Prazer Milenar


Bebo, logo existo.” A frase, subtítulo do primeiro capítulo de “Uncorking the Past” (algo como “Destampando o Passado”, ainda inédito no Brasil), novo livro do cientista biomolecular americano Patrick McGovern, deixa clara a tese da obra. Lançado há poucas semanas, o segundo livro do pesquisador da Universidade da Pensilvânia revela detalhes da milenar relação entre a espécie humana e o álcool, alterador de humor presente em praticamente todas as grandes civilizações do passado e do presente.
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INVESTIGAÇÂO McGovern (acima) busca traços do passado em ânforas milenares
Para McGovern, somos tão naturalmente ligados à substância química que até mesmo nosso nome científico deveria ser revisto, passando de Homo sapiens para Homo imbibens. “Ao redor do mundo e desde os tempos mais remotos, os humanos tomam bebidas alcoólicas. Elas já foram usadas como remédios e lubrificantes sociais, além de terem sido incorporadas em cerimônias religiosas e rituais de toda sorte”, disse McGovern à ISTOÉ.
À frente de uma ciência relativamente nova a arqueologia biomolecular existe formalmente há apenas 25 anos, McGovern atingiu o status de maior autoridade mundial ao encontrar resquícios de uma bebida com mais de nove mil anos de idade em um jarro achado na localidade de Jiahu, às margens do rio Amarelo, na China. “Foi a minha descoberta mais surpreendente e excitante. Pensava que toparíamos com algo mais antigo no Oriente Médio, berço da civilização humana. Mas vale lembrar que os chineses faziam potes de cerâmica desde o ano 13.000 a.C., uma técnica dominada por outros povos apenas cinco mil anos depois”, revela o cientista.
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“Talvez, os mais profundos e marcantes efeitos do álcool repercutam nos pontos mais misteriosos
e místicos do cérebro humano. Seja nas civilizações antigas ou nas modernas, as melhores formas
de estabelecer contato com os deuses ou nossos antepassados é por meio da ingestão de bebidas”
Trecho de “Uncorking the Past”, livro do arqueólogo Patrick McGovern
Segundo o novo livro, a fascinação pelos líquidos estimulou a engenhosidade humana a buscar avanços importantes. No período neolítico, por exemplo, nossos ancestrais foram capazes de domesticar o cultivo dos cereais para ter matéria-prima sempre à mão. O detalhe é que, segundo McGovern, os primeiros fazendeiros pensaram primeiro na cerveja (substituto seguro para águas contaminadas) e depois no pão. Além disso, novas tecnologias de armazenamento, conservação e transporte só foram criadas graças à necessidade de manter as bebidas alcoólicas conservadas e prontas para o uso sejam elas o vinho de arroz chinês e japonês, os fermentados de cacau encontrados
na América Central ou a cerveja egípcia.
“Sabemos que certas civilizações também usavam tabaco, cogumelos, folhas de coca ou maconha em certos rituais. Mas nada estava tão incorporado ao dia a dia como o álcool”, diz o pesquisador. Se você está se perguntando qual seria o paladar dessas bebidas do passado, saiba que McGovern já tentou recriar alguma delas em laboratório. Segundo ele, que conseguiu ajuda e auxílio tecnológico de fabricantes contemporâneos, seus maiores êxitos são uma cerveja de chocolate e o Chateau Jiahu, já batizado de “o vinho mais antigo do mundo”. Resta saber se algum sommelier de plantão encara uma degustação.

Luxo e pechincha


Foto: Renato Stockler/Na Lata
VIRTUAL E COMPULSIVA 
A médica Márcia Caruso com roupas e sapatos que comprou num site a preço de outlet
Comprar marcas de luxo com descontos de até 70% não é mais privilégio de quem aproveita a “black friday”, a sexta-feira depois do Dia de Ação de Graças em que as lojas fazem megaliquidações nos Estados Unidos. No Brasil, clubes on-line vendem artigos de luxo e roupas de grife para associados, em promoções anunciadas por e-mail que duram poucos dias.
Foi por meio de uma oferta assim que a médica paulistana Márcia Caruso, de 42 anos, calçou os sapatos de seus sonhos. “Quando recebi o e-mail com a promoção da Francesca Giobbi, fiquei felicíssima”, diz. “Comprei na hora, pela metade do preço.” Ela é associada do Superexclusivo desde 2008. “Eu sempre fui compradora virtual compulsiva. Acho perfeito, porque recebo um aviso por e-mail e compro roupas de grife com desconto.”
Os clubes de compras pela internet existem há tempos na Europa e nos Estados Unidos. Em 2002, o Private Outlet lançou a moda de oferecer pontas de estoque de marcas de grife a pequenos grupos cadastrados. Hoje tem mais de 15 milhões de clientes. No Brasil, a clientela de luxo a preços módicos é disputada por quatro principais clubes de compras on-line: Brandsclub, Superexclusivo, Coquelux e Privalia. A cada semana, eles oferecem novas oportunidades de compra aos clientes. Na promoção entra uma marca de cada vez, por tempo limitado, de três a cinco dias. As peças selecionadas são sobras de coleções passadas. Mesmo assim, os clientes não resistem às tentações enviadas por e-mail, já que os descontos chegam a 70%.
É possível encontrar roupas, bolsas e sapatos, cosméticos, móveis, eletrônicos, vinhos e até viagens. As promoções incluem marcas como Dior, Yves Saint Laurent, Marc Jacobs, Jimmy Choo, Lacoste, Ralph Lauren. Há coleções de estilistas nacionais como Gloria Coelho, Cris Barros, Isabela Capeto e Alexandre Herchcovitch.
O acesso aos sites é restrito. O motivo é não queimar a imagem de marcas que investem milhões em campanhas publicitárias que as liguem ao requinte e ao privilégio de possuí-las. “Para o lojista, é interessante colocar à venda parte de seu estoque, sem custo”, diz Paulo Humberg, diretor-geral do Brandsclub. “Somos como gestores de estoque das marcas parceiras: o excesso de mercadoria produzida, produtos com baixo giro, colocamos à venda em promoções.”
Para entrar nos clubes é preciso ser convidado por algum associado – uma diferença em relação à maioria dos outlets on-line, em que basta se cadastrar para comprar. Também é possível preencher um cadastro e aguardar em uma fila até ser aceito. “Não queremos excluir, apenas manter um grupo restrito. Porque se isso for pulverizado na internet, além de ultrapassar a quantidade limitada do estoque, pode ir contra a estratégia das marcas que vendemos”, afirma Juliana Messenberg, sócia e diretora comercial do Superexclusivo.
O público-alvo desses clubes são pessoas com idade entre 25 e 45 anos, das classes A e B, que têm poder aquisitivo e gostam de comprar pela internet, diz Pierre-Emmanuel Joffre, presidente da Coquelux: “São consumidores antenados, que normalmente não têm tempo de fazer o shopping que gostariam, com as marcas que gostariam. Eles procuram mais a praticidade da compra on-line e confiam nas marcas que nós escolhemos”.


Exclusividade à mão
Os quatro principais clubes de compra exclusivos que oferecem produtos de luxo com descontos de até 70%
 Reprodução Brandsclub 
brandsclub.com.br 

É o líder do mercado. Tem mais de duas promoções semanais e parcerias com 325 marcas, que vão de Nike a Cartier e Hugo Boss. É o site mais bem organizado, mas é preciso ser rápido para comprar
 ReproduçãoCoquelux 
coquelux.com.br 

Tem parceiros exclusivos e peças de acervo de desfiles de Isabela Capeto, Alexandre Herchcovitch e Gloria Coelho. Possui uma ferramenta de simulação de manequim para facilitar a compra
 ReproduçãoPrivalia 
br.privalia.com 

É um dos mais fáceis para se cadastrar. A navegação é um pouco difícil. Possui grande variedade de marcas comuns no mercado com descontos de até 70%, mas faltam grifes premium
 ReproduçãoSuperexclusivo 
superexclusivo.com.br 

O site vai completar dois anos. Tem parceria com marcas badaladas, como Ralph Lauren, e estilistas brasileiros, como Cris Barros. Também tem boa frequência de promoções




Patrimônio de Arruda cresceu mais de 1000% em sete anos


Em sete anos, o patrimônio do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, cresceu 1.060%. Nas declarações apresentadas àJustiça Eleitoral, em 2002 e 2006, a soma dos bens do governador não passava de R$ 600 mil. Agora, o patrimônio real da família Arruda, só em imóveis, em Brasília, acumulou um valor de mais de R$ 7 milhões. 

Antes, o governador declarava R$ 598 mil em bens, que incluía apenas um imóvel em Brasília. As demais propriedades, um apartamento, uma casa e um lote, ficavam na cidade mineira de Itajubá, sua terra natal. Uma caminhonete, uma linha telefônica e uma conta com R$ 20 mil, no Banco do Brasil, completavam o patrimônio. 

Da posse como governador do DF, em 2007, para cá, a maneira como as aquisições foram feitas levanta suspeita - em pelo menos dois casos, os imóveis foram comprados por terceiros e depois transferidos para filhos de Arruda.
O governador enfrenta ameaças bastante claras e públicas. Apontado por um ex-colaborador como chefe de um esquema de corrupção, nos próximos dias ele pode ser expulso de seu partido, o DEM. Arruda também pode sofrer um processo de impeachment na Câmara Distrital – apesar de essa possibilidade ser menor.

O Google cedeu


Disputa
Eric Schmidt, presidente do Google (à esq.), e Rupert Murdoch, da News Corp.: existe um terreno comum?


Na semana passada, o Google anunciou que cogita restringir a cinco por dia o número de notícias que cada pessoa pode acessar por meio de sua ferramenta de busca. Foi uma resposta inesperada aos protestos de empresas de comunicação que se avolumam em todo o mundo. Para os grupos jornalísticos, produzir informação qualificada tem um custo elevado. Para sites como o Google, essa mesma informação tem custo zero. Eles a difundem de graça, sem remunerar a fonte original. A longo prazo, dizem as empresas de comunicação, isso é uma receita para a sua morte. O crítico mais incisivo desse estado de coisas é o australiano Rupert Murdoch, dono da News Corp., um conglomerado que reúne desde os canais de TV da Fox até jornais como o Wall Street Journal. Murdoch decidiu se contrapor frontalmente ao Google. Negocia com a Microsoft, por exemplo, a formalização de um acordo inédito. A empresa de Bill Gates pagaria pelo direito de exibir com exclusividade, em seu site de buscas, o Bing, os links das publicações da News Corp.
Também na semana passada, em um congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) realizado na Índia, o presidente da entidade, Gavin O’Reilly, reafirmou, de maneira categórica, a posição de Murdoch. "Ser capaz de obter retorno comercial é algo essencial para justificar nosso investimento em conteúdo. Foi para isso que o direito autoral foi inventado há 300 anos. Não queremos migalhas do Google", disse. Há anos, O’Reilly define como "cleptomaníaca" a atitude do site de buscas em relação aos direitos autorais da mídia. Agora, porém, a situação é agravada por um quadro pouco animador para a imprensa tradicional. Nos Estados Unidos, nos seis meses entre abril e setembro, a circulação de jornais caiu 10,6% de segunda a sábado e 7,5% no domingo.
Depois do anúncio sobre as possíveis novas regras para o acesso a notícias no site, o presidente do Google, Eric Schmidt, publicou um artigo sobre o tema no próprio Wall Street Journal, de Murdoch. No texto, reconheceu que reportagens bem apuradas e análises precisas são críticas para o funcionamento da democracia. Tentou ainda demonstrar que o Google não é um inimigo das empresas jornalísticas, mas uma "fonte para a sua promoção". Segundo Schmidt, os serviços do Google direcionam, "gratuitamente", 4 bilhões de cliques mensais a sites de notícias. "São 100 000 oportunidades por minuto para a conquista de leitores e a criação de receita", escreveu. Schmidt disse que o Google está pronto a "fazer a sua parte" e ajudar a encontrar um novo caminho para o jornalismo na era digital. Esses gestos de boa vontade foram recebidos com algum ceticismo. Em tempos de crise, é difícil convencer os grupos jornalísticos a contentar-se com ganhos futuros – e, ainda assim, hipotéticos.

Coleção de vestidos desenhada por Victoria Beckham é roubada em Londres


Victoria Beckham - Foto: Reprodução - 0
Foto: Reprodução
Victoria Beckham
Londres, 5 dez (EFE)

A inglesa Victoria Beckham, mulher do jogador de futebol David Beckham, teve roubada a coleção de vestidos que desenhou para ser vendida em Nova York.

Uma porta-voz disse hoje que a ex-Spice Girl ficou "abalada e triste" com o roubo, ocorrido na quinta-feira, em Londres.

Segundo informações, os assaltantes roubaram os vestidos da caminhonete que os levava para o aeroporto de Heathrow, na capital britânica. O furto aconteceu quando o motorista do veículo parou para fazer uma entrega.

O condutor da caminhonete foi agredido pelos ladrões, que, aparentemente seguiram o veículo. A Polícia, que já está investigando o roubo, trabalha com a hipótese de um assalto premeditado.

Os vestidos de Victoria, para a temporada Primavera-Verão 2010, iriam de avião para Nova York, onde seriam vendidos na rede de lojas Neiman Marcus.

A ex-cantora, que trocou o mundo da música pelo da moda, espera agora que os vestidos possam ser fabricados de novo e cheguem a tempo às lojas nova-iorquinas. EFE

pa/sc

14 dicas para tirar mais do Windows 7

14 dicas para tirar mais do Windows 7

Veja como personalizar o sistema, fazer disco de recuperação, rodar modo XP, explorar atalhos e muito mais 

jmjvicente

A adesão ao Windows 7 tem sido rápida. Segundo a Net Applications, 4% dos acessos à internet no mês de novembro foram feitos por computadores comandados pelo novo sistema operacional da Microsoft. Se você também já comprou uma PC com o Windows 7 ou fez o upgrade para ele, confira as dicas.

Instalação e recuperação
Quer instalar o Windows 7 no netbook, mas não há um drive externo por perto? Confira como fazer a instalação por meio de um pen drive.
Antes de começar a usar o Windows 7, é bom se prevenir contra falhas.Gaste um tempinho para criar um disco de recuperação do sistema.

Personalização
Se você acessa com frequência os drives, pode ser mais interessanteincluir o item Computador como local padrão no Windows Explorer. E o que acha de mostrar ações rápidas na barra de tarefas? Veja como adicionar atalhos nessa barra para ações relacionadas a aplicativos. O Windows Explorer do Windows 7 mostra as pastas mais acessadas como pastas favoritas. Mas você pode inserir pastas manualmente a essa lista de pastas favoritas.
Outro recurso legal do novo Windows é o trabalho com temas. Veja como personalizar e compartilhar temas com outros computadores e amigos.

Busca e organização
O Windows 7 facilita a organização de conteúdos, mas para usar o novo recurso de bibliotecas é preciso configurar as pastas que serão vasculhadas. O novo Windows até dispensa o browser em algumas situações. Veja como fazer buscas na internet do Windows Explorer. 

Atalhos
Se você usa sempre as mesmas pastas, é possível criar um atalho para elas no ícone do Windows Explorer. O mouse também pode ser deixado de lado em favor do teclado na hora de acionar as jump lists. Confira uma lista de outros atalhos para ganhar rapidez no uso do sistema.

Compatibilidade
O Windows é compatível com a maioria dos programas atuais, mas se um software que você usa muito não rodar no novo sistema, baixe e instale o modo Windows XP, uma máquina virtual pronta para rodar o XP no Windows 7.

Suporte
Se você acaba funcionando como suporte técnico dos amigos na hora de problemas, peça a eles para usar o programa Gravador de Passos para Reprodução de Problemas. A ajuda vai ficar mais fácil.

Multimídia
Está num computador, mas as músicas estão armazenadas em outra máquina da rede? O Windows 7 permite controlar o Windows Media Player do outro PC remotamente.

Poder, dinheiro, corrupção e...




No dia 4 de setembro de 2006, no auge da eleição para o governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda encaminha-se até o escritório do delegado aposentado Durval Barbosa, então secretário do governo e seu coordenador de campanha. Ele aperta a mão de Durval e lhe dá um tapinha nas costas: "Meu presidente!". Arruda acomoda-se gostosamente no sofá, dá um profundo suspiro e pede um chazinho à secretária. Tira do bolso um papelzinho e diz a Durval: "Queria ver quatro coisinhas com você. Só posso pedir para você porque é algo pessoal". Arruda começa pela corrupção miúda, pedindo a Durval que consiga emprego para o filho dele numa das empresas que mantêm contratos com o governo. Depois abusa um pouquinho mais e recomenda que o delegado "ajude" a empresa de um amigo. Finalmente pergunta sobre o financiamento para a campanha. "Estou medroso com esse troço", diz Arruda. Durval tenta tranquilizá-lo: "A gente só não pode internalizar o dinheiro". Ato contínuo, Durval abre o armário, pega um pacote com 50 000 reais e o entrega a Arruda. "Ah, ótimo", agradece o candidato. Num lapso de 23 minutos e 45 segundos, com o equipamento do ladino Durval e a desfaçatez de Arruda, produziu-se o primeiro capítulo da mais devastadora peça de corrupção já registrada na história do país.
Talvez encantado com o espírito do Natal que se aproxima, Arruda veio a público na semana passada para dizer que, sim, ele recebeu o pacotão de dinheiro que aparece no vídeo - mas que, por nobreza de coração, usou os recursos na compra de panetones para os pobres que habitam a periferia de Brasília. Nem Papai Noel acreditou. A burlesca cena protagonizada por Arruda está num dos trinta vídeos entregues por Durval aos promotores do Ministério Público do Distrito Federal, aos quais teve acesso na íntegra (assista a uma seleção dos vídeos exclusivos).Ele também forneceu documentos e prestou um minucioso depoimento, expondo as vísceras do esquema de corrupção chefiado por Arruda e pelo empresário Paulo Octávio, vice-governador de Brasília. Até o início da crise, o ex-delegado era secretário de Relações Institucionais - uma espécie de embaixador da corrupção do governo de Brasília. Cabia à turma dele coordenar as fraudes nas licitações do governo, achacar os fornecedores e repassar o butim a Arruda e Paulo Octávio, distribuindo o restante da propina aos deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF. Ou seja, uma versão brasiliense e democrata do mensalão petista.
A colaboração de Durval, que espera com isso receber um perdão judicial, resultou na Operação Caixa de Pandora, deflagrada há uma semana pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, na qual se apreenderam, nos escritórios da quadrilha, documentos e cerca de 700 000 reais em dinheiro vivo. Os promotores calculam que a quadrilha do panetone tenha desviado dos cofres públicos a formidável soma de 500 milhões de reais - de modo que os pobres de Brasília, graças quem sabe às orações da propina divulgadas por Durval, devem desfrutar um gordo Natal neste ano. Inexiste quantia, contudo, que supere a força simbólica de uma imagem como a do governador Arruda recebendo um bem fornido maço de notas de 100 reais. Não é à toa que as produções de Durval se tornaram hits instantâneos na internet e correram as televisões do mundo: nunca se registrou com tamanha precisão, muito menos de maneira tão límpida e pedagógica, a ilimitada capacidade dos políticos de ignorar os mínimos princípios de dignidade pública. O sentimento de repulsa é inevitável.
Dida Sampaio/AE
IRMANDADE
O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (à dir.), em reunião com o deputado ACM Neto (à esq.): relação fraternal com Arruda dificulta expulsão do governador

Essa indignação apareceu graças ao talento dramatúrgico do obstinado Durval. Durante anos, ele gravou com esmero as estripulias cometidas pelos maganos dessa máfia. Além da participação especialíssima de Arruda, o Generoso, aparecem nos filmes deputados, empresários, jornalistas, lobistas, burocratas, assessores. São filmes ricos em elenco - e, sobretudo, em conteúdo. Todos foram rodados nos escritórios do diretor Durval. O enredo é sempre o mesmo. Os personagens procuram o delegado em busca de dinheiro e favores. O final é igualmente previsível. Como se descobriu nos últimos dias, os coadjuvantes sempre dão um jeitinho de sair de lá com dinheiro - seja nas meias, na cueca, na bolsa, no paletó. Antes de embolsarem o cachê, esses bufões da corrupção combinam negociatas e trocam confidências sobre os esquemas de cada um. Enquanto eles riem, só resta à plateia chorar: toda essa deprimente patuscada é paga com nosso dinheiro.
As gravações demonstram que Durval era o gerente da quadrilha, intermediando negociatas entre a cúpula do governo e as empresas que sobrevivem de contratos públicos. Num dos vídeos inéditos, gravado no dia 14 de outubro deste ano, Geraldo Maciel, assessor de Arruda, encaminha a Durval as determinações do governador. Maciel conta que Arruda ordenou a contratação da Brasif, empresa ligada ao DEM. "Esse pessoal vai assumir os compromissos com você", explica o assessor de Arruda. "Compromissos", na linguagem da quadrilha, significa propina. "Ele (Arruda) é quem decide", responde o delegado. Em seguida, os dois acertam como será direcionada a licitação para contratar a Brasif - e como será o rateio. "O que ficaria livre para ele?", pergunta Maciel, numa referência a Arruda. "Um e duzentos", esclarece Durval. Um milhão, claro.
Pobre Durval. Numa das conversas, Maciel, o assessor de Arruda, desabafou: "Não aguento mais o Leonardo Prudente no meu pé. Ele quer entrar em todas". Prudente é aquele deputado que guardou os maços de dinheiro na meia - e que aparece em outro vídeo, mas neste estocando dinheiro num envelope, pelo menos. Deve ter sido a única vez na qual Prudente foi... prudente. Na operação de busca e apreensão, quando os policiais estiveram em sua casa, o deputado tentou esconder sua fortuna de todas as formas. Prometeu até colaborar - mas os agentes flagraram o caseiro dele correndo na rua com uma sacola abarrotada de dinheiro. "Tudo bem, vou mostrar", anuiu Prudente, revelando aos policiais o esconderijo dos 80 000 reais que guardava em casa - a banheira de hidromassagem.
Os quadrilheiros seguiam um rígido código de conduta - quem se desviasse dele, como o voraz deputado das meias, transformava-se num pária. Nos vídeos, Durval deixava claro quais eram as regras do jogo: "Não pode levar para casa. Isso é uma distorção. Não é democrático. Tem que ajudar os outros". Para a turma do panetone, a comunhão da propina era uma obrigação moral. O publicitário Abdon Bucar, que fez a campanha de Arruda, presta serviços para o DEM e detinha contratos com o governo de Brasília, reclama de 1 milhão de reais que caíram na conta dele - caíram para ser lavados e sair de lá limpinhos. "Meu contador disse que vou ter de arranjar outra nota, que a última deu problema", explica o publicitário. Ele reclama do atraso na parte que lhe é devida. E avisa: "Vou arrochar os caras". Logo depois, cobra "os 750 000 do PFL". Durval, como sempre, ouve a reclamação com paciência e promete resolver. Depois de anos gravando e operando a corrupção, e ameaçado por 32 processos na Justiça, Durval negociou a delação premiada com o Ministério Público, por meio do jornalista Edson Sombra, um amigo dele que afirma guardar mais de uma centena de fitas envolvendo dezenas de autoridades em Brasília.
Paulo de Araújo/CB/D.A Press
DURVAL VÍDEOS
O homem que destruiu a cúpula do governo do DF tem 120 fitas com cenas de corrupção

A implosão do esquema de corrupção montado no governo do DF provocou um abalo sísmico no DEM. Diante das cenas chocantes, os democratas concluíram que a única saída para minimizar o prejuízo eleitoral do partido com o escândalo seria a expulsão imediata do governador. A estratégia, porém, precisou ser alterada após uma reunião na qual Arruda ameaçou revelar segredos que aparentemente não podem ser expostos à luz do sol. "Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo com vocês", avisou o governador. Nem todo mundo entendeu. Não parece ter sido o caso do presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia, amigo de Arruda e padrinho de algumas nomeações em seu governo. Além da suspeita de que Arruda possa ter colocado sua máquina de desvios a serviço do partido, um detalhe ainda desconhecido liga a cúpula do DEM ao epicentro do tremor. Maia é íntimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, arrecadador informal da campanha de Arruda e acusado por Durval de operar a engrenagem de achaques que funcionava no governo do amigo.
A intimidade de Paulo Roxo com o presidente do partido era tal que no sábado dia 28, assim que foi divulgado o primeiro vídeo da corrupção, o publicitário correu à casa em que Maia vive em Brasília, não por coincidência alugada por outro amigo do presidente do DEM, André Felipe de Oliveira, ex-secretário de Esportes no governo Arruda. Roxo estava preocupado com a reação de Arruda caso o DEM decidisse emparedá-lo. "Você precisa segurar o partido. O desgaste pode ser muito maior se Arruda fizer uma besteira", alertou. Essa proximidade alimenta a suspeita de que a arca clandestina de Brasília pode ter contaminado o caixa nacional do partido. Na semana passada, sob a condição de anonimato, um dirigente do DEM revelou a VEJA que pelo menos oito comitês de candidatos apoiados pelo partido nas últimas eleições municipais receberam dinheiro captado por operadores de Arruda. O deputado José Mendonça, do DEM de Pernambuco, era um dos mais aflitos. Ele pediu insistentemente a deputados e senadores do DEM que poupem Arruda da expulsão.

PROPINA NA SACOLINHA

Em 2006, o deputado José Roberto Arruda, então candidato ao governo de Brasília, aparece no vídeo refestelado no sofá do gabinete de Durval Barbosa, um de seus caixas de campanha, recebendo dinheiro vivo. Apanha os maços sem nenhum constrangimento. Mostra alguma preocupação apenas em sair com as notas.
"Tô nervoso com esse troço (…). Eu tô achando que podia passar lá em casa, porque descer com isso aqui..."
Ganha uma sacolinha de papel para esconder o dinheiro - segundo ele, usado para comprar panetones para os pobres.

PROPINA NA MEIA

Uma das cenas mais acachapantes já vistas na vasta cinebiografia da corrupção foi a do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, colocando dinheiro nos bolsos do paletó, nas calças e, sem ter mais onde enfiá-lo, apelando até para as meias. Diante de imagens irrefutáveis, o parlamentar do DEM explicou que não havia nada de mais na cena. O dinheiro era para ser usado em sua campanha e foi acondicionado nas roupas daquela maneira grotesca apenas por questão de segurança. Na sua casa, a polícia encontrou 80 000 reais escondidos numa banheira.
- É que eu não uso pasta! - justificou.

PROPINA NA CUECA

Dono de um jornal que faz loas seguidas ao governo, o empresário Alcyr Collaço foi filmado guardando maços de notas nas partes íntimas. Para que tudo coubesse sem desconforto, ele tira até o celular do bolso da frente da calça. Em uma conversa com o ex-secretário Durval Barbosa, o empresário mostra que é bem informado sobre a distribuição da propina:
Durval: O Arruda, ele dá 1 milhão por mês ao Filipelli...
Alcyr: Oitocentos paus. 500 é Filipelli (...) Vai 100 para o Michel, 100 para o Eduardo e 100 para o Henrique Alves, e 100 ia para o Fernando Diniz. Morreu. 800 paus.

PROPINA NA BOLSA

A deputada Eurides Brito mostra que no inseparável acessório feminino cabe sempre mais alguma coisa. Na fila do mensalão, em segundos, a parlamentar entra na sala, tranca a porta, nem se senta e coloca cinco maços de dinheiro na bolsa de couro. Parecia apressada. Em conversa com o ex-secretário, Eurides ainda fala mal do patrão Arruda. Logo depois, com a bolsa estufada, a distrital deixa a sala com a mesma rapidez com que entrou.

PROPINA NO BOLSO

O deputado Junior Brunelli é corregedor da Câmara Legislativa. Caberia a ele fiscalizar a atividade de seus colegas. Em perfeita sintonia com seus pares, ele também aparece sorrateiramente no gabinete de Durval Barbosa, senta-se à sua frente, troca algumas palavras, enquanto recebe um maço de notas. Nem confere - e sequer faz qualquer comentário sobre o dinheiro antes de enfiá-lo no bolso.

PROPINA NA MESA

Representantes de uma empresa que tem contrato com o governo de Brasília entregam a Durval Barbosa uma "encomenda": uma mala preta com 298 000 reais. O dinheiro, segundo eles, era para ser dividido entre os secretários. Eles retiram pacotes de cédulas e os vão empilhando em cima da mesa.
Empresário: Vim trazer aqui uma encomenda.
Durval: Tá certo. (...) Aqui tem quanto?
Empresário: Cem... duzentos... duzentos e cinquenta, duzentos e noventa... e oito.

A ORAÇÃO DA PROPINA

Depois de uma reunião no gabinete de Barbosa, onde embolsavam propina, Leonardo Prudente e Brunelli convocam uma oração para agraceder a "bênção" recebida. Abraçados, os três ouvem a homilia proferida por Brunelli:
"Pai eterno, eu te agradeci por estarmos aqui. Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas que o teu sangue nos purifique (...) Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas (...)".
Brunelli é filho do fundador de uma igreja evangélica que vendia lotes no céu.

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