"A marcha da maconha é legal"

O ministro do STF antecipa seu voto ao dizer que o cidadão tem o direito de defender sua posição em passeata


Fotos: roberto castro/ag. istoé; pedro ivo/ag. ist
A FAVOR
Para Mello, relator da ação de legalidade da droga, manifestação pública não é apologia

Quem visita o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello está acostumado a ouvir música clássica. O som de Franz Liszt é sua inspiração ao redigir os pareceres em processos sempre empilhados aos montes sobre as mesas, para tentar dar conta de um trabalho invencível. Aos 63 anos, sem esmorecer diante da infindável demanda jurídica, o ministro completa quatro décadas de dedicação ao que para muitos seria enfadonho ou repetitivo, mas, para ele, é paixão. Por isso é reverenciado no mundo jurídico. Ele não delega a redação de seus votos a ninguém e muitas vezes trabalha até as cinco horas da manhã. Homem de hábitos simples, um de seus maiores prazeres é comer hambúrguer no McDonald's.

Ao receber ISTOÉ, fez questão de demonstrar a revolta com o que está acontecendo no Senado. "Os atos secretos me preocupam não apenas como juiz, mas como cidadão desta República." Explicou que raramente aplica o sigilo aos processos dos quais é relator. Ao contrário, muitas vezes antecipa suas decisões. Revelou que votará a favor dos organizadores de passeatas pela descriminalização da maconha, acusados de apologia da droga. "Se o cidadão não pode expor seu argumento a favor do uso da maconha, ele está tendo o direito de opinião cerceado."

ISTOÉ - O que mais impressionou o sr. nesses 20 anos de Supremo Tribunal Federal? Celso deMello - A promulgação da Constituição em 1988 restabeleceu a confiança e a fé na excelência do regime democrático. Restabeleceram- se as liberdades públicas, suprimiram- se as restrições que até então haviam sido autoritariamente impostas e transformou-se o Judiciário num sujeito concretizador dos anseios que a Constituinte exprimiu. Deu-se ao Judiciário, e em particular ao STF, um poder excepcional. Veja o exemplo do mandado de injunção: foi o meio de que se valeu o STF para suprir omissões do Parlamento tão lesivas quanto as próprias ações do Poder Público que transgridem diretamente a ordem constitucional.

Houve um instante em que se criticou o denominado ativismo judicial do Supremo.

ISTOÉ - Há quem diga que a Constituição foi longe demais, pois havia grande peso de ideias progressistas. Seria necessária, então, uma revisão constitucional.
Mello - Melhor fora se a Constituição do Brasil fosse sintética e não analítica. Isso gerou uma situação que levou o professor Miguel Reale (jurista), tão logo foi promulgada a Carta, a apontar para a existência de um "totalitarismo normativo".

ISTOÉ - O ideal seria uma Constituição sucinta como a americana?
Mello - Eu diria uma Constituição mais sintética, como a que tivemos em 1891. Proclama-se que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, mas estamos nos defrontando diariamente com problemas de acesso do cidadão aos medicamentos e a práticas cirúrgicas. Até que ponto, considerada a cláusula da reserva do possível, já que o cobertor é pequeno, o Judiciário pode implementar políticas públicas ditadas pela Constituição na área da saúde?

Fotos: roberto castro/ag. istoé; pedro ivo/ag. ist
O cidadão deve exigir que os administradores sejam íntegros, os juízes incorruptíveis e os legisladores probos e honestos"

ISTOÉ - O sr. se refere a casos em que o Estado não cobre um tratamento?
Mello - Sim. Fui relator de muitos processos oriundos do Rio Grande do Sul contra o Estado, sob a administração petista, e contra o município de Porto Alegre, também sob a administração petista. Estado e município negavam aos seus cidadãos o acesso a medicamentos para portadores do vírus HIV. Muitas vezes eram pessoas desprovidas de recursos financeiros e o acesso ao Judiciário representava a diferença entre a vida e a morte. O STF reconheceu os recursos.

ISTOÉ - Outro caso que provocou muita polêmica nesses últimos anos do STF foi a taxação dos inativos.
Mello - Fui o relator da primeira ação direta de inconstitucionalidade dessa tributação, porque a contribuição previdenciária é um tributo. Entendemos que era inconstitucional a lei votada no governo Fernando Henrique, que impunha essa contribuição. Posteriormente, já no início do governo Lula, foi promulgada uma emenda à Constituição. No meu voto, eu dizia que uma lei não pode contrariar a Constituição, impondo novo desconto a quem já contribuiu e, em função de sua contribuição, obteve o benefício previdenciário. No segundo instante promulgouse a Emenda Constitucional 41. E eu fiquei vencido num longo voto.

ISTOÉ - O sr. acha a taxação dos inativos injusta?
Mello - A contribuição dos inativos é injusta porque o cidadão contribuiu durante o seu período de vida útil e agora sofre nova tributação quando deveria ter acesso integral ao benefício. O fato de o meu voto ter sido vencido não significa nada. Muitas vezes no voto vencido está plantada a semente para depois alterar a jurisprudência.

ISTOÉ - O inativo também não recebe reajuste igual ao das categorias de funcionários ativos.Mello - Embora devesse, porque a Constituição construiu um modelo de seguridade social que envolve três domínios distintos: o da saúde, o da assistência e o da previdência social. Em relação à saúde e à assistência, não há contribuição. Num acidente, a pessoa é levada ao hospital público e não precisa remunerar o hospital. A saúde não exige contribuição, a assistência não exige, mas a previdência exige.

ISTOÉ - Em que outros casos o sr. acha que o STF se equivocou?
Mello - Lembro-me que em 1989 surgiu a discussão em torno da fidelidade partidária. A exigência de fidelidade poderia ser imposta aos parlamentares eleitos ou os "trânsfugas" poderiam se beneficiar dessa verdadeira migração partidária, naquilo que o Flávio Bierrembach chamou de "turistas de legenda". O STF entendeu naquele momento que a fidelidade não gerava perda do mandato, fomos vencidos eu e o Paulo Brossard (ex-ministro). Passaram- se quase duas décadas e fui relator da mesma matéria. Coincidentemente, quem fez a sustentação oral em favor de que o desrespeito à fidelidade partidária gera a perda do mandato foi o ex-ministro Brossard como advogado. O tribunal, por 9 votos a 2, sufragou.

ISTOÉ - Nesses 20 anos de STF, qual foi o caso mais folclórico?
Mello - Uma questão penal envolvendo duas médicas do interior de São Paulo. O cachorro de uma delas comeu o gato da outra. Isso gerou um conflito de vizinhança que acabou provocando um ilícito penal que veio ao STF. Um caso patético.


O significado de “This is it”

A nova canção de Michael Jackson, “This is it” - lançada oficialmente hoje no site do cantor - é a prova de que o músico planejava um retorno em grande estilo aos palcos. Jackson morreu em Los Angeles em 25 de junho, aos 50 anos, quando encerrava os ensaios do show que levaria o nome da música. O material dos ensaios, realizados no Staple Center em Los Angeles, foi editado como longa-metragem, com estreia marcada para o próximo dia 28. Com o show, todo tipo de material promocional, inclusive o CD duplo com 20 faixas, todo de regravações. A exceção é “This is it”. Outra canção, “Shake your body (down the ground)”, foi lançada em 1976 e permaneceu desconhecida. O espetáculo seria uma espécie de adeus de carreira.

“This is it “ é a melhor canção de Jackson desde “Black or white”, lançada em novembro de 1991. E talvez representasse uma volta às origens. A música tem um arranjo leve, no estilo que Michael adotou no início de sua carreira. Os vocais remetem a “Rock with you”, do LP Off the wall, de 1979. A linha melódica é simples, a harmonia sem firulas e o refrão pega na hora no ouvido, como uma canção clássica da soul music. Não para menos. A música foi composta em 1976 por Jackson em parceria com Paul Anke, autor de “Diana”. Anka não foi creditado no CD, e está reclamando.

É mais uma vez uma balada de amor, com um toque messiânico (leia letra abaixo). “É isso aí, aqui estou/ Sou a luz do mundo, me sinto tão bem/ E tenho esse amor que posso sentir/ E eu sei que é real”. Esses versos tanto remetem ao amor terreno quanto ao divino. Será que Michael Jackson ainda tinha muito a mostrar? Ele realmente foi surpreendido pela morte, que tolheu o seu futuro como artista. Ouça e opine.

Confira a letra de “This is it”, de Michael Jackson

“This Is It” (Michael Jackson)

This is it, here I stand
I’m the light of the world, I feel grand
Got this love I can feel
And I know yes for sure it is real

And it feels as though I’ve seen your face a thousand times
And you said you really know me too yourself
And I know that you have got addicted with your eyes
But you say you gonna live it for yourself.

I never heard a single word about you
Falling in love wasn’t my plan
I never thught that I would be your lover
C’mon baby, just understand

This is it, I can say,
I’m the light of the world, run away
We can feel, this is real
Every time I’m in love that I feel

And I feel as though I’ve known you since 1,000 years
And you tell me that you’ve seen my face before.
And you said to me you don’t wnat me hanging round
Many times, wanna do it here before

I never heard a single word about you
Falling in love wasn’t my plan
I never thught that I would be your lover
C’mon baby, just understand

This is it, I can feel
I’m the light of the world, this is real
Feel my song, we can say
And I tell you I feel that way


Marionetes gigantes tomam conta de Berlim

A companhia francesa Royal de Luxe inverte o significado do símbolo que representa um títere. Fundada em Nantes em 1979 por Jean Luc Courcoult, a companhia vem impressionando milhões de pessoas em todo o mundo com suas marionetes gigantes. Elas caminham pelas ruas, parecem ter personalidades ímpares, desejos próprios e travar diálogos imaginários - os humanos, por sua vez, é que são os comandados por cordas invisíveis, capazes de manter os queixos caídos e os olhos arregalados enquanto assistem maravilhados às performances surrealistas.

Confira algumas imagens da “Reunião em Berlim”, ocorrida entre os dias 2 e 4 de outubro na capital alemã em comemoração aos 20 anos da queda do Muro. É torcer para esse universo mágico também pairar por aqui.

A Pequena Mulher Gigante passeia pela multidão - PHILIPP GUELLAND/AFP/Getty Images

A Pequena Gigante passeia pela multidão - PHILIPP GUELLAND/AFP/Getty Images

Na Rua Friedrich - DAVID GANNON/AFP/Getty Images

Na Rua Friedrich - DAVID GANNON/AFP/Getty Images

Usando uma capa de chuva amarela - AP Photo/Maya Hitij

Usando uma capa de chuva amarela - AP Photo/Maya Hitij

O Grande Gigante a a Pequena Mulher Gigante diante do Portão de Brandenburg - AP Photo/Maya Hitij

O Grande Gigante a a Pequena Mulher Gigante diante do Portão de Brandenburg - AP Photo/Maya Hitij

se

Lady Gaga copiou Claudia Leitte?

Finalmente foi divulgada a nova capa do CD de Lady Gaga! Os fãs já estavam aflitos! Porém, o mais curioso é que a pose da cantora é muito parecida com uma foto de Claudia Leitte, uma das musas do axé baiano.

E não é que parece mesmo? A única diferença é que Gaga não enviou um litro de leite da fazenda para promover o CD como fez a brasileira…

Mas será que a cantora americana, cansada de se inspirar em Madonna e Britney Spears, andou passeando pelo site oficial da brasileira, onde a foto foi publicada há tempos? Acho difícil, mas, em se tratando de Gaga, tudo poder ser…

Ela é especialista em criar polêmicas. A lista é interminável. As mais recentes: fez um vídeo em que aparece nua para divulgar as apresentações que faria ao lado do rapper Kanye West; encarnou John Lennon (com óculos e tudo) para cantar “Imagine” em um jantar em Washington; usou um vestido feito com cabelo humano no prêmio Mulheres do Ano da Billboard.

No último domingo, dia 11, foi convidada a fazer o discurso inaugural da Parada Gay de Washington. Em seu texto, afirmou que não ia tolerar preconceito com os homossexuais e gritou: “Obama, eu sei que você está nos ouvindo. Você está ouvindo?”.

Isso sem falar nos figurinos e perucas bizarras com os quais costuma aparecer em público. Tudo muito estranho. Mas a menina tem feito sucesso. Aos 23 anos, já tem uma legião de fãs e foi eleita a cantora revelação do VMW, prêmio distribuído pela MTV americana.

Agora, estranheza por estranheza, confesso que prefiro pessoas mais autênticas. Amy Winehouse e seu vício em drogas. Whitney Houston e seu problema com a bebida. Britney e sua briga com a balança. E, claro, Madonna, a maior artista pop de todos os tempos, que há anos costuma criar polêmicas capazes de deixar qualquer uma delas no chinelo.

Aliás, Madonna diz na edição da revista Rolling Stones desse mês que Gaga é sua seguidora “Revejo-me na Lady GaGa. Quando a vi, ela não tinha muito dinheiro para a sua produção, tinha buracos nas meias e havia erros em todo o lado. Era uma grande confusão, mas consigo ver que ela tem o factor x . É bom ver isso numa fase tão crua”.

A primeira vez que escutei o nome de Lady GaGa, no ano passado, ignorantemente, não sabia do que se tratava. Achei que fosse aquela personagem do programa Zorra Total, da TV Globo, que tem o bordão “tô pagano”. Mas, não. Aquela é Lady Kate! Hoje, escuto seu nome diariamente. Ela não sai das manchetes de sites e revistas!

Mas acredito que ela tenha seus méritos, sim. Não deve ser fácil ser Lady Gaga. É preciso ter muita ousadia e originalidade.


A fama e a ressaca

O delegado Carlos Alberto Delaye, do 92º DP de São Paulo, teve seus minutos de fama na terça-feira 6. Uma foto em que aparece fantasiado de caubói e segurando uma garrafa de cachaça que levava no rótulo o número 92 foi publicada nos principais jornais do País. No dia seguinte, veio a ressaca. Ele foi afastado do cargo pela Corregedoria da Polícia Civil por ter usado o número da delegacia para confeccionar rótulos. Ele se justificou dizendo que não comercializava as bebidas, apenas presenteava amigos. A Secretaria de Segurança Pública informou que a conduta do policial será apurada e, caso não seja detectada infração disciplinar, ele será restituído ao cargo

Precisão inacreditável

Pesquisadores egípcios garantem ter descoberto a data exata do início da construção da pirâmide de Quéops. Há controvérsias



FOTO: BENEDA MIROSLAV; MOHAMMAD AL SEHETY/AP
PIRÂMIDE DE QUÉOPS Questiona-se a motivação por trás do estudo realizado no Egito

Vinte e três de agosto de 2470 a.C. Eis a data do início da construção da pirâmide de Quéops, segundo estudo divulgado na semana passada e conduzido por um time de arqueólogos e astrônomos egípcios. Erguida para ser a morada final do faraó de mesmo nome, a edificação é a última remanescente das sete maravilhas do mundo antigo e a maior entre as três pirâmides de Gizé - Quéfren e Miquerinos estão localizadas ao seu redor, nas cercanias da atual cidade do Cairo.

Os pesquisadores, liderados por Abdel-Halim Nur El-Din, ex-chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, chegaram a essa conclusão depois de uma complexa viagem no tempo. Por meio de modelos criados em computador, os astrônomos são capazes de simular a posição dos astros em qualquer data do calendário - no passado, no presente e no futuro.

Como os faraós costumavam iniciar suas obras no primeiro ano de seus reinados, sempre 35 dias depois do aparecimento da estrela Sirius no horizonte, os arqueólogos fecharam a conta e determinaram que Quéops (ou Khufu, para os egípcios) teria iniciado a construção exatamente naquela data.

O problema é que tal teoria e as razões que motivaram a pesquisa são altamente questionáveis.

"Todas as datas anteriores a 600 a.C. são incertas quando se fala de Egito. Todos os faraós zeravam o calendário ao começarem seus reinados, o que leva a uma imprecisão enorme", diz Antônio Brancaglion, egiptólogo e professor do Museu Nacional da UFRJ.

FOTO: BENEDA MIROSLAV; MOHAMMAD AL SEHETY/AP
"Os egípcios zelam pela preservação. Os estrangeiros só escavam em busca de novas descobertas" Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito

Ele concorda em parte com a teoria dos pesquisadores egípcios, mas afirma que é praticamente impossível cravar o ano em que Quéops chegou ao poder. Além disso, não há garantias de que a grande pirâmide tenha sido a primeira a ser erguida em seu reinado. "Teríamos de conseguir indícios e fontes históricas mais confiáveis para afirmar algo assim. Infelizmente, quase todos os registros desapareceram", diz Brancaglion. Ele lembra que algumas informações sobre a construção da pirâmide foram gravadas pelos operários em seus blocos de calcário, mas nenhuma data pode ser determinada com certeza absoluta. Por outro lado, outros especialistas já levantaram mais um problema técnico: e se a noite inicial do ciclo visível de Sirius no primeiro ano do reinado de Quéops tiver sido nublada? Tal distorção poderia ter adiado os trabalhos facilmente em um dia ou mais.

A relação entre civilizações antigas e Sirius, a mais importante estrela da constelação de Cão Maior, é notória. Além dos egípcios, o astro mais brilhante do céu noturno fascinava gregos, romanos e polinésios, entre outros. Seu reaparecimento, depois de 70 dias de ausência anual, era celebrado com rituais e cerimônias repletas de simbolismo. No Egito antigo, o retorno de Sirius marcava o início de um novo ano e indicava a chegada da estação das chuvas, além do aumento no nível das águas do rio Nilo.

Há tempos a atual postura dos egípcios em relação a seu patrimônio histórico tem sido alvo de críticas por parte da comunidade arqueológica mundial. O maior motivo para tanto é a atuação do polêmico Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, o mesmo que exigiu o retorno ao país de relíquias expostas em museus europeus, como o busto de Nefertiti, a Pedra de Roseta e o obelisco do templo de Luxor. Hawass também é criticado por tentar proibir novas escavações de grupos estrangeiros e pela sua aparição excessiva em documentários para a tevê, nos quais quase sempre é a maior estrela. O mundo espera que o novo estudo egípcio não tenha sido apenas mais uma tentativa de se fazer muito barulho por nada.



Robespierre, o paranoico

Megalomaníaco, o maior tirano da Revolução Francesa tinha pavor de ser assassinado e preocupava-se em excesso com os trajes que usaria ao assinar atos capitais


Sempre que precisava falar em público, Maximilien Robespierre (1758-1794) sofria com contorções compulsivas nas mãos e na face e exibia um manuseio descontrolado dos óculos. A sua insegurança e timidez juvenis, assim como os maneirismos nervosos, o acompanharam na idade adulta e tornaram-se marca registrada do sanguinário tirano, que se autoproclamou "O incorruptível" e foi o idealizador do regime de terror, durante a Revolução Francesa.


O temperamento reservado, no entanto, ocultava uma personalidade vaidosa e megalomaníaca que acreditava ter o legítimo direito de legislar sobre vidas alheias. Ele assinou de próprio punho nos últimos cinco meses que esteve no poder 2.217 sentenças sumárias de execução - todas as vítimas eram acusadas de conspirar contra a Revolução. Mas a sua vaidade legislava também em questões mais prosaicas: a alfaiataria. Ele apreciava os coletes com bordados elaborados, suas roupas eram bem cortadas, o cabelo cuidadosamente arrumado e sempre usava o mesmo modelo de óculos que deveriam ter lentes esverdeadas.

Robespierre é ainda hoje uma das mais controversas personalidades da história da Revolução Francesa. Entre renomados historiadores, há quem defenda que ele foi bode expiatório dos revolucionários e que era um dos homens mais íntegros entre eles. Outros, que Robespierre forneceu as bases legais para o surgimento de um Estado moderno autoritário - e que os últimos dois séculos estão fartos de exemplos desse seu legado político. A historiadora inglesa Ruth Scurr, em seu recém-lançado livro "Pureza Fatal - Robespierre e a Revolução" (Record), concede ao biografado o benefício da dúvida. Ela narra a trajetória de Robespierre, de advogado provinciano a líder revolucionário influente, obcecado por justiça e que tinha um medo paranoico de ser assassinado.

Toda a arquitetura do regime de execuções sumárias, sem direito à defesa, criada por Robespierre foi movida pelo pânico que ele vivia de sofrer represálias por parte dos "não patriotas", forma como ele se referia aos críticos do regime. Segundo a autora, Robespierre encerrava uma grande contradição: autor de diversos discursos contra a pena de morte, ele criou uma lei para aplicá-la a quem considerava suspeito. Para Robespierre todos os suspeitos constituíam um risco de vida eminente a sua pessoa e à Revolução. Na avaliação que faz dos dois últimos anos de vida do "Incorruptível", Ruth retrata um homem que, pode ter sido, de fato, incorruptível em sua vida privada, mas corrompeu-se profundamente no poder. E mostra como os mais nobres princípios podem facilmente se transformar num fanatismo letal.


Na trilha de Villa-Lobos

Uma série de eventos rende homenagens ao maior músico brasileiro no cinquentenário da sua morte


A fora uma ou outra rara lembrança, o nome de Heitor Villa-Lobos, por muito tempo, não passou de um verbete de enciclopédia para muitos brasileiros. Nos últimos anos, os jovens tiveram poucas chances de ter acesso à obra do músico, reconhecido pelos especialistas como um dos maiores do mundo.

"Ele foi certamente um dos poucos gênios do século XX", resume o maestro João Carlos Martins, que, no início do mês, foi aplaudido de pé no Lincoln Center, em Nova York, ao executar duas obras do mestre. Ironicamente, por conta das homenagens prestadas a ele no cinquentenário de sua morte, Villa-Lobos renasce.



O maior desses eventos programados no País é a exposição que começa na segunda-feira 12 no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, "Viva Villa!". Partituras, documentos, instrumentos musicais e outros objetos do artista estarão expostos em meio a instalações de áudio e vídeo.

Cinco vagões de trem cenográficos servirão de ambiente para contar sua história, e está prevista uma intensa programação de concertos. "É a maior exposição já feita no Brasil sobre uma só pessoa", afirma Fabiano Canosa, curador do evento, que levou três anos garimpando material e planejando a mostra.

Não custa lembrar, agora que o ensino de música passa a ser obrigatório nas escolas, que Villa- Lobos foi um dos maiores incentivadores desse tipo de aula, através dos cantos orfeônicos. O maestro teve as primeiras lições de música clássica com o pai, Raul, e aprendeu a tocar violão sozinho, em meio às rodas de choro cariocas.

A mistura de erudito e popular acabaria por se transformar na marca de sua obra, já que suas composições eram inspiradas não somente no samba e no chorinho, mas também em sons de origem indígena e africana. "Essa influência da música do povo pode servir de ponte para que as novas gerações passem a se interessar por concertos", afirma Canosa. Por causa dessa inovação, na época Villa foi rechaçado no meio acadêmico.

Mas uma visita do pianista polonês Arthur Rubinstein ao Brasil, em 1918, proporcionou a oportunidade de mostrar seu trabalho em Paris, onde começou seu reconhecimento internacional. Daí em diante, o sucesso foi crescente. Após sua morte, em 17 de novembro de 1959, a divulgação de suas obras passou a declinar.

"Geralmente, o gênio é reverenciado em seu próprio território, mas por muito tempo os governos brasileiros parecem ter perdido a memória", critica o maestro Martins. "Acredito que isso começa a ser retomado agora." Espera-se que, passada a efeméride, o resgate continue

A vida do mestre

O maestro Heitor Villa- e o popular Lobos nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de março de 1887. Aos 18 anos, viajou pelo Nordeste, se encantou com os violeiros e incorporou o som das cantigas nordestinas, samba e choro às suas musicas. Em 1930, compôs a primeira música de sua famosa série, as "Bachianas". Ao ter um câncer diagnosticado, em 1948, foi operado em Nova York e morreu 11 anos depois.


Pavor delicioso no cinema

Acabo de assistir a um filme muito bom: “Deixe ela entrar.” As resenhas que a imprensa tem publicado são muito elogiosas. O filme merece.

Não quero estragar as surpresas a que todo espetactador tem direito — e elas são muitas. Quem leu os jornais sabe que se trata de um filme sobre vampiros, uma tradição que o cinema cultiva desde seus primórdios.

Não vou dizer mais porque determinadas descobertas tem sua hora e seu ritmo, e alimentam as emoções únicas que este filme provoca.

Muitas cenas provocam momentos de um pavor delicioso. Há imagens fortes, que permanecem na memória depois que o filme terminou.

O grande mérito de “Deixe ela entrar” é revigorar um mito antigo e tradicional trazendo-o para a sociedade de hoje, com famílias desarrumadas, agressões gratuitas, e uma postura quase indiferente ao sexo.

Temos um vampiro de pés e mãos sujas, que leva uma vida pobre, no limite da miséria, entre homens, mulheres e crianças que sobrevivem num ambiente de fartura que alcança quase todo mundo. Não há o glamour nem a nobreza do velho Conde Drácula. Num mundo de cidadãos loiros, de pele clara, o vampiro tem cabelos negros e espessos, pele morena.

Tomas Alfredson, o diretor, conduz uma narrativa delicada e sensível, que sabe ser crua e brutal quando necessário. Na velocidade de quem procura mostrar o que é importante, o filme não tem pressa. Descreve com cuidado o cotidiano dos personagens. Espera a história amadurecer e deixa cada situação atingir seu ponto máximo.

O resultado é um filme que não perde o ritmo e desembrulha o enredo com suspense até o final. Permite várias leituras de uma mesma cena. Inspira discussões psicanalíticas e interpretações variadas para cada personagem e seu destino. E é, acima de tudo, bom cinema.


Você sabe que "Bastardos Inglórios" é um filme do Tarantino porque...


Sejamos diretos: “Bastardos Inglórios” é genial. Mesmo! A gente até pode definí-lo com outras palavras como “surpreendente”, “bizarro” ou “controverso”, mas fiquemos em genial, que é uma junção desses adjetivos todos. A trama conta a historia dos Bastardos, um grupo de judeus americanos que pretende derrubar o nazismo. Mas não vá pensando que “Bastardos” é um filme histórico. Se os fatos tivessem se desenrolado de acordo com o roteiro do filme, o mundo seria bem diferente hoje em dia (e coisas como direitos humanos jamais existiriam, mas tudo bem).

Quem já assistiu a outras obras de Quentin Tarantino sabe que o diretor e roteirista tem lá suas particularidades. No novo filme, Tarantino optou por algumas fórmulas antigas de sucesso e misturou-as com elementos completamente originais – o que por si só é uma fórmula de sucesso antiga, é claro. O próprio título do filme, no original “Inglorious Basterds”, é uma piada interna. Segundo o diretor, a grafia correta da palavra Bastards simplesmente não combina com a história.

Pois é, nem tudo é perfeitamente coerente em “Bastardos Inglórios”. Então, quando você estiver sentado na cadeira do cinema, com o olhar vago, se perguntando como-meu-Deus-do-céu a cabeça do roteirista chegou a esse ponto, lembre-se que você está assistindo a um filme do Tarantino. E você sabe que Bastardos Inglórios é um filme do Tarantino porque...

... tem violência. Muita. Muita mesmo;

... Brad Pitt é descendente de índios Apache e arranca o escalpo de seus inimigos – e essa é a parte mais provável da trama;

... a trilha sonora do filme parece saída de um bangue-bangue;

... há muito sangue envolvido em todas as cenas, mas mesmo assim você morre de rir;

... as autoridades são alvo de piadas constantes;

... o maior vilão é também o personagem mais divertido de todos (Christopher Waltz faz falta quando não aparece);

... os caras maus existem e são realmente maus;

... não há mocinhos, bem ou mal: há carisma;

... o jeito de falar de cada personagem é super trabalhado e caricato;

... não existe qualquer compromisso com mitos, contexto histórico ou “dogmas políticos”, por assim dizer – você pode ver Joseph Goebbels chorando de emoção depois de receber um elogio direto do Führer;

... apesar de escrachada, existe uma aura solene, de filme antigo, rondando a produção;

... todos os personagens falam mil línguas, exceto os americanos. É claro.

“Bastardos Inglórios” é um daqueles filmes enormes que você topa do começo ao fim. É maluco? É. É fiel à História? Nem um pingo. Mas essa é a graça de um diretor que só soube inovar na própria carreira. Assista, se surpreenda e ria de todas as piadas de humor negro sem o menor peso na consciência. É por isso que elas estão lá, afinal de contas.


De deixar tuiuiú eriçado

Cuidado com o governador de Mato Grosso do Sul:
ele gosta de atacar como um jacaré de goela aberta


Fabio Motta/AE
Alan Marques/Folha Imagem
"Ele é v... e fuma maconha. Se viesse
aqui, eu ia correr atrás dele e estuprar
em praça pública."
André Puccinelli, governador de Mato Grosso do Sul, sobre o ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente
"O governador devia examinar com
carinho o homossexualismo que
existe dentro dele e aceitar isso
com mais razoabilidade."
Carlos Minc, em resposta a Puccinelli


Se o leitor é daqueles que acreditam que a política brasileira já produziu toda baixaria possível, engana-se. Sempre surge alguém disposto a nos lembrar que o fundo do poço pode estar muito, muito mais embaixo. Foi o que aconteceu na semana passada, em Mato Grosso do Sul. O governador do estado, André Puccinelli, do PMDB, produziu a mais preconceituosa e destrambelhada declaração pública dos últimos anos. Ele estava furibundo porque o governo federal limitou a área do Pantanal que pode ser ocupada por plantações de cana-de-açúcar. A medida é boa para a preservação da natureza, mas, na visão de Puccinelli, atrapalhará a economia local. Com a sutileza de um jacaré de goela aberta, ele atacou o responsável pela restrição, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. "Ele é veado e fuma maconha. Se viesse aqui, eu ia correr atrás dele e estuprar em praça pública", disse o governador a jornalistas, em seu gabinete.

Minc, que é casado desde 1974, mas se orgulha de defender todos os tipos de diversidade, tanto a vegetal quanto a sexual, não tolerou a ofensa calado. Retrucou que a ameaça de estupro de Puccinelli revelava um gay enrustido. O ministro começou com ironia: "O governador tem uma visão interessante do homossexualismo: eu é que sou veado, mas ele é quem quer me estuprar". Depois, enveredou pela psicologia: "Freud explica que algumas pessoas que têm o homossexualismo enrustido tentam matar o homossexual que há dentro de si". Por fim, soltou também o seu lado jacaré de goela aberta: "O governador devia examinar com carinho o homossexualismo que existe dentro dele e aceitar isso com mais razoabilidade. Ele pode sair do armário que nós defendemos todos os homossexuais, assumidos ou enrustidos".

Diante da reação, Puccinelli divulgou uma nota naquele estilo consagrado pelos políticos brasileiros de pedir perdão sem pedir com todas as letras. Disse que só estava brincando e que, "na hipótese" de ter ofendido Minc, apresentava suas desculpas. Alguém precisa ensinar ao governador que ele não pode brincar com homofobia e estupro, crime previsto no Código Penal brasileiro. De qualquer forma, não é a primeira vez que Puccinelli se enrosca em metáforas sexuais. No começo do ano, ao falar sobre alianças regionais, causou mal-estar ao dizer que já havia levado todos os petistas de seu estado "para o motel". Em outra ocasião, ao inaugurar habitações populares, declarou que os novos moradores iriam poder "furunfar à vontade". Ordinariamente, costuma dizer que há inúmeras pessoas agarradas à sua "região pubiana", referindo-se aos bajuladores. "Com esse jeito falastrão, Puccinelli tornou-se o rei da pornopolítica. Ele é símbolo de uma elite arrogante e preconceituosa de Mato Grosso do Sul que, felizmente, já está em extinção",


Sete coisas sobre Lady Gaga, nomeada artista em ascensão pela Billboard


(Foto: Divulgação)

Cabelos lisos platinados, cílios postiços, maquiagem pouco discreta e roupas mais do que extravagantes. Você provavelmente já viu, ouviu falar ou leu a respeito. Nomeada artista em ascensão pela Billboard, Lady Gaga é dona de uma série de prêmios - só do MTV Vídeo Music Awards 2009 ela tem três. Mais: segundo a Nielsen Soundscan, The Fame é o disco de estreia mais vendido do ano, com 1,44 milhão de cópias só nos Estados Unidos. Entenda, enfim, quem é Lady Gaga e o que a transformou no mais novo fenômeno da indústria pop.



Lady Gaga

Nome: Stefani Joanne Germanotta
Idade: 23 anos
Nacionalidade: americana
Número de álbuns: 1 (The Fame)
Gravadora: Streamline/Interscope Records
Site oficial: www.ladygaga.com
Canal no YouTube:
youtube.com/user/ladygagaofficial

1. É ele ou ela?

Já correram boatos na internet de que Lady Gaga seria hermafrodita - em um vídeo, ela aparece com um volume suspeito sob o vestido. A própria artista chegou a brincar com a informação, dizendo ter tanto a genitália masculina como a feminina.

2. O que ela faz

"Não é apenas música", disse Lady Gaga em entrevista ao Times, que, por sua vez, a qualifica como uma "abordagem multimídia da arte". "Trata-se de performance, atitude, aparência", completa a artista.

GETTY3. A velocidade da fama

O sucesso não é repentino. Educada no piano clássico desde os quatro anos de idade, aos 14 ela já se apresentava na noite nova-iorquina. Aos 17, ingressou na Tisch School of the Arts e, anos depois, chegou a compor para Britney Spears e New Kids on The Block, entre outros.

4. Influências

Em sua página no MySpace, Lady Gaga diz que suas referências vão de Elvis Presley a The Killers, passando por David Bowie, Elton John e Queen, entre outros. O "Gaga" de seu nome, aliás, é uma referência à canção Radio Gaga, da banda de Fred Mercury. Ela também cita Andy Warhol como sua inspiração artística.

5. Princesa do pop

Para a revista Rolling Stone, Gaga é a nova "princesa do pop"; um "projeto de arte ambulante, mais conhecido por seu senso estético ultrajante do que por seus hits dance com sabor de anos 80". Já o jornal Times carregou um pouco mais nas tintas ao sugerir que ela é nada menos que "o futuro do pop".

6. Visual

Lady Gaga cria a maioria de seus figurinos, os quais são, nas palavras do New York Times, uma mescla de "glam, sexy Jetson, estroboscópica ambulante etc.". A cantora possui ainda sua própria equipe de estilistas, a Haus of Gaga. Donatella Versace está entre suas musas do mundo fashion.

AP7. Uma "ameaça"

"Se as pessoas acham que Gaga passou dos limites e é decadente agora, temo por elas. Elas não têm ideia do que ainda está por vir", ameaça a cantora. "Eu como, durmo, respiro e sangro cada centímetro do meu trabalho. Eu morreria se não pudesse ser uma artista".


Angela Merkel terá aliado homossexual no comando da Alemanha

A chefe de governo da Alemanha, Angela Merkel, vai continuar no poder depois das eleições de domingo (27), mas com um novo parceiro no comando da maior economia da Europa.

De tão monótona, a campanha eleitoral alemã não sugeria um resultado espetacular, mas foi. A chefe de governo, Angela Merkel, candidata da conservadora democracia-cristã, montou uma confortável maioria no parlamento.

Acabando com a precária aliança com os social-democratas, que governou o país nos últimos quatro anos. Merkel continua no poder agora aliando-se aos liberais.

Guido Westerwelle, o chefe dos liberais, e provável novo Ministro das Relações Exteriores alemão, é o principal vencedor da campanha que ele conduziu sem se importar com ataques à vida pessoal.

Guido assumiu a homossexualidade em público há cinco anos, e desde então comparece a recepções oficiais com seu companheiro. Embora proponha legislação que equipare casamentos de pessoas do mesmo sexo às uniões convencionais, Guido Westerwelle ganhou votos nas últimas eleições pela defesa de menos impostos e reformas nas rígidas leis trabalhistas alemãs.


Senac promove concurso de novas ideias para profissionais de logística e comércio exterior



Entre agosto e outubro de 2009, ocorre o Prêmio ComexLog – Concurso de Novas Ideias em Comércio Exterior e Logística do Senac São Paulo. A competição busca estimular a criatividade e a inovação no desenvolvimento de novos projetos de negócio ou de implementação, modificação ou adaptação de processos que objetivem aumentar a rentabilidade nas empresas e gerem impacto positivo na sociedade e no meio ambiente.

Em sua primeira edição, o prêmio quer promover o reconhecimento e a divulgação de novas ideias nas áreas de comércio exterior e logística que agreguem valor ao mercado e às empresas. Não somente para estimular os protagonistas das inovações, mas para referenciar as melhores práticas que podem alavancar o desenvolvimento empresarial.

As inscrições e o envio de projetos vão de 19/8 a 31/10/2009. Em 24/11, serão conhecidos os projetos vencedores durante o 4º Encontro de Comércio Exterior.

Em breve, o Senac divulgará o hotsite do evento.


- Global Forum América Latina - Amazônia vai sediar o BAWB


Pela primeira vez uma capital da Região Norte do Brasil, Belém (PA), recebe a Conferência de Sustentabilidade do movimento internacional BAWB Global Fórum

A conjugação entre lucro e respostas às demandas socioambientais será o fio condutor das discussões que acontecerão na conferência do movimento internacional de sustentabilidade "BAWB Global Fórum". O evento vai reunir cerca de 400 participantes, entre empresários, acadêmicos e representantes governamentais de toda a região Norte. Será de 14 a 16 de setembro, na Estação das Docas, em Belém, capital do Pará.

A realização é do SESI - Serviço Social da Indústria em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Pará - FIEPA. 38 empresas industriais dos sete estados da Amazônia já confirmaram presença para apresentar suas experiências bem sucedidas com ações sustentáveis.

De acordo com José Conrado Santos, Presidente da FIEPA, os participantes poderão conhecer novas formas de se fazer negócios sustentáveis. “Os participantes poderão entender melhor uma tendência mundial. Ao promover o diálogo entre o setor produtivo e a educação de nível superior o Global Fórum permite que a academia conheça melhor as novas demandas, os desafios e contribuições das empresas em relação à sustentabilidade, ao mesmo tempo em que coloca o empresariado em contato com os estudos sobre a temática mais recentes realizados por instituições do Brasil e do mundo”, destaca Conrado.

“Durante a conferência será utilizada a inovadora metodologia “Investigação Apreciativa”, desenvolvida pela Case Western Reserve University, dos EUA, e que por meio de dinâmicas e troca de conhecimentos entre os participantes, proporciona a descoberta de como agregar valor aos negócios de forma sustentável. A partir desse aprendizado, os participantes poderão utilizar a metodologia como uma ferramenta de gestão no planejamento estratégico de suas organizações”, explica Conrado

Serviço: O SESI BAWB Global Fórum será realizado no período de 14 a 16 de setembro, na Estação das Docas, em Belém. Mais informações no site: www.fiepa.org.br


Uísque escocês é dividido em cinco categorias



Ler rótulo de bebida não é tarefa das mais fáceis, principalmente se os termos impressos pressupõem um certo conhecimento prévio. Não importa a bebida, o problema é o mesmo.

Os grandes vinhos franceses e seus vinhedos e classificações, as cervejas que indicam o extrato primitivo em seu rótulo (que muitas vezes é confundido com teor alcoólico), saquês japoneses (esses, então, merecem uma matéria à parte). Os uísques não são diferentes.

A confusão era grande e, no ano passado, a Scotch Whisky Association definiu a nomenclatura para cada categoria de uísque escocês que deverá constar na garrafa do seu scotch favorito. São elas: Single Malt Scotch Whisky, Blended Malt Scotch Whisky, Blended Scotch Whisky, Single Grain Scotch Whisky e Blended Grain Scotch Whisky.

A falta de clareza sobre as nomenclaturas utilizadas estava causando certa confusão entre os consumidores e discussão entre os especialistas. O estopim parece ter surgido com os Blended Malt Whisky, que também eram conhecidos como Vatted Whisky ou chamados, por alguns produtores, de Pure Malt. Para o consumidor final, que é quem nos interessa aqui, os diferentes nomes para uma mesma categoria de uísque levava a erros e dúvidas sobre o que estava sendo consumido.

Veja como ficaram os termos que indicam cada uma das cinco categorias de uísque e o que eles significam:

O termo Single Malt Scotch Whisky indica que o uísque contido na garrafa tem duas particularidades. Primeiro, é 100% destilado de malte, ou seja, de um grão, no caso cevada, que de maneira controlada foi induzido à germinação. A outra particularidade é que um Single Malt é elaborado a partir de uísque de malte de uma única destilaria, mesmo que de diferentes anos. Ou seja, ao optar por essa categoria, não significa que você irá beber uísque de um único ano, mas sim que está bebendo uísque de malte de uma única origem.

Já o termo Blended Malt Scotch Whisky indica que maltes de diferentes destilarias estão combinados naquela garrafa. Até antes dessa nova nomenclatura, eles eram chamados de Vatted Malt Whisky, ou Pure Malt. Aqui no Brasil, temos, por exemplo, o Johnnie Walker Green Label, um 15 anos da Diageo, resultante da mistura de quatro Single Malt: Talisker, Linkwood, Cragganmore e Caol Ila. E também encontra-se The Famous Grouse Blended Malt, 12, 18 e 30 anos, da The Edrington Group, importados pela Interfood, carregando em sua composição maltes como The Macallan e Highland Park.

A designação Blended Scotch Whisky é usada para o uísque composto por diferentes uísques de malte e grain whiskies, ou seja, uísque de grãos (não maltados), provenientes de diferentes destilarias. Esses são a maioria dos uísques disponíveis no mercado. Nicholas Macchi, gerente de marketing para a America Latina do The Edrington Group, lembra que os Blended Whiskies são os responsáveis pelo sucesso do uísque no mundo.

A mistura com uísque de grãos não maltados acrescenta leveza à bebida, facilitando sua recepção junto ao consumidor final. Esse sucesso pode ser medido pela participação dos blended whiskies no mercado de uísques. Segundo a Scotch Whisky Association, os blended correspondem a 90% dos uísques vendidos no mundo.

Além dessas três categorias ainda temos os Single Grain Scotch Whiskyque é o produto de uma única destilaria, mas que diferentemente de um Single Malt, admite uísque de grãos não maltados em sua composição - desde que respeitado o fato de ser destilado em uma única destilaria. E, finalmente, há os Blended Grain Scotch Whisky, o que indica que o whisky contido na garrafa é um blend de diferentes Single Grain Scotch Whisky.

Confuso ainda? Um pouco, mas comece a reparar nas garrafas que você compra. Reúna os amigos e prove as diferenças. Será uma boa experiência.

Aluguel de carros elétricos será moda em Paris


Depois do sucesso do sistema de aluguel de bicicletas em Paris, as famosas vélibs, criado em 2007, a cidade se prepara para o Autolib – o compartilhamento decarros elétricos, que deve começar a funcionar, no máximo, no início de 2011.

Serão 1.400 pontos, espalhados por Paris e em seus arredores, onde os usuários poderão alugar um dos 4 mil veículos elétricos disponíveis para se deslocarem até seu destino. A devolução pode ser feita em qualquer outro posto que seja conveniente para o motorista. Ali, também será possível recarregá-los. Hoje, os parisienses já contam com um esquema assim para carros movidos a combustível fóssil.

De acordo com a revista BusinessWeek, o aluguel dos automóveis elétricos deve ficar entre 6 e 9 dólares por meia hora de uso.

Já tem quem seja contra a iniciativa sob os argumentos de que a prática incentivaria o uso do carro e aumentaria os congestionamentos na cidade. Por outro lado, o hábito do aluguel poderia diminuir a compra de veículos e ainda ajudaria a reduzir as emissões de carbono de Paris em 22 mil toneladas em um ano.


Hospede-se em um tubo de concreto


É basicamente isso o que propõe o Das Park Hotel, em Linz, na Áustria. Os hóspedes ficam em tubos de concreto reaproveitados, onde podem desfrutar de uma cama de casal, com cobertores e sacos de dormir, e até de luz elétrica.

As acomodações são fechadas de um lado e têm uma porta do outro – com código de segurança e tudo – e um orifício funciona como janela. O hotel funciona de maio a outubro, época em que as temperaturas austríacas não estão tão baixas.

Para usar o banheiro, o visitante precisa procurar os serviços públicos ou algum matinho nos arredores do hotel.

No esquema “pague o quanto achar que vale” até que não é má ideia reutilizar um material que, de outro modo, só serviria mesmo para entulhar ainda mais o mundo. Da próxima vez que passar pela Áustria, já sabe.


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