O Estado e o estado de Chávez

O quadro está ficando cada vez mais grave e são
 dois os estados que se deterioram com Hugo Chávez 
- um deles é o Estado venezuelano, o outro é o estado 
de saúde do próprio presidente. Ele anda propondo 
bizarrices demais, excentricidades demais.
Chávez já determinou que, em seu país, 
banho tem de ser tomado em três minutos.
 Agora ele propôs que as pessoas usem lanternas em 
suas casas para ir ao banheiro de madrugada e mesmo para se banhar
. É, não é fácil não.

O prefeito-propina




Por essa o prefeito da cidade paulista de Monte Alegre não esperava. 
Odair Silis (PMDB) foi flagrado em um vídeo cobrando propina na liberação 
de financiamento para a construção de uma creche. Ele deveria repassar
 a verba para Edmar Gomes Ribeiro, construtor responsável pela obra 
orçada em R$ 1 milhão, mais o subsídio do Fundo Nacional de 
Desenvolvimento da Educação. O prefeito cobrou R$ 10 mil para
 liberar o dinheiro, reclamou porque só lhe deram oito e ameaçou:
 "Na próxima vez tem de ser R$ 10 mil.
" Segundo Ribeiro, 
o engenheiro da prefeitura Thiago Rossi também cobrava
 para fazer vistorias na obra e orientou o construtor 
a reduzir a qualidade e a quantidade dos materiais.
 Motivo: sobrar mais verba para a propina.

Campanha pela vida

fotos: Jack Plunkett/ap; nati harnik/ap;








Assim não vale.!

Mãe e filha foram flagradas nos EUA ao furtarem um vale-presente de 
uma garotinha em uma loja da Pensilvânia no dia em ela completava 9 anos. 
Receberam uma pena alternativa: tiveram de exibir nas ruas, 
durante quatro horas, um cartaz com os dizeres:
 "Eu roubei uma menina de 9 anos no seu aniversário!
 Não roube ou isso pode acontecer com você."





Apocalipse em 2012


Com um orçamento próximo a US$ 200 milhões, estreia no Brasil na sexta-feira 6 a superprodução "2012", última investida do diretor alemão Roland Emmerich no gênero filme-catástrofe - sua especialidade, aliás: ele também dirigiu "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã", entre outros. A história é inspirada no calendário maia, que prevê para 2012 uma infinidade de desastres naturais que transformariam para sempre a face da Terra. Vulcões, incêndios, terremotos e maremotos destroem cidades e diversos monumentos no mundo, como o Taj Mahal, na Índia, e o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro - ele se quebra em mil pedaços numa pequena e irrepreensível amostra da qualidade dos efeitos especiais. No elenco, os atores John Cusack e Danny Glover.

Um espetáculo realmente para todos


Quem mora em São Paulo vai ter esta semana a chance de ver um espetáculo muito legal, que já foi assistido por 30 mil pessoas no Rio, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais e Paraná: a peça do grupo Os Inclusos e Os Sisos é uma comédia de esquetes que faz o público pensar sobre as diversas formas de discriminação contra pessoas com qualquer tipo de deficiência. E é encenada com acompanhamento de um intérprete da língua dos sinais, legenda eletrônica e até audiodescrição. Ou seja: não deixa ninguém de fora.

Os esquetes são nove e bastante criativos. Num deles, três tomates participam de um festival para eleger o melhor deles. Um dos concorrentes é discriminado por ser verde, não ser o mais bonito, o maior, apesar de ser plantado pelo Seu Zé, sem agrotóxicos…Noutro, mãe e filha viajam na possibilidade das princesas dos contos de fada serem deficientes: como seria uma Cinderela em cadeira de rodas? Num terceiro, o assaltante tem Síndrome de Down, levando o público a pensar sobre superproteção às pessoas com deficiência e perda do espírito crítico diante da situação. Eu nunca tinha visto nada parecido. É pra rir e pra pensar.

O grupo Os Inclusos e Os Sisos - Teatro de Mobilização pela Diversidade é um projeto de arte e transformação social da Escola de Gente – Comunicação em Inclusão. Criado em 2003, o grupo integra a Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social, apoiada pela Fundação Avina. E só vai ter uma apresentação: nesta sexta-feira, dia 6, às 16h, no Estação Ciência – USP (Rua Guaicurus, 1394 - Lapa - São Paulo). É além de tudo é de graça.


Governo não chega a acordo sobre meta para redução de gases

Terminou mais uma vez sem consenso o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros para definir a meta de redução de emissões de gases de efeito estufa. Em reunião nesta terça-feira, a equipe ministerial avaliou que será preciso mais um encontro, dia 14, para discutir a proposta que será apresentada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), em Copenhague, no próximo mês. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, adiantou que possivelmente não será definida uma meta de redução de emissões de gases na próxima reunião ministerial para discutir o assunto"Pode ser que no dia 14 a gente não apresente o número diretamente, mas as medidas, até porque o número tem de ter credibilidade", disse. "Nós não estamos aqui para fazer uma proposta que não tenha credibilidade. Todos os números que nós colocarmos serão testados e checados, porque estamos fazendo isso de forma voluntária.", disse.

Em entrevista após o encontro com Lula, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Dilma Rousseff se limitaram a dizer que a proposta já anunciada de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020 diminuirá em pelo menos 20% as emissões de gases, ressalvando que este número poderá ser "um pouco" ampliado, com medidas adotadas em outros biomas. Minc quer uma meta de 40% na redução das emissões. Já outros ministros defendem uma meta menor.

Na reunião anterior do grupo para discutir a posição brasileira que será levada a Copenhague, Minc defendeu o anúncio de uma meta e, depois, deu uma entrevista sozinho para defender a redução de gases num cenário de crescimento de 4%, enquanto Dilma defendia um crescimento de 6%. Hoje, durante a entrevista, os ministros trocaram gentilezas e disseram apenas que a meta de redução de emissões que será apresentada pelo Brasil será "significativa".

Os ministros se esforçaram para mostrar coesão e compromisso com ações na área ambiental. Minc chegou a anunciar o "aço verde". Ele disse que o governo irá propor que as siderúrgicas só utilizem carvão vegetal de áreas reflorestadas, o que garantiria um selo de "aço verde". Nas contas do ministro, metade do carvão vegetal usado hoje nas siderúrgicas vem de mata nativa. "O objetivo é que a siderurgia venha plantar todas as árvores que necessitar", afirmou. "O Brasil pode ter um aço verde."

Além de Dilma, Minc e Amorim, participaram do encontro com Lula os ministros Sérgio Resende (Ciência e Tecnologia), Reinhold Stephanes (Agricultura), Edison Lobão (Minas e Energia) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais).


Brasil deve ficar longe dos Objetivos do Milênio

Embora o Brasil esteja empenhado em mostrar ao planeta que pode realizar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada do Rio, dois anos depois, é em 2015 que o país - e outras 190 nações - terá de prestar contas ao mundo sobre o seu grau de desenvolvimento e justiça. Expira naquele ano o prazo para o cumprimento dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos em 2000 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os resultados preliminares e as previsões não são animadores -Na média, o Brasil deverá alcançar os objetivos, mas as desigualdades ainda serão gigantes e deverão continuar, não só por regiões mas também dentro dos estados", avalia Luciana Brener, diretora-executiva da ONG Observatório de Indicadores de Sustentabilidade (Orbis).Entre os prenúncios de que o Brasil não atingirá as metas está a queda no ranking Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), anunciada em outubro. "Precisamos ter consciência crítica dos nossos problemas. A expectativa de vida no Brasil é de 72,2 anos, dez a menos do que no Japão e três a menos do que na Argentina. Isso é um sinal de que ainda não atingimos um ritmo de desenvolvimento adequado", afirma Flávio Comim, coordenador do relatório brasileiro do IDH. "A desigualdade impedirá que o Brasil avance."

Discurso oficial - O governo, contudo, contesta as previsões. Para Ana Lúcia Sabóia, chefe da Divisão de Indicadores Sociais do IBGE, o Brasil estará entre os poucos que alcançarão os ODMs. "Mesmo não existindo uma linha oficial de pobreza, que deixe clara a quantidade exata de pessoas que vivem abaixo dela, já superamos o objetivo de redução da desigualdade entre homens e mulheres", diz.

A afirmação é baseada nos números da Síntese de Indicadores Sociais 2009 (SIS), divulgada pelo IBGE na última sexta-feira. A SIS deste ano mostra que, de cada cem mulheres, 52 estavam ocupadas ou procurando trabalho em 2008. Mas, segundo a pesquisa, elas continuam recebendo cerca de 30% a menos do que os homens para exercer as mesmas funções - vale lembrar, a igualdade entre os sexos é um dos objetivos da ONU.

Outra nuance está relacionada à educação. Mesmo faltando pouco para atingir a meta de acesso ao ensino básico universal, os indicadores apontam para a baixa qualidade do ensino - com a existência de 21% de analfabetos funcionais entre jovens com 15 anos ou mais.


Você é financeiramente saudável?

Um novo conceito de independência financeira diz que ela só existe quando se trabalha por prazer ou lazer, não por necessidade. Faça o teste para saber se suas finanças andam bem e confira como alcançar tal independência

Arquivo
Domingues, no lançamento do audiolivro. Segundo ele, independência financeira é quando se trabalha por prazer, ou lazer

"independencia financeira é quando se trabalha por prazer, e não por necessidade de seu ganho. Para isso, é preciso ter um montante aplicado cujos juros paguem de duas a três vezes o seu padrão de vida mensal. Não é dinheiro de bilionário, não é ser rico. É dizer que você pode se sustentar de ganhos que não dependam do seu trabalho." Esse conceito de "independência financeira" é de autoria de Reonaldo domingos, consultor financeiro. Se esse tipo de indepedência só se consegue quando o sujeito não precisa mais trabalhar para se sustentar, então a sociedade está andando pelo caminho errado. O que ela precisa é poupar, e não usar e abusar dos creditos desponhiveis. "As pessoas precisam ter uma reserva, a reserva da independência financeira. Por isso elas nunca param de trabalhar. E hoje vivem até os 100 anos!", afirma Domingos.

Arquivo

Ele é autor do livro Terapia Financeira, que ganhou a versão em audiolivro no começo de outubro. Na publicação, o consultor sugere que o ouvinte siga a Metodologia de educação Financeira, "que leva qualquer pessoa à sua independência financeira". DiSOP significa Diagnóstico, Sonho, Orçamento e Poupança, os quatro pilares para o endividado se tornar um feliz InvestidorPrimeiro, é preciso relacionar todas as despesas do dia, durante três meses, no máximo. Diante do relatório de gastos, avaliar quanto se gasta em supérfluos, bobagens e evitáveis. Essa é a tarefa mais difícil, uma vez que as pessoas temem saber ou encarar seus gastos reais. A pessoa tem medo de sua verdadeira situação financeira, de descobrir como ela chegou a tamanho grau de endividamento. "Ela diz: 'já estou devendo mesmo, nem quero ver'. Permanece em desequilíbrio financeiro e não quer encarar o problema", diz Domingos.

Depois do primeiro choque, a próxima tarefa se torna prazerosa: relacionar todos os seus sonhos de consumo. Um carro? Uma viagem? Uma casa? Uma roupa de festa? Qualquer que seja o sonho, ele custa dinheiro e a sua compra deve ser muito bem planejada. Depois, é preciso colocar tudo na ponta do lápis e montar o orçamento mensal. Manter o equilíbrio entre quanto se ganha e quanto se gasta é importante, mas mais importante ainda é saber poupar – para os sonhos. Adequar seu padrão de vida ao que se ganha é fundamental. "Você não pode aumentar seu padrão de vida porque ganhou um pequeno aumento", afirma o consultor.


Além da quantia destinada ao sonho, também é preciso separar um tanto para o investimento que vai proporcionar a tal independência financeira. O que sobrar vai para gastos fixos e, quem sabe, até os supérfluos. Parece fácil, mas exige muita disciplina. "Se você fizer o dignóstico por um período de 30 a 90 dias por ano, já está bom. Mas todo ano tem que atualizar, porque o padrão de vida tende a subir", afirma.O primeiro item que deve constar do orçamento é a parcela para a realização do sonho. "Eu sou sempre a favor de se pagar à vista, porque você ganha mais descontos", diz Domingos. Se a pessoa guarda uma quantidade "x" durante "y" meses, conseguirá "comprar o sonho" à vista e com desconto. Mas as pessoas são ansiosas e sofrem pressão do marketing e do crédito facil, que acabam por facilitar a compra impensada, o consumo imediato, que costuma quebrar o equilíbrio das finanças. Com isso, compra-se um bem que não estava planejado e com dinheiro que nem existe.

Domingos preparou um teste que indica qual é a sua condição financeira atual: endividado, equilibrado financeiramente ou investidor. Se o resultado for uma das duas primeiras opções, melhor começar a pensar mais seriamente sobre o DiSOP. Deu certo para Domingos, que nasceu em família humilde no interior de São Paulo e conquistou sua independência finaceira aos 37 anos – a melhor propaganda para o seu método.


Nossa Senhora segundo os gays

Está circulando na Espanha um calendário com imagens de Nossa Senhora, todas elas interpretadas sob a ótica transexual. Faz parte de um projeto da Associação Espanhola dos Direitos dos Gays, que pede ao governo que organize as comemorações dos feriados religiosos com eventos culturais e políticos.Sugere, por exemplo, que 25 de dezembro (Natal) seja declarado oficialmente o dia da democracia.

A mulher do futuro será mais baixa

Estudo da Universidade de Yale projeta as mulheres no futuro. Segundo os cientistas, elas serão mais baixas e mais pesadas, terão coração bem saudável e período reprodutivo mais extenso ao longo da vida. Tais mudanças mostram que o processo evolutivo ainda atua sobre os seres humanos. O biólogo evolucionista Stephen Stearns analisou o histórico médico de 14 mil habitantes da cidade de Framingham (Massachusetts). Cruzou esses dados (a partir de 1948) com os de 2,2 mil mulheres. Verificou alterações de peso, altura e pressão arterial devido a fatores sociais e culturais. Concluiu que, se a tendência se mantiver, a mulher em 2409 será dois centímetros mais baixa e um quilo mais pesada em relação aos dias atuais.

O fator humano

Moram na Amazônia 25 milhões de pessoas,
a grande maioria em áreas urbanas. É dessa
gente que depende o futuro da maior floresta
tropical do planeta. Veja quem são e como
vivem os atuais desbravadores do norte do Brasil

Nos anos 70, durante o auge dos grandes projetos de infraestrutura implantados pelos governos militares, a Amazônia era conhecida como o inferno verde. Uma mata fechada e insalubre, empestea-da de mosquitos e animais peçonhentos, que deveria ser derrubada a todo custo – sempre com incentivo público – pelos colonos, operários e garimpeiros que se aventuravam pela região. Essa visão mudou bastante nas últimas duas décadas, à medida que os brasileiros perceberam que a região é um patrimônio nacional que não pode ser dilacerado sem comprometer o futuro do próprio país. Com seus 5 milhões de quilômetros quadrados, a Amazônia representa mais da metade do território brasileiro, 3,6% da superfície seca do planeta, área equivalente a nove vezes o território da França. O Rio Amazonas, o maior do mundo em extensão e volume, despeja no mar em um único dia a mesma quantidade de água que o Tâmisa, que atravessa Londres, demora um ano para lançar. O vapor de água que a Amazônia produz por meio da evaporação responde por 60% das chuvas que caem nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Mesmo agora, com o reconhecimento de sua grandeza, a Floresta Amazônica permanece um domínio da natureza no qual o homem não é bem-vindo. No entanto, vivem lá 25 milhões de brasileiros, pessoas que enfrentaram o desafio do ambiente hostil e fincaram raízes na porção norte do Brasil. Assusta observar que, no intenso debate que se trava sobre a melhor forma de preservar (ou, na maior parte das vezes, ocupar) a floresta, esteja praticamente ausente o maior protagonista da saga amazônica: o homem. É uma forma atravessada de ver a situação, pois o destino da região depende muito mais de seus habitantes do que de papelórios produzidos em Brasília ou da boa vontade de ONGs. A prioridade de todas as iniciativas deveria ser melhorar a qualidade de vida e criar condições econômicas para que seus habitantes tenham alternativas à exploração predatória. Só assim eles vão preservar a floresta em vez de destruí-la, porque terão orgulho de sua riqueza natural única no mundo.

A exuberância da natureza contrasta com a qualidade de vida dos amazônidas. A imagem idílica do caboclo que vive no paraíso tropical e nele quer permanecer só tem correspondência com o mundo real na imaginação de quem vive longe dali. Mesmo aquele que mora em pontos distantes, só acessíveis por barcos, assiste às novelas em televisores com antenas parabólicas e energia elétrica proveniente de geradores a óleo diesel. É natural que queira viver com os confortos modernos presentes no Sudeste, e não como uma relíquia viva do século passado. O ribeirinho, assim como o índio em sua aldeia, prefere cozinhar em fogão a gás, nem que para isso precise pagar por esse conforto com bens retirados da floresta. Em áreas rurais, a ausência de comércio e de dinheiro faz do escambo uma forma corriqueira de abastecimento da população. Um gerador, para manter a TV ligada por duas horas, consome 1 litro de diesel, que no mercado local pode ser trocado por um "bicho de casco" – em geral o tracajá, tartaruga que pode alcançar 8 quilos e é um petisco tradicional. Como explicar a essas pessoas que caçar animais que há gerações são parte da dieta local é agora um crime ambiental?

Depois do período colonial, a primeira grande onda migratória para a Amazônia ocorreu na virada do século XIX para o XX. Hordas de flagelados por três secas sucessivas no Nordeste foram enviadas para extrair o látex. Estima-se que entre 300 000 e 500 000 tenham se instalado na floresta. O fim do ciclo da borracha não apenas deixou os seringueiros abandonados, mas também arruinou a elite bem-educada, europeizada, de Manaus e Belém. Durante a II Guerra, para aproveitar uma curta crise no fornecimento de borracha, mais 150 000 pessoas foram despachadas para o Acre, Amazonas e Pará. A terceira e mais importante onda migratória foi incentivada pelos militares nos anos 70. A Zona Franca de Manaus, o avanço da agricultura e da pecuária e os assentamentos do Incra são agora os atrativos para a transferência de tantos brasileiros para a região.

Esses migrantes, somados aos indígenas e moradores antigos, mesclaram-se para formar um "Homo amazonius", o brasileiro adaptado à região. O país não o entende muito bem. As políticas para a Amazônia geralmente focam a população rural, o chamado povo da floresta. Esse modo de pensar podia fazer sentido no início dos anos 70, quando apenas 3,5% dos habitantes da região viviam em áreas urbanas. Nas últimas três décadas, o perfil demográfico se transformou em ritmo acelerado. Hoje, 73% da população vive nas cidades – e seus problemas são similares aos dos habitantes de qualquer cidade do Sul ou do Sudeste, só que agravados pela falta de serviços básicos de infraestrutura.

As soluções que propõem manter o homem no mato, sem possibilidade de progresso pessoal, mostram resultados pífios. O exemplo mais flagrante é o das reservas extrativistas de subsistência, uma receita criada pelo líder seringueiro Chico Mendes nos anos 80. Há hoje 86 dessas reservas, habitadas por 300 000 pessoas. Visto que colher látex e castanhas se mostrou insuficiente para garantir uma vida digna, ocorre por lá uma volta a atividades mais lucrativas: derrubar as árvores, vender a madeira, abrir campos de pasto para o gado. Estima-se que algumas dessas reservas extrativistas já tenham perdido 20% da cobertura vegetal e abriguem 40 000 reses. O bom exemplo de sucesso está na outra ponta – aquela que prospera de costas para a floresta. A Zona Franca de Manaus, criada em 1967, concentra 550 indústrias modernas, que, no ano passado, alcançaram um faturamento de 60 bilhões de reais. Uma riqueza produzida sem que seja necessário derrubar uma única árvore. A instalação da Zona Franca de Manaus é apontada como uma das principais causas de o estado do Amazonas ser o menos desmatado da Amazônia. Seu exemplo poderia ser replicado na região com a criação de outras indústrias limpas, como as ligadas aos setores farmacêutico e de biotecnologia.

Qualquer projeto que pressuponha o desenvolvimento com sustentabilidade da Amazônia precisa incluir o desmonte de uma parcela considerável das termelétricas alimentadas a óleo diesel que fornecem a maior parte da energia para a região. Embora a Amazônia seja classificada como o pulmão do mundo, suas termelétricas despejam anualmente na atmosfera 6 milhões de toneladas de dió-xido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa. Isso equivale ao dobro do que despeja no ar todo ano a frota de veículos da cidade de São Paulo. Numa região com tantos rios caudalosos, é preciso que as hidrelétricas respondam pela maior parte da energia. A principal vítima da hegemonia das termelétricas na Amazônia é, mais uma vez, a população. Há escolas que são obrigadas as transferir os alunos do turno da noite para o da manhã porque não há óleo diesel suficiente para mover o gerador e iluminar as salas de aula.

Vivem na Amazônia 400 000 índios de quase 200 etnias e em diferentes níveis de contato com a sociedade brasileira. As setenta tribos que permanecem isoladas em pontos remotos representam menos de 1% desse universo. Setenta e cinco por cento dos indígenas vivem na floresta. Mesmo assim, os índios também não querem saber de permanecer na pré-história. "Os que continuam na aldeia querem trazer a cidade para dentro dela", diz Almir, cacique da etnia suruí, de Rondônia. Os computadores e a internet estão presentes em muitas aldeias. Em toda a Amazônia, índios usam a rede mundial para vender artesanato, estudar e reivindicar direitos. "Para ter influência política, a internet é melhor que o arco e flecha", diz Almir, que no ano passado fechou um acordo com o Google para mapear as terras de sua tribo. Vinte e cinco por cento dos índios da Amazônia vivem nas cidades e muitos vão parar nas favelas e palafitas. A população indígena de Manaus já é mais numerosa do que a da maioria das reservas, com mais de 12 000 índios.

Um dos principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia é que parte significativa dela é um território sem lei. Apenas 4% das terras da Amazônia têm títulos de propriedade. Numa imensidão que corresponde a 59% do território brasileiro, ninguém sabe quem é o dono da terra e quem a ocupa. "Não há exemplo no mundo de região que tenha se desenvolvido economicamente sem segurança jurídica", diz o filósofo Denis Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Em um ambiente de insegurança, as pessoas deixam de fazer investimentos a longo prazo para buscar apenas o benefício imediato", ele completa. Sem eliminar a anarquia legal e jurídica, fica difícil garantir a preservação da floresta ou preparar o terreno para melhorar a qualidade de vida do povo da Amazônia.


Como o divórcio mais polêmico dos EUA afeta você




Você sabe quem são os Gosselin? Eles são o casal do momento nos Estados Unidos. Ou melhor, o ex-casal. Pais de oito filhos – duas gêmeas de 9 anos e sêxtuplos de 5 anos – eles estrelam desde 2007 o reality show “Jon & Kate Plus 8” (Jon e Kate mais 8), exibido no Brasil pelo canal fechado Discovery Home & Health. Mas nunca fizeram tanto sucesso quanto nesta última temporada. Em junho, eles anunciaram em um episódio especial de 1 hora que estavam se divorciando. E olha que esse foi o capítulo mais decente de todo o processo de separação.

Dos rumores à confirmação, os Gosselin estampam semana após semana capas de revista americanas (até agora foram mais de 50) com cada lance do fim de seu casamento. Kate diz que foi Jon quem quis terminar. Ele diz que foi ela. O público especula quem traiu primeiro. Teria Jon se entregado à vida boêmia depois que se levantou a hipótese de Kate o ter traído com o segurança do casal, Steve Neild? Ou Kate teria passado a desprezá-lo porque Jon se cansou da rotina maluca de uma família com oito crianças? Quem acompanha o programa nota a tensão entre o casal desde os primeiros episódios. Nos depoimentos conjuntos de Kate e Jon, que servem como linha narrativa de cada capítulo, Kate quer falar mais do que o marido. Manda ele ficar quieto. Dá tapinhas. Jon tenta se defender. Mas é visível que, ao passar de cada temporada (já estamos na quinta), Kate se sente cada vez mais à vontade em frente das câmeras. E Jon, mais desconfortável com a situação.

Os últimos desdobramentos do caso incluem Kate chorando em programas de entrevista (ainda com a aliança no dedo. “Pelos filhos”, ela diz), acusações de quem ficou com o dinheiro (Kate acusa Jon de ter limpado a conta conjunta do casal) e o anúncio de que Jon estaria sendo processado pela rede de televisão que produz o programa, a TLC (ele se recusa a aparecer nas próximas temporadas). Por hora, o programa deve passar a se chamar “Kate Plus Eight” e promete altas audiências na próxima temporada, que começa em 9 de novembro. O porquê é difícil de entender: existe situação mais chata do que ver briga de casal? Por que é, então, que o assunto desperta tamanho frenesi nas pessoas, a ponto de se tornar o assunto mais comentado nos Estados Unidos, que passa pela pior crise econômica das últimas décadas? E esse não é o primeiro divórcio que mobiliza a opinião pública (Confira a galeria dos divórcios mais polêmicos dos últimos tempos logo abaixo).

Eu,não deveria estar pensando nesse assunto. Mas fiquei tão intrigado com a importância que as pessoas dão ao divórcio dos outros que resolvi perguntar ao terapeuta de casais Amaury Mendes Junior qual é a explicação para esse fenômeno. “É mais fácil olhar para os outros do que para nós”, ele me disse. “Quando projetamos situações e defeitos nas outras pessoas, é como se quiséssemos dizer para nós mesmos que aquilo é normal, que também acontece com os outros.” Em resumo, nos importamos com o divórcio dos outros porque não queremos que isso aconteça conosco. É claro que passar pelo desgaste de uma separação não é nada agradável. Ninguém quer ver desaparecer um plano de vida traçado a dois com tanto carinho.

O pavor em relação ao divórcio revela um paradoxo. O discurso politicamente correto aceita o divórcio como algo natural, defende que é melhor acabar com o casamento para que ambos possam ser felizes. Mas a pressão da sociedade ainda diz que o certo é permanecer junto “até que a morte os separe”. “Essa pressão está em todo lugar. É só reparar”, diz Amaury. “O porteiro do prédio trata com mais respeito a mulher com uma aliança no dedo.” O resultado dessa pressão é que as pessoas estão mais preocupadas em cumprir o papel que elas acreditam designado a elas – casar, ter filhos e envelhecer – do que criar vínculos verdadeiros com alguém. Igualzinho no tempo da minha avó. Só que no século XXI. “Daí as pessoas casam e depois se separam”, diz Amaury.

Se as pessoas pensassem no divórcio como uma possibilidade natural e não um tabu, talvez se lembrassem de que para manter um casamento é necessário cuidado e dedicação (a afetividade do dia a dia, a sexualidade afiada debaixo dos lençóis e os objetivos comuns a longo prazo). E, com uma relação bem-cuidada, talvez as chances de passar pelo desgaste da separação diminuam. É por isso que eu já decidi: vou me casar pensando no divórcio (e que o padre e a minha mãe não leiam isso!).


Tudo pela Amy ou tudo tem limite?

Há algum tempo me pergunto: o que faz com que pessoas sãs montem acampamento na porta dos locais onde seus ídolos se apresentarão dali a vários dias, semanas e até meses? Poder ficar mais pertinho deles e ver que eles são tão reais quanto você e eu? Ter mais chances de segurar em sua mão, ganhar uma piscadela, uma camiseta suada ou uma baqueta carcomida? Isso tudo realmente vale a pena em troca de atravessar noites chuvosas dentro de uma barraca ou comer a marmita fria que o busão amassou?

Os fãs do Evanescence acreditam que sim, vale MUITO a pena. Desde sábado passado, dia 17 - repito: desde o dia 17 - cerca de 30 jovens acampam ansiosamente em um dos portões da Chacára do Jockey, na Av. Pirajussara, zona oeste de São Paulo, segundo assessoria do festival Maquinaria. É lá que vai acontecer o próximo show da banda gótica liderada por Amy Lee, marcado para acontecer no dia 8 de novembro. Sim, ainda faltam duas semanas.

Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de constatar o fato, especificamente atuado por fãs do grupo de Little Rock, Arkansas, nos Estados Unidos. Em show ocorrido no dia 21 de abril de 2007, aproximadamente o mesmo número de garotos e garotas vindos de grande parte do Brasil e da periferia de São Paulo tinham se mudado temporariamente para o Parque Antarctica, onde Evanescence se apresentaria dali 12 dias. Desta vez bateram o próprio recorde (serão 17 dias de espera).

E eu continuo me perguntando: é a falta do que fazer ou é muito amor para sacrificar?

Ela é a Amy


Polícia corrupta,omissa e desumana

A ação criminosa de cabo e capitão choca o País, o Estado reage com firmeza e abre guerra à banda podre da PM do Rio


Contra-ataque Comando da PM agiu de forma rápida e exemplar

O País todo assistiu estarrecido aos vídeos de quatro câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais de uma rua do Rio de Janeiro nos quais se veem dois bandidos assaltando e matando um homem e, ato contínuo, dois PMs roubando os ladrões - que, ao final, seguem calmamente e em liberdade.

A vítima é o coordenador do AfroReggae, Evandro João Silva, 42 anos, e a tragédia aconteceu na madrugada do domingo 18, na rua do Carmo, no centro. Se isso não fosse suficiente para atingir em cheio a alma de qualquer cidadão, duas novas informações, dadas posteriormente, completariam o trabalho.

A primeira: Silva talvez pudesse ter sido salvo, já que ainda se movimentava quando a viatura policial passou e não prestou socorro. A segunda: um dos policiais é capitão e sua função era justamente fiscalizar os PMs que trabalhavam naquela região naquela madrugada. A reação do governo e do comando da PM foi firme e imediata. Os policiais envolvidos são o capitão Dennys Leonard Nogueira Bizarro e o cabo Marcos de Oliveira Salles, e ambos já estão presos administrativamente.

Os assassinos continuavam foragidos até o fechamento desta edição, na sexta-feira 23. O cadáver de Silva foi sepultado no cemitério do Caju. Agora, são só lágrimas: a família dele chora, os integrantes do AfroReggae choram, e até outros bandidos em presídios manifestaram tristeza e comoção. Silva desenvolvia o projeto Rebelião Cultural para os carcerários em Bangu II, III e IV.

A sociedade, de modo geral, também está de luto e se indigna. A reação do governador Sérgio Cabral não foi diferente de qualquer outro cidadão. "Vagabundos! Safados!" foram alguns dos termos usados por ele para extravasar sua revolta. Partiu do governador a decisão de demitir o relações-públicas da Polícia Militar do Rio, o major Oderlei Santos, que classificou o episódio de mero "desvio de conduta". Cabral disse que "ele se comportou como um advogado de defesa de policiais" e reagiu com veemência: "Isso eu não admito.

Há registros contundentes de um mau comportamento de um capitão e policiais militares, mas temos a grande maioria combatendo o crime, dando as suas vidas." Sobre os PMs criminosos, o governador disse o que todos esperavam ouvir: "Têm que ser banidos da corporação e responder criminalmente pelo que fizeram."

PAPEL TROCADO Cabo Marcos Salles é detido após imagens irem ao ar

O horror gerado pelo fato registrado nas câmeras, segundo a psiquiatra Vera Lemgruber, provoca apatia, sensação de desânimo, inutilidade, desamparo, incapacidade de reação - os sentimentos são individuais, mas o fenômeno é coletivo.

"Essas sensações podem levar à depressão e se alastrar para outras áreas da vida, como a profissional e a pessoal", diz ela. A longo prazo, o efeito catastrófico se pulveriza na "certeza" de que "nada adianta" e de que ninguém presta.

Ação e habilidade para lidar com o caso é o que pede o coordenador-executivo do grupo AfroReggae, José Júnior. À ISTOÉ, ele disse que tudo o que vimos até agora pode ser apenas a ponta do iceberg. "Um capitão não iria se sujar por uma jaqueta e um par de tênis. Quando os policiais achacaram os bandidos, só um criminoso é liberado.

Cadê o outro? Isso deu a entender que os PMs soltaram um deles para arrumar dinheiro. Seria uma espécie de pagamento de resgate", raciocina ele. O chefe do Ministério Público do Rio, procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes, pede pena de latrocínio para todos os envolvidos, tanto os policiais militares quanto os bandidos. "Merecem uma condenação por latrocínio, como dispõe o Código Penal." O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Luiz Zveiter, fala sobre a possibilidade de uma parceria imoral entre os policiais e os bandidos.


AIG paga US$ 12,1 bi de bônus e prêmios

NOVA YORK, EUA (AFP) - A seguradora americana AIG, que escapou da falência graças a uma ajuda estatal de 170 milhões de dólares, pagou US$ 12,1 milhões a um grupo de diretores, segundo um documento enviado à autoridade de mercados financeiros.

No texto, a empresa afirma que seu comitê de remunerações autorizou na sexta-feira a liberação de pagamentos contratuais que haviam sido suspensidos voluntariamente pela AIG.

O governo dos Estados Unidos deve impor fortes cortes no pagamento dos diretores das sete empresas que receberam mais ajuda estatal desde setembro de 2008.

Estas empresas terão que reduzir em 50% na média a remuneração total paga aos 25 executivos de melhores salários, segundo o plano aprovado por Kenneth Feinberg, nomeado pelo presidente Barack Obama para controlar os salários nestas companhias.


PT e PMDB firmam acordo para 2010

Em nota, partidos confirmaram nesta quarta-feira (21) o acerto firmado na noite de terça para formar chapa em 2010. Michel Temer (PMDB-SP) pode ser o vice de Dilma Rousseff
Roosewelt Pinheiro/ABr
NA DISPUTA O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), é um dos cotados para ser candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff
O PT e o PMDB divulgaram nesta quarta-feira (21) uma nota oficial a respeito do acordo de cúpula que prevê uma aliança para a disputa da eleição presidencial de 2010. Como afirmaram representantes das legendas na noite de terça-feira (20), após jantar no Palácio da Alvorada, em Brasília, o PMDB deve ter o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

No documento, PT e PMDB se comprometem a “construir aliança programática e eleitoral para o pleito presidencial”; compor, “necessariamente, a chapa de Presidente e Vice”; compartilhar a “coordenação de campanha e a elaboração do programa de governo”; e levar o “pré-compromisso às suas instâncias partidárias, construindo soluções conjuntas para as alianças regionais”.

O acordo entre os dois partidos é um firme passo na direção de uma eleição plebiscitária, desejo manifestado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos planos de Lula, a base de seu governo teria apenas um candidato – Dilma – que enfrentaria o candidato da oposição, encabeçada pelo PSDB, seja ele o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas Gerais, Aécio Neves.

O provável lançamento da senadora Marina Silva pelo PV e, principalmente, a possível candidatura do deputado federal Ciro Gomes (CE) pelo PSB dificultaram a hipótese da eleição plesbiscitária. Ao firmar o acordo com o PMDB, além de evitar que o partido tome o rumo da candidatura do PSDB – como já fez a ala liderada pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, que anunciou apoio a Serra – o PT tenta isolar o PSB de Ciro Gomes.

Se conseguir o apoio de outras legendas, como PP, PRB e principalmente PDT e PC do B, que formam o chamado “bloquinho” com o PSB, o PT pode inviabilizar a candidatura de Ciro Gomes, tanto pela falta de apoio político como pela falta de tempo no horário eleitoral. Se isso ocorrer, Lula pretende que Ciro, que trocou seu domicílio eleitoral para São Paulo, concorra à sucessão de Serra para enfraquecer o PSDB no Estado em que é muito forte.

A aposta de Ciro Gomes para evitar este cenário é que a união entre o PMDB e o PT fracasse. “Espero que o PMDB entregue o que está prometendo. Historicamente, desde sempre isso não acontece”, afirmou Ciro Gomes ainda na terça-feira (20). “E espero que os argumentos dessa aliança sejam confessáveis”, disse. Nas últimas eleições presidenciais, o PMDB liberou seus filiados para apoiar qualquer um dos candidatos, tendo em vista o grande número de lideranças regionais influentes que o partido possui.

O PSDB também conta com as dissidências internas do PMDB para minar o apoio à Dilma Rousseff, como Aécio Neves deixou claro em entrevista à Agência Estado. “Acredito que vão prevalecer as alianças regionais. O PMDB é nosso aliado em muitos Estados”, afirmou.

Foi em 9 de outubro do ano passado

Agenda da ex-secretária da Receita Federal registra o dia em que ela se
reuniu com Dilma para tratar de uma investigação contra a família Sarney


Fotos Wilson Pedrosa/AE e Joedson Alves/Folha Imagem
HISTÓRIAS DIFERENTES
Lina Vieira anotou em sua agenda pessoal a data e o assunto da reunião no Palácio do Planalto, que a ministra Dilma Rousseff (à dir.) nega ter existido


Em agosto passado, primeiro numa entrevista e depois em depoimento no Congresso, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira acusou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de tê-la convocado para uma reunião no Palácio do Planalto. Na conversa, a ministra teria pedido que Lina interferisse no andamento de uma investigação tributária que incomodava a família do presidente do Senado, José Sarney. Se comprovado, o encontro criaria sérios constrangimentos legais à ministra, pré-candidata do PT à Presidência da República. Dilma, porém, sempre negou com veemência a existência da reunião. A ex-secretária, por sua vez, nunca apresentou provas convincentes, além do próprio testemunho, de que a conversa realmente existira. O dia? Lina não se lembrava. O mês? Lina dizia que fora próximo ao fim de 2008, talvez em dezembro. Quando questionada sobre a imprecisão, justificava afirmando que todos os detalhes estavam registrados em sua agenda pessoal. E a agenda? Perdida em meio a uma infinidade de documentos empilhados quando de sua mudança de Brasília para Natal, onde mora. Dois meses após deixar todas essas perguntas no ar, a agenda que pode ajudar a aclarar o caso finalmente apareceu - e, segundo Lina, mostra o dia, a hora e o assunto tratado no encontro com a ministra-chefe da Casa Civil.

A ex-secretária da Receita fez uma anotação a mão em 9 de outubro de 2008, logo em seguida à reunião com Dilma. Ela escreveu: "Dar retorno à ministra sobre família Sarney". De acordo com um amigo de Lina, a quem ela confidenciou ter achado a agenda, bem como detalhes ainda não revelados sobre o encontro, a reunião ocorreu pela manhã, próximo ao horário do almoço, fora da relação de compromissos oficiais da ministra. Convocada às pressas para a reunião, a ex-secretária conta que chegou a desmarcar o bilhete de um voo entre Brasília e São Paulo, emitido para o início da tarde de 9 de outubro, por causa da convocação inesperada. A passagem foi reemitida para as 19h30, quando Lina embarcou com destino a São Paulo. A ex-secretária também está de posse de outro documento que, acredita, pode esclarecer quem está falando a verdade. Trata-se de um CD-ROM com todas as mensagens eletrônicas trocadas entre ela e seus assessores durante os onze meses em que comandou a Receita Federal. Procurada por VEJA em Natal, Lina disse que a polêmica com Dilma produziu grandes transtornos a ela e sua família e que, por isso, não gostaria mais de se manifestar sobre o caso. "Agora eu só falo sobre esse assunto ao Ministério Público, caso seja convocada", afirmou.

Fotos Celso Junior/AE e Dida Sampaio/AE
COMPANHEIROS
Franklin Martins e o senador José Sarney: o ministro diz que é mentira a versão de que o governo tentou ajudar a família do senador na Receita


A descoberta da agenda de Lina acontece em um momento especial para a ministra Dilma Rousseff, que, com a saúde recuperada, volta a empinar sua candidatura à Presidência. Apesar de ainda patinar nas pesquisas, a ministra tem conseguido apoios importantes, resultado de sua dupla jornada como ministra e candidata à sucessão de Lula. Nos últimos dez dias, sempre fora de seu expediente como ministra, Dilma, a candidata, abraçou Jader Barbalho no Pará, discursou numa conferência do PCdoB na Bahia, seduziu PDT e PR em jantares individuais em Brasília e fez as últimas costuras em torno do anúncio, previsto para esta semana, no qual o PMDB vai declarar a intenção de apoiar sua candidatura à sucessão do presidente Lula. A candidata ainda arrumou tempo para ser homenageada em um culto evangélico em São Paulo e, quatro dias depois, tomar um banho de "axé" numa igreja da Bahia. A agenda de Dilma, a candidata, está cada vez mais parecida com a agenda de Dilma, a ministra. Na semana passada, ao acompanhar o presidente Lula em uma visita de três dias a Pernambuco, a ministra dormiu em um barracão, fez discursos exaltados e chegou a participar de "inauguração" até de auditório de canteiro de obra. A obra, a transposição do Rio São Francisco, teve apenas 15% de sua totalidade executada até agora. Ainda que a ministra não seja oficialmente candidata, a estrutura de sua campanha impressiona. Dilma já tem marqueteiro (João Santana, o mesmo de Lula), dois coordenadores de campanha (o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel) e um guru para a internet com fama internacional (Ben Self, uma das estrelas da campanha que ajudou a eleger Barack Obama presidente dos Estados Unidos em 2008). O estrategista informal é Fran-klin Martins, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação.

O registro feito pela ex-secretária em sua agenda pessoal não é, obviamente, prova irrefutável de que a reunião realmente ocorreu e, consequentemente, de que Dilma não disse a verdade. Mas sua existência é um avanço considerável, sobretudo quando analisado em conjunto com informações já conhecidas. Na ocasião da denúncia, Lina chegou a ser desafiada por Franklin Martins, que a chamou de mentirosa. Em agosto passado, o senador Romero Jucá, um dos principais defensores do governo no Congresso, divulgou um relatório com as entradas oficiais de Lina no Palácio do Planalto. De acordo com Jucá, a ex-secretária esteve no Planalto quatro vezes - em outubro de 2008 e nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. O único ingresso registrado no ano passado, portanto, ocorreu em 9 de outubro, às 10h13. Lina, segundo os registros oficiais, deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia. Na época, interessava ao governo divulgar a informação porque, embora afirmasse não lembrar com exatidão a data do encontro, Lina dizia que a reunião teria ocorrido no fim do ano, provavelmente em dezembro. A falta de registro de um ingresso de Lina naquele mês, portanto, seria um indício de que a ex-secretária mentia ao confirmar o encontro com a ministra. Agora, com o surgimento da agenda, e da anotação de que o encontro com Dilma ocorreu no mesmo dia 9 de outubro, a tentativa de desmentir a ex-secretária pode acabar confirmando sua versão.


DJ de mentirinha?

O modelo Jesus Luz, que ganhou fama internacional desde que começou a circular com a pop star Madonna, ia bem com a sua nova profissão de DJ - atualmente, ele excursiona pelo País e cobra cachê de R$ 18 mil por meia hora.

Acontece que, na semana passada, o DJ alemão Roman Boeer escreveu no Twitter que Jesus é uma farsa que finge tocar. "Ele usa um CD pronto e age como se estivesse mixando", escreveu ele, que se referiu ao brasileiro como "o brinquedinho sexual de Madonna". Por meio de sua assessoria, Jesus não rebateu as críticas e convidou o público a conferir sua performance.


Tela mostra rainha Vitória jovem e bonita

O quadro pintado pelo artista alemão e uma foto da rainha Victoria em 1887 (Foto: Reprodução / AP)

Está em exposição no Palácio de Buckingham, em Londres, um retrato nunca antes mostrado da rainha Vitória (1819-1901). O quadro pintado em 1843 mostra a rainha - mais conhecida pelas imagens de quando já era mais velha - aos 24 anos, com longos cabelos castanhos e um rosto bem mais bonito.

A obra é de autoria do artista alemão Franz Xaver Winterhalter e foi escolhida pelo marido de Vitória, Albert, como seu quadro favorito. A tela é apenas uma dos 400 desenhos, fotografias e esculturas que estão expostos no Palácio de Buckingham. Também exibido na mostra, um dos jornais daquele tempo relata a alegria de Vitória ao aceitar o pedido de casamento feito por Albert. "Ele é perfeito em todos os sentidos", comemorava a rainha.

A mostra, intitulada Vitória e Albert: Arte e Amor, traz imagens da rainha desde sua ascensão ao trono, em 1837, até a morte de seu marido, em 1861. O curador da exposição, Jonathan Marsden, disse que o grande desafio é mudar a imagem melancólica da rainha. "A exposição vai revelar uma rainha Vitória com energia, apaixonada, jovem e que adorava a companhia de músicos e bailarinos", disse ele.


Um dia muito especial

A revista VEJA reuniu 500 personalidades
da política, da economia e da cultura
para pensar o Brasil. O debate deu origem às 40 propostas desta reportagem




Idéias contam. Ao longo de 40 anos, que se completam nesta quinta-feira, dia 11 de setembro, VEJA foi movida por essa convicção. Na terça-feira passada, a mesma crença nas idéias norteou a realização do seminário "O Brasil que Queremos Ser", que se dividiu em seis painéis: Educação, Meio Ambiente, Economia, Imprensa, Democracia, Raça e Pobreza e Megacidades. Os debates deram origem às 40 propostas que se encontram neta reportagem. Elas não pretendem ser uma receita final de país, mas o começo de uma discussão racional, suprapartidária e realista a respeito dos entraves que ainda impedem o Brasil de atingir seu potencial pleno de progresso.

Foi um dia especial. No palco, dezenove especialistas debateram. Além disso, quatro influentes lideranças políticas nacionais – o deputado Ciro Gomes, os governadores Aécio Neves e José Serra e a ministra Dilma Rousseff – apresentaram sua visão do que significa governar para as próximas gerações. O vice-presidente da República, José Alencar, discursou. Na platéia, cerca de 500 convidados acompanharam os debates. Entre eles, Garibaldi Alves, presidente do Senado, cinco ministros de estado, cinco governadores, líderes das maiores empresas brasileiras, publicitários e acadêmicos.

As propostas descritas nesta reportagem resumem as melhores sugestões produzidas no seminário e adiantadas nos discursos do dia. VEJA não considera encerrado o trabalho a que se propôs com o seminário "O Brasil que Queremos Ser", cujos melhores momentos podem ser vistos no site www.veja40anos.com.br. Também no site a discussão se manterá acesa e você, leitor, está convidado a continuar participando. Nos próximos meses, VEJA levará os painéis com os temas e as conclusões do seminário para debates em diversas universidades brasileiras. A revista vai conferir periodicamente, por meio de reportagens e entrevistas, o grau de aceitação de cada uma das 40 propostas, submetendo-as a um teste de realidade, avaliando sua viabilidade e progresso – e, quem sabe, dando como efetivamente implantadas algumas delas. Se isso ocorrer, o dia do seminário "O Brasil que Queremos Ser" terá sido, além de especial, histórico.

Pela meritocracia
O ministro Fernando Haddad, a secretária Maria Helena Guimarães e o economista Alexandre Scheinkman


Vitrines de oportunidades

Participar de feiras internacionais é o primeiro
passo para empresas que querem conquistar
o mercado externo



AFP
Feira Internacional de Tecnologia da Informação, em Hannover, na Alemanha: porta de entrada para o mercado europeu


NESTA REPORTAGEM
Quadro: Promover é preciso!

A conquista de novos mercados passa pela promoção dos produtos brasileiros no exterior – uma providência que apenas recentemente começou a ser adotada de forma agressiva e planejada pelas companhias nacionais. Uma das formas mais eficazes para obter resultados nesse campo é a participação em feiras e exposições internacionais. No ano passado, 8 500 empresas brasileiras participaram de 411 eventos no exterior, nos quais fecharam contratos no valor total de 3 bilhões de dólares. Em 2004, o número de empresas deverá chegar a 13 500 e o de eventos, a 500. A estimativa é que o valor das transações seja quatro vezes maior. "Feiras de negócios são uma ferramenta fundamental para o marketing das corporações que se orientam para o mercado externo", diz Juan Manuel Quirós, presidente da Agência de Promoção de Exportações (Apex). "Para as pequenas e médias empresas, a vantagem está na possibilidade de contatos e referências comerciais dificilmente encontrada em outras situações."

Há eventos específicos para praticamente todos os segmentos, como mostra o quadro publicado no final desta reportagem. Apenas na Alemanha são realizadas anualmente 150 feiras de alcance mundial, nas quais é possível não apenas divulgar produtos e serviços como também fechar bons negócios. Uma das mais tradicionais é a Feira Industrial de Hannover, visitada anualmente por 200 000 pessoas de dezenas de países. Das oitenta empresas brasileiras que participaram da edição deste ano, 37 firmaram contratos, com um volume total de 40 milhões de dólares – sem considerar as negociações de longo prazo.

A cidade alemã sedia também a CeBIT, a maior feira de tecnologia de informação, telecomunicações e software do mundo. Na edição realizada em março deste ano, as companhias brasileiras assinaram protocolos para negócios futuros no valor total de 6 milhões de dólares. A Itautec, que expôs seus produtos em um estande de 120 metros quadrados, vendeu caixas eletrônicos a clientes da África do Sul, Egito, Emirados Árabes e Índia. Nos últimos três anos, graças aos contatos feitos na feira, a gaúcha Perto Periféricos, que também é especializada em automação bancária, faturou 9 milhões de dólares com a exportação de equipamentos para 22 países, entre os quais Estados Unidos, Alemanha, Portugal e Espanha. "Esses eventos funcionam como porta de entrada para empresas estrangeiras que querem ganhar o mercado europeu", diz o empresário Constantino Bäumle, que representa feiras de Hannover no Brasil.

Fotos divulgação/Apex-Brasil
Festival de frutas brasileiras em loja do Carrefour na capital polonesa, Varsóvia, e estilistas de São Paulo com modelos na semana da moda brasileira em Moscou: novos mercados

Empresas de vários segmentos também têm conseguido conquistar novos mercados por meio de parcerias com a Apex, um dos braços do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior. O Brazilian Fruit Festival, elaborado em conjunto com o Instituto Brasileiro de Frutas, incentiva os fruticultores a participar de feiras internacionais, a investir em marketing e, sobretudo, a cuidar da qualidade dos produtos, para alcançar os padrões dos mercados mais exigentes – incluindo o cumprimento a normas fitossanitárias. Um dos primeiros resultados concretos é a parceria recém-firmada com a rede francesa de hipermercados Carrefour, que se comprometeu a ofertar frutas brasileiras em 9 000 lojas localizadas em dezoito países da Europa, Oriente Médio, Ásia e Américas. "Vamos aproveitar nossa condição de rede mundial para dar oportunidade aos bons produtores brasileiros de mostrar lá fora o sabor especial das frutas e sucos produzidos por aqui", afirma Arnaldo Eijsink, diretor de agronegócios do Carrefour.

Durante a penúltima semana de setembro, várias entidades que representam empresas dos setores de jóias, vestuário, calçados e cosméticos participaram de uma extensa programação em Moscou, toda voltada para a promoção de produtos brasileiros junto aos empresários russos. O ponto alto foi um desfile de moda com peças criadas pelos estilistas Amir Slama, Alexandre Herchcovitch e Walter Rodrigues. A intenção do governo brasileiro é aumentar a participação das empresas nacionais no bilionário mercado russo. O mercado local de têxteis, que movimenta 20 bilhões de dólares por ano, é um dos mais promissores. Apesar de ser o maior produtor mundial do setor, o Brasil se posiciona no 46º lugar entre os países que exportam roupas pré-fabricadas para a Rússia.

Devido ao sucesso da participação de empresas brasileiras em eventos internacionais, o governo federal decidiu abrir centros de distribuição de produtos brasileiros em pontos estratégicos do mundo. Começará por Miami, nos Estados Unidos, e Frankfurt, na Alemanha, no ano que vem. Em 2006, serão implantadas unidades em Dubai (Emirados Árabes), Johanesburgo (África do Sul), Varsóvia (Polônia) e Xangai (China). Cada centro terá custo mensal entre 15 000 e 35 000 dólares e abrigará trinta empresas, as quais terão no local um showroom e toda a logística necessária para escoar seus produtos nas respectivas regiões. "Nos primeiros dezoito meses, a Apex e o Banco do Brasil bancarão parte dos custos. Depois, as despesas ficarão por conta das empresas", informa o presidente da Apex, Juan Quirós.

O evento internacional mais expressivo realizado no Brasil é a Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada há onze anos em Ribeirão Preto, no interior paulista. Em 2004, o evento – principal termômetro do profissionalismo alcançado pelos agricultores e pecuaristas brasileiros – contou com 604 expositores, 10% dos quais estrangeiros. Foram realizadas também edições da feira em Rondonópolis (Mato Grosso), Rio Verde (Goiás) e Luis Eduardo Magalhães (Bahia). Os bancos que montaram agências nas quatro versões da Agrishow receberam propostas de financiamento no valor total de 3 bilhões de reais – valor equivalente ao orçamento anual de Belo Horizonte.

A Agrishow apresenta a milhares de visitantes o que há de mais moderno em tecnologia agropecuária em uso no mundo. Além de ficar expostas nos estandes, as modernas máquinas são submetidas a demonstrações de campo, lado a lado com marcas concorrentes e simulando todas as fases da lavoura, do preparo do solo à colheita. "A precisão hoje é um ponto importante na agricultura, e este é um momento único para comparar os diversos modelos e as mais avançadas tecnologias disponíveis no mundo", diz o presidente do Sistema Agrishow, Sérgio Magalhães.


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