Obama defende a guerra, para garantir a paz
PREMIADO
Em Oslo, Obama dá entrevista ao lado do premiê norueguês, Jens Stoltenberg
Em Oslo, Obama dá entrevista ao lado do premiê norueguês, Jens Stoltenberg
Para responder a questão, Obama, que acaba de autorizar o envio de mais 30 mil soldados para o Afeganistão, recorreu ao conceito de “guerra justa”, debatido desde a época do filósofo romano Cícero (morto em 43 A.C.) e que está nas origens da lei internacional que regula as relações dos Estados até hoje. Segundo ele, com as mudanças ocorridas no mundo, como o fim da Guerra Fria e o fortalecimento dos terroristas, é preciso que “todos pensemos de novas formas sobre as noções de guerra justa e sobre os imperativos de uma paz justa”.
Obama disse ter um “aguçado senso do custo do conflito armado”, mas afirmou que a proliferação de armas de destruição em massa aumenta o risco de uma catástrofe. Ele lembrou as Guerras Mundiais, disse que “os Estados Unidos ajudaram a garantir a segurança global por mais de seis décadas com o sangue [de seus] cidadãos e a força [de suas] armas”, e que seguirá “a mesma visão de homens e mulheres que agiram tão corajosamente”, em uma clara defesa da guerra no Afeganistão.
“O terrorismo é uma tática antiga, mas a tecnologia moderna permite que alguns poucos homens com uma fúria desproporcional matem inocentes em uma escala horrorosa”, disse. Obama lembrou que a comunidade internacional se colocou ao lado dos Estados Unidos após o 11 de Setembro e que 43 países estão junto dos americanos no Afeganistão.
Obama aproveitou o discurso para fazer um duro ataque ataque à administração de seu antecessor, George W. Bush. Segundo Obama, mesmo ao enfrentar inimigos “imorais” que cumprem regras, os EUA devem continuar a “portar a bandeira da conduta de guerra”. “É isso que nos torna diferentes daqueles contra quem lutamos. Essa é uma fonte de nossa força. É por isso que proibi a tortura. É por isso que ordenei que a prisão de Guantánamo [em Cuba] fechada. E é por isso que eu tenho reafirmou o compromisso dos EUA de respeitar as Convenções de Genebra”.