aos promotores do Ministério Público do Distrito Federal, aos quais teve acesso na íntegra (assista a uma seleção dos vídeos exclusivos).Ele também forneceu documentos e prestou um minucioso depoimento, expondo as vísceras do esquema de corrupção chefiado por Arruda e pelo empresário Paulo Octávio, vice-governador de Brasília. Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais - uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF. Ou seja, uma versão brasiliense e democrata do mensalão petista.
A colaboração de Durval, que espera com isso receber um perdão judicial, resultou na Operação Caixa de Pandora, deflagrada há uma semana pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, na qual se apreenderam, nos escritórios da quadrilha, documentos e cerca de 700 000 reais em dinheiro vivo. Os promotores calculam que a quadrilha do panetone tenha desviado dos cofres públicos a formidável soma de 500 milhões de reais - de modo que os pobres de Brasília, graças quem sabe às orações da propina divulgadas por Durval, devem desfrutar um gordo Natal neste ano. Inexiste quantia, contudo, que supere a força simbólica de uma imagem como a do governador Arruda recebendo um bem fornido maço de notas de 100 reais. Não é à toa que as produções de Durval se tornaram hits instantâneos na internet e correram as televisões do mundo: nunca se registrou com tamanha precisão, muito menos de maneira tão límpida e pedagógica, a ilimitada capacidade dos políticos de ignorar os mínimos princípios de dignidade pública. O sentimento de repulsa é inevitável.
Dida Sampaio/AE
IRMANDADE
O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (à dir.), em reunião com o deputado ACM Neto (à esq.): relação fraternal com Arruda dificulta expulsão do governador

Essa indignação apareceu graças ao talento dramatúrgico do obstinado Durval. Durante anos, ele gravou com esmero as estripulias cometidas pelos maganos dessa máfia. Além da participação especialíssima de Arruda, o Generoso, aparecem nos filmes deputados, empresários, jornalistas, lobistas, burocratas, assessores. São filmes ricos em elenco - e, sobretudo, em conteúdo. Todos foram rodados nos escritórios do diretor Durval. O enredo é sempre o mesmo. Os personagens procuram o delegado em busca de dinheiro e favores. O final é igualmente previsível. Como se descobriu nos últimos dias, os coadjuvantes sempre dão um jeitinho de sair de lá com dinheiro - seja nas meias, na cueca, na bolsa, no paletó. Antes de embolsarem o cachê, esses bufões da corrupção combinam negociatas e trocam confidências sobre os esquemas de cada um. Enquanto eles riem, só resta à plateia chorar: toda essa deprimente patuscada é paga com nosso dinheiro.
As gravações demonstram que Durval era o gerente da quadrilha, intermediando negociatas entre a cúpula do governo e as empresas que sobrevivem de contratos públicos. Num dos vídeos inéditos, gravado no dia 14 de outubro deste ano, Geraldo Maciel, assessor de Arruda, encaminha a Durval as determinações do governador. Maciel conta que Arruda ordenou a contratação da Brasif, empresa ligada ao DEM. "Esse pessoal vai assumir os compromissos com você", explica o assessor de Arruda. "Compromissos", na linguagem da quadrilha, significa propina. "Ele (Arruda) é quem decide", responde o delegado. Em seguida, os dois acertam como será direcionada a licitação para contratar a Brasif - e como será o rateio. "O que ficaria livre para ele?", pergunta Maciel, numa referência a Arruda. "Um e duzentos", esclarece Durval. Um milhão, claro.
Pobre Durval. Numa das conversas, Maciel, o assessor de Arruda, desabafou: "Não aguento mais o Leonardo Prudente no meu pé. Ele quer entrar em todas". Prudente é aquele deputado que guardou os maços de dinheiro na meia - e que aparece em outro vídeo, mas neste estocando dinheiro num envelope, pelo menos. Deve ter sido a única vez na qual Prudente foi... prudente. Na operação de busca e apreensão, quando os policiais estiveram em sua casa, o deputado tentou esconder sua fortuna de todas as formas. Prometeu até colaborar - mas os agentes flagraram o caseiro dele correndo na rua com uma sacola abarrotada de dinheiro. "Tudo bem, vou mostrar", anuiu Prudente, revelando aos policiais o esconderijo dos 80 000 reais que guardava em casa - a banheira de hidromassagem.
Os quadrilheiros seguiam um rígido código de conduta - quem se desviasse dele, como o voraz deputado das meias, transformava-se num pária. Nos vídeos, Durval deixava claro quais eram as regras do jogo: "Não pode levar para casa. Isso é uma distorção. Não é democrático. Tem que ajudar os outros". Para a turma do panetone, a comunhão da propina era uma obrigação moral. O publicitário Abdon Bucar, que fez a campanha de Arruda, presta serviços para o DEM e detinha contratos com o governo de Brasília, reclama de 1 milhão de reais que caíram na conta dele - caíram para ser lavados e sair de lá limpinhos. "Meu contador disse que vou ter de arranjar outra nota, que a última deu problema", explica o publicitário. Ele reclama do atraso na parte que lhe é devida. E avisa: "Vou arrochar os caras". Logo depois, cobra "os 750 000 do PFL". Durval, como sempre, ouve a reclamação com paciência e promete resolver. Depois de anos gravando e operando a corrupção, e ameaçado por 32 processos na Justiça, Durval negociou a delação premiada com o Ministério Público, por meio do jornalista Edson Sombra, um amigo dele que afirma guardar mais de uma centena de fitas envolvendo dezenas de autoridades em Brasília.
Paulo de Araújo/CB/D.A Press
DURVAL VÍDEOS
O homem que destruiu a cúpula do governo do DF tem 120 fitas com cenas de corrupção

A implosão do esquema de corrupção montado no governo do DF provocou um abalo sísmico no DEM. Diante das cenas chocantes, os democratas concluíram que a única saída para minimizar o prejuízo eleitoral do partido com o escândalo seria a expulsão imediata do governador. A estratégia, porém, precisou ser alterada após uma reunião na qual Arruda ameaçou revelar segredos que aparentemente não podem ser expostos à luz do sol. "Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo com vocês", avisou o governador. Nem todo mundo entendeu. Não parece ter sido o caso do presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia, amigo de Arruda e padrinho de algumas nomeações em seu governo. Além da suspeita de que Arruda possa ter colocado sua máquina de desvios a serviço do partido, um detalhe ainda desconhecido liga a cúpula do DEM ao epicentro do tremor. Maia é íntimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, arrecadador informal da campanha de Arruda e acusado por Durval de operar a engrenagem de achaques que funcionava no governo do amigo.
A intimidade de Paulo Roxo com o presidente do partido era tal que no sábado dia 28, assim que foi divulgado o primeiro vídeo da corrupção, o publicitário correu à casa em que Maia vive em Brasília, não por coincidência alugada por outro amigo do presidente do DEM, André Felipe de Oliveira, ex-secretário de Esportes no governo Arruda. Roxo estava preocupado com a reação de Arruda caso o DEM decidisse emparedá-lo. "Você precisa segurar o partido. O desgaste pode ser muito maior se Arruda fizer uma besteira", alertou. Essa proximidade alimenta a suspeita de que a arca clandestina de Brasília pode ter contaminado o caixa nacional do partido. Na semana passada, sob a condição de anonimato, um dirigente do DEM revelou a VEJA que pelo menos oito comitês de candidatos apoiados pelo partido nas últimas eleições municipais receberam dinheiro captado por operadores de Arruda. O deputado José Mendonça, do DEM de Pernambuco, era um dos mais aflitos. Ele pediu insistentemente a deputados e senadores do DEM que poupem Arruda da expulsão.

PROPINA NA SACOLINHA

Em 2006, o deputado José Roberto Arruda, então candidato ao governo de Brasília, aparece no vídeo refestelado no sofá do gabinete de Durval Barbosa, um de seus caixas de campanha, recebendo dinheiro vivo. Apanha os maços sem nenhum constrangimento. Mostra alguma preocupação apenas em sair com as notas.
"Tô nervoso com esse troço (…). Eu tô achando que podia passar lá em casa, porque descer com isso aqui..."
Ganha uma sacolinha de papel para esconder o dinheiro - segundo ele, usado para comprar panetones para os pobres.

PROPINA NA MEIA

Uma das cenas mais acachapantes já vistas na vasta cinebiografia da corrupção foi a do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, colocando dinheiro nos bolsos do paletó, nas calças e, sem ter mais onde enfiá-lo, apelando até para as meias. Diante de imagens irrefutáveis, o parlamentar do DEM explicou que não havia nada de mais na cena. O dinheiro era para ser usado em sua campanha e foi acondicionado nas roupas daquela maneira grotesca apenas por questão de segurança. Na sua casa, a polícia encontrou 80 000 reais escondidos numa banheira.
- É que eu não uso pasta! - justificou.

PROPINA NA CUECA

Dono de um jornal que faz loas seguidas ao governo, o empresário Alcyr Collaço foi filmado guardando maços de notas nas partes íntimas. Para que tudo coubesse sem desconforto, ele tira até o celular do bolso da frente da calça. Em uma conversa com o ex-secretário Durval Barbosa, o empresário mostra que é bem informado sobre a distribuição da propina:
Durval: O Arruda, ele dá 1 milhão por mês ao Filipelli...
Alcyr: Oitocentos paus. 500 é Filipelli (...) Vai 100 para o Michel, 100 para o Eduardo e 100 para o Henrique Alves, e 100 ia para o Fernando Diniz. Morreu. 800 paus.

PROPINA NA BOLSA

A deputada Eurides Brito mostra que no inseparável acessório feminino cabe sempre mais alguma coisa. Na fila do mensalão, em segundos, a parlamentar entra na sala, tranca a porta, nem se senta e coloca cinco maços de dinheiro na bolsa de couro. Parecia apressada. Em conversa com o ex-secretário, Eurides ainda fala mal do patrão Arruda. Logo depois, com a bolsa estufada, a distrital deixa a sala com a mesma rapidez com que entrou.

PROPINA NO BOLSO

O deputado Junior Brunelli é corregedor da Câmara Legislativa. Caberia a ele fiscalizar a atividade de seus colegas. Em perfeita sintonia com seus pares, ele também aparece sorrateiramente no gabinete de Durval Barbosa, senta-se à sua frente, troca algumas palavras, enquanto recebe um maço de notas. Nem confere - e sequer faz qualquer comentário sobre o dinheiro antes de enfiá-lo no bolso.

PROPINA NA MESA

Representantes de uma empresa que tem contrato com o governo de Brasília entregam a Durval Barbosa uma "encomenda": uma mala preta com 298 000 reais. O dinheiro, segundo eles, era para ser dividido entre os secretários. Eles retiram pacotes de cédulas e os vão empilhando em cima da mesa.
Empresário: Vim trazer aqui uma encomenda.
Durval: Tá certo. (...) Aqui tem quanto?
Empresário: Cem... duzentos... duzentos e cinquenta, duzentos e noventa... e oito.

A ORAÇÃO DA PROPINA

Depois de uma reunião no gabinete de Barbosa, onde embolsavam propina, Leonardo Prudente e Brunelli convocam uma oração para agraceder a "bênção" recebida. Abraçados, os três ouvem a homilia proferida por Brunelli:
"Pai eterno, eu te agradeci por estarmos aqui. Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas que o teu sangue nos purifique (...) Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas (...)".
Brunelli é filho do fundador de uma igreja evangélica que vendia lotes no céu.

Dilma nega 'excesso' de viagens com Lula ao exterior


Estrela das mais recentes viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao exterior, como os encontros realizados com empresários em Londres e Hamburgo, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff não acha que seja uma viajante mais assídua em função da pré-campanha eleitoral para a presidência em 2010. "Eu estive em quase todas as principais reuniões internacionais que dissessem respeito às oportunidades de investimento no Brasil. Onde eu não estive? Não estive nos Gs. Se bem que estive no de São Petersburgo", argumentou a favorita do presidente para a sucessão presidencial.

Dilma ressaltou que tem amplo conhecimento dos assuntos internacionais, embora suas funções na Casa Civil sejam mais próximas dos temas internos. "Eu coordeno os programas de governo, principalmente os programas internos de governo. Agora, nessas viagens eu sou uma testemunha ocular especial", respondeu ao Estado.

"Eu assisti nos últimos dias a conversa do presidente com o (primeiro-ministro britânico) Gordon Brown, a conversa com o presidente (da França, Nicolas) Sarkozy, assisti várias conversas com o (presidente da China,) Hu Jintao, assisti as duas primeiras com o (presidente dos EUA, Barack) Obama, quase todas as do (ex-presidente dos EUA, George) Bush. Então, de uma certa forma, a política externa brasileira é do meu conhecimento. Não tenho nenhum problema para lidar com ela, não."
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Justiça cassa mandato de prefeito e vice de Belém


O juiz Sérgio Andrade Lima, da 98ª Zona Eleitoral de Belém, determinou hoje a cassação dos mandatos do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB), e de seu vice, Anivaldo Vale (PR). Ambos tiveram os registros de candidatura indeferidos sob a acusação de abuso de poder econômico e propaganda eleitoral antecipada durante o pleito de 2008, quando foram reeleitos ao cargo.

Cabe recurso em segunda instância à decisão, que será publicada na segunda-feira (7), no "Diário Oficial de Justiça do Pará". Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do prefeito informou que recorrerá da decisão em breve.

A ação que levou à cassação dos mandatos de Costa e Vale foi impetrada pela coligação do segundo colocado no pleito de 2008, o ex-deputado federal José Priante (PMDB). No documento entregue à Justiça, o prefeito é acusado de cometer infrações durante o processo eleitoral, entre elas fixar placas com propaganda institucional em período pré-eleitoral e utilizar a máquina pública para fazer promoção pessoal, com vistas às eleições de 2008.

"Foi feita propaganda em placas, banners, uniformes e ônibus municipais", diz a ação. A coligação acusa ainda Costa de implementar, em ano eleitoral, programa de caráter assistencial, o chamado "Passe Livre", que garantiu transporte público gratuito no município.
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A pandemia de gripe H1N1 está retrocedendo na América do Norte (OMS)


A pandemia de gripe H1N1 está retrocedendo na América do Norte, a região mais afetada do planeta com 5.878 mortos desde a aparição do vírus em março, informouo nesta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) em seu mais recente balanço.
"A atividade da gripe alcançou seu limite e está retrocedendo na América do Norte", ou seja, Estados Unidos, México e Canadá, explicou a OMS.
dro/cn

Orkut quer ser mais Facebook e Twitter


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A Google já prepara uma nova mudança ao Orkut. Quase um mês após o anúncio oficial de suamudança visual, a rede social de maior popularidade no Brasil ganhará uma nova funcionalidadeque permitirá distribuir conteúdos - no caso, informação - na ferramenta de relacionamento.
Ainda sob fase experimental, conhecida como Beta, o Orkut disponibiliza detalhes técnicos de como é possível inserir um botão de compartilhamento em sites ou blogs, artifício que permite uma maior distribuição de conteúdo e que uma informação se desloque até um perfil pessoal do Orkut, visível posteriormente a todos os amigos da rede social.
Trata-se do modelo de tornar-se menos centralizado e mais flexível, características evidentes que fazem de Facebook e Twitter duas das plataformas sociais participativas mais populares do momento.

Via Uno conquista mais um espaço em Paris


Fachada da loja na Rue Rennes.
Fachada da loja na Rue Rennes.
A abertura de mais esse espaço reflete o ótimo momento do Grupo Via Uno, que desde a implantação do sistema de franquias em 2005, já compreende 256 lojas espalhadas pelo mundo, presente nos mais importantes endereços da moda no planeta.
Entre os convidados, destaque para: Delphine Chanéac, atriz e DJ da noite e as atrizes Linda Hardy; Frédérique Bel; Aurelie Vaneck; Virginie de Clausade; Lola Naymark e Marion Dumas.
Serviço:
Coquetel de inauguração Via Uno Paris
Data: 03/12
Endereço: 151 Rue de Rennes - 75006 - Paris
Horário: 19hs.

O inventor do pen drive.!


CLAUDIO GATTI/AG.ISTOÉ
DOV Moran e o modu phone: "Esse equipamento será mais importante do que o pen drive"

Em 1998, o israelense Dov Moran foi convidado a fazer uma apresentação a um grupo de investidores em Nova York. Ao subir ao palco sob os aplausos da plateia, o fundador da empresa de chips de memória para celular MSystems, prontamente colocou seu notebook em cima da mesa. Mas, para sua surpresa, o equipamento não ligou.
Constrangido com os olhares impacientes dos espectadores, sentiu as batidas cada vez mais fortes do coração, enquanto tentava desesperadamente fazer o computador funcionar. A apresentação não tinha cópia e estava presa naquela máquina. Estava quase sem esperanças quando viu a luz do botão "start" finalmente acender.
"Naquele momento, jurei para mim que nunca mais enfrentaria uma situação semelhante", lembra Moran. Um ano depois, apresentou ao mercado uma invenção que revolucionaria o conceito de mobilidade. Tratava-se de um equipamento do tamanho de um canivete suíço, capaz de armazenar dados. Hoje, o produto é popularmente conhecido como pen drive. Uma década depois, Moran volta a estaca zero.
Após vender sua empresa e a patente da invenção à Sandisk, por US$ 1,6 bilhão, em 2006, o israelense passou a se dedicar a uma nova invenção, o Modu Phone. O aparelho muda o visual e a funcionalidade de acordo com as necessidades. Ele pode se transformar em um tocador de música, como um iPod, ou em um porta-retrato digital.
O Brasil foi um dos destinos escolhidos para começar sua nova jornada. Será esta mais uma tendência tecnológica com o mesmo apelo do pen drive? Até hoje é difícil de entender por que alguém abriria mão de uma invenção como a do pen drive. A MSystems foi uma das principais estrelas de Israel em Wall Street. Em 2006, atingiu um faturamento de US$ 1 bilhão. "Eu não tinha intenção de vender, mas percebi que era a única saída para salvar o negócio", conta Moran, com voz embargada, sem revelar o motivo. Registros da época apontam uma sequência de erros financeiros como a responsável pela decisão.
Após a descoberta de mais rombos nas contas da companhia, as ações despencaram e Moran teria sido pressionado pelos acionistas a aceitar a oferta da Sandisk. Com a bolada que recebeu, poderia ter se aposentado aos 51 anos para se dedicar a uma vida tranquila na pacata cidade de Kfar Sava, onde vive. Em vez disso, decidiu apostar em uma nova ideia, o Modu Phone. "Parar não faz parte da minha crença", diz.
Moran pegou suas coisas e se instalou num escritório a 200 metros da antiga MSystems. Lá, formou uma equipe de desenvolvedores e conseguiu um aporte de US$ 100 milhões para lançar no mercado um telefone minúsculo, de 40 gramas. Segundo o "Guinness Book", trata-se do celular mais leve do mundo. Desde então, Moran tem percorrido diversos países para emplacar o que, segundo ele, é a maior invenção do século - "mais importante até do que o pen drive", diz.
Ele se refere, é claro, ao Modu Phone. O aparelho é semelhante a um celular comum, mas seu diferencial está na capacidade de customização. "O mercado estava à espera de um equipamento que pudesse mudar de personalidade", disse Michael Gartenberg, da Strategy and Analysis. O interesse especial pelo Brasil tem dois motivos.
Primeiro pelo potencial do mercado. E, segundo, porque o Modu ainda não é 3G. "Muitos países não aceitam mais outra tecnologia. O Brasil sim", explica Moran. O celular chega ao mercado na próxima semana pela Claro, com preço a partir de R$ 299. Agora é esperar para ver se a sua intuição vai funcionar mais uma vez.

Morre Lombardi, o locutor de Silvio Santos


(Foto: Divulgação)
O locutor do SBT, Luiz Lombardi Netto, de 69 anos, dono da misteriosa voz que acompanhou o apresentador Silvio Santos por mais de 40 anos, morreu na manhã de hoje em sua casa em Santo André, no ABC paulista.
Ainda não há informações sobre a causa da morte. Seu irmão, Reinaldo, informou que ele foi encontrado morto pela mulher, Eni, que foi acordá-lo para ir trabalhar. Também segundo ele, Lombardi não tinha problemas de saúde.
Lombardi começou sua carreira na década de 60, quando sonhava em ser locutor de futebol, mas acabou indo para a televisão após conhecer Silvio Santos, de quem nunca mais se separou profissionalmente. Seu rosto sempre foi mantido em sigilo, a pedido do apresentador.

As empresas campeãs de reclamações


Quais são as empresas que menos atendem as reclamações dos consumidores e clientes? A Secretaria de Direito Econômico (SDE) lança ainda hoje um Cadastro Nacional de Reclamações Fundamentadas que dá essa resposta.
Esse nome pomposo significa o seguinte: a SDE consolidou as reclamações que viraram processos administrativos nos Procons de todo o Brasil. O cadastro contém 104 000 reclamações contra cerca de 10 000 empresas. Desse total, 70% das demandas dos clientes foram atendidas durante esses processos.
Pela ordem, eis a lista do dez primeiros colocados, em termos proporcionais, neste nada honroso ranking das empresas que menos atendem às reclamações:
1) Bemq-Siemens: 78% de reclamações não atendidas
2)Banco Panamericano: 60%
3)Gradiente: 57%
4)Santander/Real: 53%
5)Claro: 48%
6)Oi: 47%
7)Banco BMG: 41%
8)TIM: 41%
9)Bradesco: 40%
10)Banco do Brasil: 37%
E agora segue a relação das dez empresas que mais reclamações receberam, em números absolutos:
1)Oi
2)Itaú Unibanco
3)Nokia
4)Sony Ericson
5)TIM
6)LG
7)Claro
8)Samsumg
9)Vivo
10)Lojas Americanas

Qual é o sexo do seu cérebro?


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PESQUISA 
O cérebro do homem pode ser feminino
As diferenças no corpo de homens e mulheres estão além da aparência e dos órgãos sexuais. A ciência detectou que até o cérebro apresenta características femininas ou masculinas. Essa diferença neurológica gera diferenças de comportamentos, sentimentos e modos de pensar entre homens e mulheres.
Você consegue saber se seu amigo está triste ou irritado só de olhar para ele? Essa é uma característica de um cérebro feminino. Mas um homem também pode ter essa sensibilidade e outros comportamentos geralmente ligados a um cérebro feminino. Isso porque a sexualidade cerebral não está ligada diretamente ao sexo do corpo. “O sexo do cérebro é determinado pela quantidade de testosterona [hormônio masculino] a que o feto fica exposto no útero. Em geral, homens recebem doses maiores do que as mulheres. Mas isso varia e nós ainda não sabemos exatamente por quê”, diz a ÉPOCA a neuropsicologista Anne Moir, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.
A diferença entre o cérebro dos dois gêneros tem raízes evolutivas. Segundo Moir, durante o desenvolvimento dos seres humanos, como o homem era o caçador, desenvolveu um cérebro com habilidades manuais, visuais e coordenação para construir ferramentas. Por isso, um cérebro masculino tem mais habilidades funcionais. Já as mulheres preparavam os alimentos e cuidavam dos mais novos. Elas tinham que entender os bebês, ler sua linguagem corporal e ajudá-los a sobreviver. Elas também tinham que se relacionar com as outras mulheres do grupo e dependiam disso para sobreviver na comunidade e, por isso, desenvolveram um cérebro mais social. Os homens, por sua vez, lidavam com um grupo de caçadores, não precisavam tanto um do outro e se comunicavam menos, apenas com sinais.
Moir acredita que a diferença de sexo entre cérebro e corpo pode estar ligada às causas do homossexualismo. “Se a concentração de testosterona no útero está mais baixa do que o padrão para os homens, então o 'centro sexual' do cérebro será feminino e esse homem sentirá atração por outros homens. Se a concentração desse hormônio estiver alta, o 'centro sexual' será masculino e ele sentirá atração por mulheres”, diz Moir.
Faça o teste
 Reprodução
Moir está desenvolvendo uma linha de pesquisa para entender melhor as diferenças neurológicas entre homens e mulheres e, para isso, desenvolveu um teste que mostra numa escala de 1 a 20 qual é o sexo do cérebro. O número 1 representa o cérebro mais masculino possível e o 20, o mais feminino. Quem se aproxima do 10 tem um cérebro misto. Segundo Moir, esse último caso é muito comum em suas pesquisas.
Além do teste, outro fator que pode mostrar o sexo do cérebro de uma pessoa, segundo os estudos de Moir, é a medida dos dedos das mãos. Segundo os estudos da inglesa, geralmente, quem tem cérebro masculino tem o dedo indicador menor que o anelar (olhando para a mão de frente para a palma). Já cérebros femininos são associados a dedos indicadores do mesmo comprimento que os anelares. Mas isso não é uma regra sem exceção, como praticamente tudo na biologia. A pesquisadora diz que, às vezes, uma mesma pessoa tem uma mão nos padrões do cérebro masculino e outra do feminino e isso exige mais estudos para entender a organização do cérebro.


Mulheres que amam criminosos sexuais

O jornalista e roteirista Gilmar Rodrigues pulou da cadeira quando soube que o Maníaco do parque, apelido dado a Francisco de Assis Pereira, acusado de 10 mortes e 11 ataques sexuais, era um dos campeões de recebimento de cartas amorosas no presídio em que cumpre os primeiros dos 274 anos de prisão aos quais foi condenado. Como um assassino de mulheres e estrupador conseguiu atrair a atenção e o amor de outras mulheres? Rodrigues pensava ser impossível, mas descobriu que não é. No primeiro mês, Pereira recebeu mais de mil cartas, muitas de mulheres apaixonadas, dizendo que a realidade era diferente e tantas outras argumentações a favor do criminoso. "Essas mulheres correm o risco de se tornarem vítimas desses criminosos", diz o jornalista. 

Assustado, Rodrigues resolveu escrever um livro sobre essas mulheres "loucas de amor". Loucas de Amor - mulheres que amam serial-killers e criminosos sexuais, da editora Ideias a Granel e lançado na terça em São Paulo, conta vários casos como o de Pereira, de várias mulheres iludidas e até transcrições de cartas. Segundo o autor, "entre mulheres que se relacionam com criminosos sexuais dos mais diversos tipos, há muitas pobres e nem um pouco atraentes. Mas existem universitárias, mulheres de classe média, mulheres bonitas e, com exceção de uma, sem problemas mentais aparentes". Depois de estudar a fundo a personalidade delas, o jornalista afirma que não se pode desclassificá-las, tratando-as como loucas ou degeneradas sexuais. 

Na maioria da vezes, são mulheres que nunca tiveram bons relacionamentos afetivos, sofreram abandono na infância ou abuso sexual, nem sempre foram tratadas com amor e carinho pelos pais. Elas têm baixa autoestima, algumas com visão romântica e infantilizada do amor. Outras veem isso como desafio à sociedade ou, como nunca tiveram atenção, ligam-se com homens que também não tiveram. "É uma simbiose de marginalizados. Ela vê o criminoso sexual como um igual", afirma o escritor. 

A pesquisa durou quatro anos. Nesse tempo, Rodrigues entrevistou cerca de 80 pessoas, entre presos, visitantes dos detentos, mulheres que se correspondiam com homens condenados por crime sexual, advogados, agentes penitenciários, promotores, jornalistas, juízes, delegados e psiquiatras. De acordo com ele, "na penitenciária de Itaí, no interior paulista, onde estão confinados apenas homens condenados por crime sexual, há mulheres, até casadas, que escrevem para os presos, ansiosas por um relacionamento amoroso", diz. 


Arquivo
Alguém se lembra do Bandido da Luz Vermelha (ou João Acácio Pereira da Costa)? Conceição Costa escreve cartas para ele até hoje e mantém seu túmulo limpo, arrumando-o toda semana. "Uma vez por ano, no feriado de finados, coloca flores, frutas e deixa uma carta e mensagens bíblicas escritas em bilhetinhos no jazigo dele", escreve o autor. Ela nutre uma paixão platônica desde que o criminoso era jovem e morava em Joinville, em Santa Catarina. Eles jamais se envolveram. Esse é o lado fantasioso e lírico. Há aquelas que se casam com os presos. Por lei, homens que cometeram crimes sexuais têm de passar por um exame psiquiátrico para receberem visitas intimas na cadeia. Mesmo assim, sem concretizarem fisicamente o relacionamento, há mulheres que se casam com eles. Aconteceu com o Maníaco do Parque. Marisa Mendes Levy, pós-graduada em História, de família judaica e classe média alta, o viu pela primeira vez na televisão, concedendo entrevista. Ela se interessou e mandou uma camiseta com alguns dizeres. "Depois que ela havia desistido, o viu novamente na TV vestindo a camiseta. Ela escrevia de dois em dois dias para ele, cartas enormes", afirma Rodrigues. 

Continuam casados até hoje? Não. Ela começou a perceber comportamentos violentos, atitudes estranhas e mudanças bruscas no comportamento dele. Muitas dessas mulheres que se casam separam depois. Em algum lugar de suas mentes fantasiosas e românticas existe algo que as diz para não seguirem em frente, que as alerta sobre o caminho perigoso que pretendem trilhar. Rodrigues escreve: "Durante todo o trabalho, busquei uma razão capaz de explicar o fenômeno, explicar essa atração feminina. Em vez de encontrar duas ou três respostas diretas, elas se multiplicaram em cada caso, cada vida. Em mim sobrou uma profunda tristeza. Um retrato perturbador da solidão e da miséria humana". 

Making of
As histórias as quais Gilmar Rodrigues teve acesso durante sua pesquisa o abalaram demais. O lado pessoal do trabalho foi publicado em quatro histórias em quadrinhos desenhados por Fido Nesti. É uma espécie de making of do livro. "Achei que tinha coisas interessantes que apareceram na pesquisa e não caberiam no livro porque o assunto é muito forte para colocar na primeira pessoa", diz. No livro, ele dá sua opinião sobre os fatos, mas não coloca sua experiência pessoal. "Os quadrinhos dão uma certa leveza, respirada, para esse assunto pesado", afirma.


Designer veste Barbie com burca


Reprodução
BARBIES MUÇULMANAS
Eliane Lorena vestiu as bonecas com o hijab, a burca e o xador
Uma boneca Barbie vestida com uma burca, traje radical que cobre todo o corpo e é usado por algumas mulheres muçulmanas, é a estrela principal de um leilão beneficente que será realizado nesta sexta-feira (20) na Sala do Cinquecento, instalação mais nobre do famoso Palazzo Vecchio, em Florença, na Itália. 

A polêmica vestimenta é parte de uma coleção elaborada pela artista italiana Eliana Lorena, que desenhou roupas para 500 Barbies negras. As bonecas representam diversas culturas, estilo e hábitos das mulheres de todo o mundo. Além da Barbie de burca, uma vestimenta usada principalmente no Afeganistão, há outras versões de trajes muçulmanos – como o xador, que cobre o corpo, mas deixa o rosto de fora (veste básica da mulher iraniana) e o hijab, que esconde apenas os cabelos e é usado pela maioria das muçulmanas que vivem em países ocidentais.

Além das 500 Barbies negras, serão leiloados objetos feitos especialmente para comemorar os 50 anos da boneca por empresas e designers como Ferrari, Kartell, Cesare Paciotti e Assouline.A designer disse que a exposição das bonecas é uma “provocação, especialmente para as mulheres ocidentais que se dizem livres, mas que não são, e que na verdade vendem seu corpo e sua imagem”. Além das vestes muçulmanas, há bonecas com roupas típicas africanas e asiáticas em meio a diversas versões de roupas tipicamente ocidentais.

A renda do leilão, apoiado pela Mattel, fabricante da boneca, e organizado em parceria com a famosa casa britânica Sotheby's, será revertida para projetos sociais da ONG save the children.

Abriram a Caixa de Pandora

No último dia 21 de outubro, o secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, um ex-delegado da Polícia Civil, foi recebido pelo governador José Roberto Arruda na biblioteca da residência oficial. Durval chegou com uma mala que continha R$ 400 mil em dinheiro vivo. Durval estava equipado pela Polícia Federal com um aparelho de gravação para documentar a entrega do dinheiro. Assessores de Arruda confirmam o encontro, a oferta de Durval – e afirmam que o governador recusou o dinheiro. Na gravação, em poder do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), há registro de que Arruda teria dito a Durval para entregar o dinheiro a José Geraldo Maciel, chefe da Casa Civil do Distrito Federal. A PF afirma que Maciel usaria os R$ 400 mil, mais R$ 200 mil, para fazer pagamentos a políticos aliados de Arruda.
Com base nessa gravação – há dezenas de outras feitas por Durval com deputados, secretários de governo e empresários –, o STJ autorizou a PF a cumprir cerca de 16 mandados de busca e apreensão em gabinetes da presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal, de deputados distritais e de um conselheiro do Tribunal de Contas. Os agentes foram também à residência oficial de Arruda, no bairro de Águas Claras, onde recolheram papéis e arquivos do computador do secretário de Governo, Fábio Simão.
Em 2006, Durval foi caixa da campanha em que Arruda se elegeu governador de Brasília. Pessoas próximas a Durval afirmam que ele resolveu colaborar com a PF por receio de ser preso, pois os federais teriam provas consistentes contra ele. Na condição de réu colaborador, Durval espera receber uma punição mais branda. Auxiliares de Arruda dizem que ele estava sendo chantageado por Durval. Sua nomeação para a Secretaria de Relações Institucionais teria sido feita a contragosto pelo governador. O cargo assegurava a Durval foro especial no julgamento pelas acusações reunidas pela PF.
Sérgio Lima e Dida Sampaio
NOVAS SUSPEITAS
Policiais levam material apreendido no gabinete do presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal (à dir.) e na casa oficial do governador José Roberto Arruda. Seus auxiliares afirmam que ele foi vítima de chantagem
Essas acusações sustentam processos contra Durval por recebimento de propina e por arrecadação ilegal de recursos na campanha do ex-governador Joaquim Roriz, em 2002. (O envolvimento de Durval e o caixa dois da campanha de Roriz foram revelados por ÉPOCA.) Envolvidas no escândalo de 2002, as empresas de informática Linknet Tecnologia e Telecomunicações Ltda. e Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. também são alvo da nova investigação da PF sobre o governo do Distrito Federal, batizada Operação Caixa de Pandora.
ÉPOCA teve acesso a uma minuciosa contabilidade sobre a arrecadação e os gastos na campanha de Arruda. De acordo com esses registros, empresas com negócios com o governo de Brasília teriam doado dinheiro por meio de um caixa dois. Os maiores contribuintes seriam construtoras e as empresas que prestam serviço de informática. Há registros nesse livro-caixa de doações de R$ 56 milhões. À Justiça Eleitoral, Arruda declarou ter gastos de apenas R$ 8 milhões na campanha.
Amigos de Durval afirmam que ele produziu uma coletânea de quase 200 DVDs com suas gravações. Haveria registros de operações fraudulentas nos bastidores da campanha eleitoral de Arruda e também de pagamento de propina durante o governo. Antes de ser atingido pela operação da PF, Arruda teria ensaiado a demissão de Durval. Teria chamado Durval para uma reunião, mas desistido da demissão durante a conversa. Depois, Durval ironizou a ameaça de Arruda: “Continuo secretário e ele continua governador”.

Michael Jackson ganha exposição e biografia em mangá


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Os fãs de Michael Jackson continuam homenageando o ídolo pop. Começa amanhã, na estação Paraíso do Metrô , em São Paulo, a mostra Eternamente Michael.
Lançada em uma estação de Metrô de Bucareste, na capital da Romênia, a mostra chega ao Brasil com 32 painéis de 1 metro de altura cada um, com 60 desenhos. Organizada pela cartunista e ilustradora Nicoleta Ionescu, a exposição reúne telas feitas por artistas de todo o mundo.
Por aqui, a organização ficará por conta do professor de mangá - história em quadrinhos no estilo japonês - Fábio Shin, que fez sete caricaturas para a exposição.
O público vai poder conferir ainda dois NikaDolls (bonecos personalizados em estilo mangá) de Michael, criados pela equipe da escola de Shin, a Japan Sunset.
A exposição ficará na estação Paraíso do Metrô durante todo o mês de dezembro, das 5 à 0h.
Além disso, Shin lança o primeiro volume do mangá biográfico Eternamente Michael (Editora Seoman, R$ 26), que traz a trajetória pessoal e artística do cantor. Com 232 páginas, o livro é assinado, além de Shin, por Rafael Kirschner, Ledo Vieira e João Castilho.
“Tentamos ser fiéis ao figurino e seus passos de dança. Também preparamos um glossário com todas as pessoas que participaram da vida dele, além de músicas e poemas escritos por Michael”, diz Shin. O segundo volume da obra deverá ser lançado no próximo ano.
Confira algumas das imagens do livro Eternamente Michael:


Pipa que fotografa



Ver o mundo do alto sem tirar os pés do chão. Esse é um dos prazeres que a Fotografia Aérea com Pipa (KAP, na sigla em inglês para Kite Aerial Photography) proporciona. Nesta modalidade, prende-se uma câmera na linha de uma pipa, ou papagaio, e o aparelho faz registros surpreendentes de um ângulo quase perpendicular ao chão. Para suportar o peso e ter estabilidade, a pipa chega a medir mais de dois metros de diâmetro e é feita com um tipo de náilon similar ao usado em para-quedas e em grandes balões. Empiná-la não requer habilidade maior do que a aprendida na infância. Com um pouco de jeito e ajuda do vento, ela sobe graças ao design, que pode incluir varetas ou um mecanismo que faz a pipa inflar. A máquina é programada para fazer disparos num intervalo regular de tempo e, em geral, a pessoa não sabe o que vai sair.
Desde o século XIX, existem registros feitos com o auxílio de pipas, sobretudo em guerras, para inspecionar com segurança o território inimigo, ou na cartografia, para a elaboração e o estudo de mapas. Mas somente com o avanço tecnológico das máquinas digitais - cada vez menores, mais leves e com maior alcance - o hábito se popularizou. Na Europa e nos Estados Unidos, o equipamento é vendido até sob forma de kit. Mas a maioria dos kapers, como são chamados os adeptos, faz suas próprias invenções.
O programador de informática e fotógrafo Ricardo Mendonça Ferreira é um deles. Seu modelo conta com um avançado sistema de controle remoto e um transmissor de vídeo para enxergar os registros do alto. "Em qualquer viagem carrego os aparelhos na mochila", conta. O mais importante é se certificar de que a câmera ficará bem presa à linha para fazer boas imagens e de forma segura, explica o fabricante de pipas e kaper Mauricio Pleiffer, de São Paulo. Depois, é só relaxar: "No alto, o equipamento desperta uma curiosidade quase infantil nas pessoas", diz. É uma deliciosa brincadeira de adulto.
FOTOS: RICARDO MENDONÇA FERREIRA; CLÉLIA ROQUE DIAS

Somos muito atrasados (literalmente)


PRECISÃO ABSOLUTA
Estação de trem do Aeroporto de Zurique, na Suíça: o país é o mais pontual do mundo, inclusive porque a proporção de relógios corretamente ajustados é também a maior


Esperar é sofrer. Tanto pela ansiedade associada à expectativa de ver algo se realizar como pela sensação, na maioria das vezes correta, de que se está desperdiçando algo valioso: tempo. Estima-se que um americano médio gaste cinco anos de sua vida parado em filas e seis meses esperando semáforos se abrirem. Se o mesmo estudo fosse feito no Brasil, as conclusões seriam ainda mais desanimadoras. A burocracia, a ineficiência de alguns serviços e o trânsito sobrecarregado fazem com que os brasileiros percam uma parcela muito maior de sua vida em atividades improdutivas do que, por exemplo, os americanos . Como a jornada de trabalho no Brasil também é maior, o resultado é que sobra menos tempo para a diversão. A cena de aeroportos abarrotados por causa do atraso de voos retrata o confisco de tempo livre a que os brasileiros costumam ser submetidos. Na quinta-feira 19, as companhias aéreas registraram um pico de 23% de voos com mais de trinta minutos de atraso. A média de outubro, que já foi alta, chegou a 14%. A população lida com essa realidade das duas únicas maneiras possíveis: ou incorpora a lentidão ao seu ritmo de vida, ou se exalta e perde a paciência. "A primeira postura é a que predomina no Brasil", diz o psicólogo social americano Robert Levine, autor do livro Uma Geografia do Tempo,inspirado na sua experiência como professor visitante em Niterói.
No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres.
O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público? Ou se, antes de ir a uma reunião, foi necessário gastar um tempo excessivo na fila de um posto de atendimento de uma operadora de celular para resolver um problema qualquer? Pôr a culpa apenas na burocracia e nos atrasos causados pelo subdesenvolvimento é compreensível só até certo ponto. Afinal de contas, as companhias aéreas, as empresas de telefonia e o sistema de tráfego são comandados e operados por indivíduos cuja melhor qualidade também não é a pontualidade - brasileiros, portanto. É impossível saber o que veio primeiro: a cultura do atraso ou a infraestrutura que provoca atrasos. Conclui-se daí que o Brasil está preso num círculo vicioso. A relação flexível com o relógio afeta a qualidade dos serviços do dia a dia, o que, por sua vez, rouba tempo da população e, assim, perpetua o desprezo generalizado pela pontualidade.
Nos consultórios médicos, em especial, a permissividade com os horários é um espanto - e enseja situações desagradáveis. O infectologista Esper Georges Kallás, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, diz aceitar bem o atraso de seus pacientes, porque ele reconhece que às vezes não os atende no horário combinado. "Nem todos, porém, entendem isso. Certa vez, uma senhora se irritou porque eu me atrasei por mais de uma hora, brigou com a secretária e foi embora antes de ser atendida", diz Kallás. O descompasso entre a maioria que se conforma com - e causa - atrasos e a minoria que se esforça em planejar melhor o seu tempo é uma grande fonte de stress para os brasileiros. Uma pesquisa feita pela International Stress Management Association (Isma-Brasil) com 1 000 executivos mostra que 62% deles consideram a dificuldade em administrar seu tempo o principal fator de stress. "Como a síndrome de burnout, o grau extremo de stress, é mais comum entre os brasileiros do que entre os ingleses ou americanos, povos com uma relação mais rígida com o tempo, isso indica que nossa condescendência com a impontualidade não nos torna mais relaxados", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-Brasil. Perder tempo, assim, é um atraso de vida em todos os sentidos.

Um ‘novo’ Facebook para valorizar buscas internas


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O Facebook quer repetir o ciclo de transformações periódicas que o Twitter propõe e já estuda novas mudanças na página pessoal de cada pessoa cadastrada na ferramenta. A maior rede social do mundo começou a disponibilizar, a um grupo restrito de usuários, a nova interface do site. As imagens foram disponibilizadas pelos principais blogs do mundo.
A priori, as sutis mudanças não alteram o caráter de navegabilidade, já que permanece a estrutura de uma linha do tempo de informações de seus amigos no centro da página. Destaco a centralização e distribuição, em apenas dois espaços (no canto superior e na seção à esquerda do computador), de todas as configurações da página pessoal de cada usuário cadastrado.
A reformulação que mais me chamou atenção é a valorização do sistema de buscas interno, funcionalidade que já sofrera mudança em agosto deste ano: antes, no canto direito da página e, agora, na parte superior central, de acordo com as imagens divulgadas. Trata-se, mais uma vez, do mecanismo de valorizar uma pesquisa em tempo real, artifício que a Google ainda não domina e busca alcançar com o desenvolvimento de uma ferramenta própria, o Social Search.

OCDE vê queda de até 1,9% no PIB da América Latina


Estoril - A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou hoje que espera que o Produto Interno Bruto (PIB) na América Latina sofra contração de 1,5% a 1,9% em 2009. A previsão foi feita durante apresentação de relatório sobre perspectivas para a região no próximo ano, no fórum Ibero-americano que começou ontem em Estoril, Portugal. O Brasil não faz parte da OCDE.
A contração do PIB latino-americano pode parecer moderada se comparada à queda esperada de 3,5% no PIB dos países da OCDE, mas ainda é preocupante se comparada ao cenário de crescimento para a América Latina antes da crise econômica, disse o secretário-geral da OCDE, Angle Gurria. "2010 será decisivo para a América Latina", afirmou Gurria. "Será o ano da recuperação e as decisões tomadas durante essa fase formarão o futuro destes países", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

Saddam Hussein ganha canal de televisão


Saddam Hussein após ser capturado pelos EUA (Foto: AFP)
O ex-líder iraquiano Saddam Hussein, executado em 2006, é homenageado e ganha um canal de televisão no país totalmente dedicado a sua vida. A programação inclui discursos, imagens e poesias proclamadas pelo ex-ditador.
A transmissão é secreta e acontece um mês antes do terceiro aniversário da execução de Hussein, realizada no dia 30 de dezembro. Chamado Al-Arab, o canal não possui sede no Iraque e também é transmitido pela internet.
Parentes de Hussein e integrantes do partido que ele liderava negaram qualquer envolvimento. Ainda assim, a imprensa internacional aponta ex-partidários políticos de Saddam como os principais responsáveis pelo financiamento das transmissões.
Glorificação de um tirano - O estadista Saddam Hussein foi afastado do poder depois que os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003. Após ser capturado, o ex-líder foi julgado e executado no país pelas autoridades americanas.
Jaber Habib Jaber, um parlamentar iraquiano, classificou a TV de Hussein como "glorificação de um tirano". Apesar da posição contrária do governo, muitos moradores de Bagdá estão contentes com o canal e já o elegeram como favorito.

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